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Mercado imobiliário

Resiliência

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Palavras também têm moda e, para mim, resiliência é a mais atual tendência. É um termo oriundo do latim resiliens e significa voltar ao estado normal, principalmente depois de alguma situação crítica e fora do comum. Esse termo tem sido cada vez mais usado, seja na administração, na ecologia, nas relações interpessoais etc.

Originalmente usado na engenharia e na física, é a propriedade dos materiais que acumulam energia, quando são submetidos a situações de estresse, como rupturas. Esses materiais, logo após um momento de tensão, podem ou não ser danificados, e caso sejam, a resiliência mede se terão a capacidade de voltar ao normal.

Acabamos de sair de um momento ímpar do país que demonstra quão atual é o tema: as eleições para a Presidência mobilizaram as pessoas de forma extraordinária. A expectativa por mudanças e o desejo de algo novo para reverter o quadro vigente levaram os brasileiros às ruas, às redes sociais, às discussões acaloradas. Depois de tanta energia acumulada, anunciado o resultado, veio a frustração, o sentimento de desesperança e indignação.

Mesmo assim, Aécio Neves, o candidato derrotado nas urnas, nos dá uma lição de resiliência. Adotou uma postura extremamente positiva e tirou proveito da situação: ao reassumir seu posto no Senado, prometeu ser um forte opositor aos desmandos do governo Dilma. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em seu artigo “As urnas pelo avesso”: “Do perdedor seria de esperar um período de luto, temperado pelo abatimento e pela acrimônia – e, no entanto, ressurge ele, não ela, embalado pelas marcas do entusiasmo e da renovação”.

Nas organizações, a resiliência faz parte dos processos de gestão de mudanças e auxilia os líderes a trabalhar com as equipes especialmente no desenvolvimento de novas soluções após situações frustrantes ou de crises. Busca-se o equilíbrio emocional e a automotivação para saber lidar com os problemas relacionados com o trabalho, principalmente quando as situações não ocorrem como as pessoas esperavam.

A maioria dos profissionais tem suas competências diminuídas diante de um ambiente de tensão ou de mudanças, ao contrario dos resilientes, que se antecipam às mudanças e estão sempre ligados ao que ocorre no mercado.

David Menezes Lobato, em seu livro Gestão resiliente, diz: “Surge, pois, o modelo resiliente não como panaceia, mas como um remédio útil capaz de fazer com que uma empresa sobreviva, ainda que seja importante fazer uma transformação cultural da mentalidade de seus dirigentes. A mudança decorrerá, entretanto, da introdução de novos parâmetros de compreensão da realidade empresarial...”.

Novos parâmetros também são buscados quando analisamos a resiliência sob a ótica da psicologia e em nossa vida privada, pois é a capacidade de uma pessoa lidar com os próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação, negativa ou positiva: término de uma relação amorosa, perda de uma pessoa querida, nascimento de um filho, mudança de cidade ou de país etc. Nesse contexto, o conceito está muito próximo ao que lhe é atribuído na ecologia, que é a aptidão de um determinado sistema que lhe permite recuperar o equilíbrio depois de ter sofrido uma perturbação. Esse conceito remete para a capacidade de restauração de um sistema ambiental.

Portanto, como as coisas voltam ao estado original, mas não exatamente como eram antes, acredito que podemos voltar de forma revitalizada, tendo firmeza de propósitos e mantendo nossa integridade. A palavra da moda requer uma mudança na forma de pensar das pessoas, modelar as tendências contemporâneas, valorizando fatores que criam maior flexibilidade, desafiando a estrutura existente e buscando novas formas de adaptação e criação.

Estamos saindo da ressaca pós-eleição com essa visão sistêmica amadurecida do país. Podemos e devemos estabelecer novos parâmetros para continuar, como empresários e cidadãos, a ter forças para construir este país.

No mercado imobiliário, também estamos vivendo uma fase mais madura após passar resilientes pelo boom imobiliário de alguns anos atrás. Hoje, mais do que nunca, compradores e vendedores fazem uma análise de riscos mais consciente. Avaliam se o momento requer audaciosos investimentos ou maior moderação. No entanto, a vida é dinâmica e as coisas ocorrem e continuarão ocorrendo: as pessoas se casam, separam, investem, abrem e fecham empresas, têm filhos, os filhos se formam e montam seus negócios, herdeiros dividem patrimônios, construtoras realizam empreendimentos, empresas adquirem ou alugam sedes etc.

Para cada momento de transição na vida das pessoas, em geral há um investimento imobiliário a fazer. Portanto, continuamos a nos renovar, melhorando e adequando a forma de intermediar e gerar negócios imobiliários, resistindo à pressão e buscando com entusiasmo oferecer soluções para os nossos clientes.

 

* Diretora da Céu-Lar Imóveis, diretora da Rede Netimóveis, conselheira da Câmara do Mercado Imobiliário e vice-presidente da CMI-Secovi Mulher


E-mail para esta coluna: adriana@ceularimoveis.com.br

Tags: mercado imobiliário

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