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Mercado imobiliário

O ano-novo e o novo consultor imobiliário

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Dois mil e quatorze tem sido considerado muito atípico e comparado a um tsunami: rápido e avassalador. Os desmandos e a gastança do governo com o evento Copa do Mundo, a comoção com a política e a situação crítica da economia do país nos deixam extremamente perplexos e preocupados com o futuro.

E, terminando o ano, ao apagar das luzes, é momento de fazer balanços, renovar projetos, estabelecer metas, revisar sonhos etc.

Citando Carlos Drummond de Andrade: “Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”

Nesta reflexão, respondendo ao quesito realização profissional, considero que é quase um milagre ser empresária no Brasil e, quanto à corretagem e administração de imóveis, percebo que a atividade amadureceu muito.

Hoje, mais do que nunca, vejo a relação de confiança e alta expectativa que se estabelece entre o cliente e o corretor, profissão hoje extremamente valorizada.

Evoluindo de mostrador de imóveis para consultor imobiliário, esse profissional passou a estar verdadeiramente atento às questões fundamentais para a segurança dos negócios que intermedeia.

Elenco aqui uma série de conhecimentos e desafio os bons profissionais do mercado que não necessitaram se envolver na maioria delas em suas tratativas durante o ano, seja na construção, incorporação, compra e venda e locação de imóveis:

Gestão financeira e análise e riscos; cadastro e cobranças; marketing e planejamento estratégico; inteligência e pesquisa com definição de nichos e segmentos de clientes e de mercado; análise de viabilidade de empreendimentos; pós-venda; relacionamento e prospecção de clientes; tecnologia da informação; uso e ocupação do solo e as questões de desenvolvimento urbano; sustentabilidade; redação de contratos e acompanhamento de legislação e jurisprudências; regulação de regras de convivência entre vizinhos e condôminos; comportamento do consumidor; aspectos tributários e contábeis; padrões construtivos; tendências arquitetônicas e detalhamento de materiais de acabamento; solução de conflitos; técnicas de negociação; análise do cenário político e macroeconômico nas esferas municipal, estadual, federal e mundial etc.

São praticamente duas dúzias de matérias a serem exploradas em nosso setor para podermos prestar a assessoria desejada pelo cliente.

O bom consultor imobiliário atua de forma instigante. Intelectualmente focado em tantas questões ao mesmo tempo, opera como uma verdadeira academia de ginástica para a mente, turbinando as conexões neurais com estímulos para o cérebro. Sentimos forte pressão com situações complexas e desafiadoras, pois nos propomos a intermediar o sucesso para nossos clientes. Quando alcançado, é o momento em que a satisfação de todos os envolvidos nos alavanca para a continuidade da jornada com a sensação do dever cumprido. É também verdade que a frustração de um negócio não realizado é dolorosa na mesma proporcionalidade.

Entretanto, sabemos que ser bom em tudo é impossível. Ser generalista, conhecendo de tudo um pouco, é importante na era da informação em que vivemos, mas ser especialista torna um profissional mais valioso. De acordo com a quantidade de conhecimento que tem sobre um determinado assunto, é possível se tornar um expert e isso pode significar o sucesso de uma pessoa.

Talvez, o momento atual – fechamento do ano num cenário de crise – seja interessante ao consultor imobiliário, estabelecer as metas para 2015: juntamente com emagrecer tantos quilos, estudar uma língua estrangeira, trocar de casa ou de carro etc., incluir na lista de propostas a especialização em algum(ns) dos item(s) elencados acima, preferencialmente obedecendo sua vocação pessoal e sua percepção individual sobre o mercado em que atua. A tendência é, assim, ser o melhor em algo que o distinga dos demais. O corretor do passado que vendia imóveis, hoje vende informações, fazendo parcerias estratégicas em busca da eficácia para o cliente. É fundamental enxergar as mudanças na velocidade que o mercado precisa. Além de não ser complacente, vamos adaptar, agregar valor aos serviços prestados e experimentar novas formas de trabalhar.

Ano novo,vida nova!

 

* Diretora da Céu-Lar Imóveis, diretora da Rede Netimóveis, conselheira da Câmara do Mercado Imobiliário e vice-presidente da CMI-Secovi Mulher


E-mail para esta coluna: adriana@ceularimoveis.com.br

Tags: novo

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