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Mercado imobiliário

Além das forças da natureza

"Há que se considerar, especialmente, que os bancos privados continuarão financiando até 80% do valor dos imóveis com taxas, espera-se, competitivas, e que compradores e vendedores podem ajustar livremente um parcelamento de parte do preço do imóvel"

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postado em 03/05/2015 13:55 / atualizado em 03/05/2015 13:57 Adriana Magalhães /Colunista Lugar Certo
No último sábado, dia 25, um terremoto devastou o Nepal e afetou cerca de um quarto da população, ou seja, aproximadamente 8 milhões de pessoas, sendo que o número de mortos ultrapassa 5 mil pessoas, podendo chegar a 10 mil segundo estimativas.

O país terá de ser reconstruído: há milhares de desabrigados, feridos, destruição por toda parte.

Chamou a minha atenção uma matéria que diz que a tragédia não era inesperada: estudo de cientistas franceses identificou, aproximadamente um mês antes, o risco de os abalos sísmicos acontecerem, analisando o padrão histórico de terremotos na Ásia.

Isso me trouxe ao nosso Brasil, inicialmente para agradecer por estarmos situados numa região geograficamente privilegiada no globo, e por outro lado por sentir que também vamos precisar nos reconstruir. O país passa por abalos estruturais graves. Catástrofes geram muita comoção, causam uma dor latente. Cada pessoa sente em um grau (energia essa não medida na escala Richter), mas é certo que estamos sofridos e com medo. Milhares de mortes também ocorrem por aqui, seja na violência urbana, no tráfico de drogas, na falta de recursos para a saúde e para o saneamento urbano, nos acidentes nas estradas e na miséria do nosso povo.

Além disso, como no caso do terremoto do Nepal, os nossos cientistas políticos e economistas previram o caos que seria para o país se as eleições de 2014 tivessem o resultado obtido. Assim, acredito que “nunca antes na história deste país” recebemos tantas notícias ruins ao mesmo tempo deflagradas: a maior corrupção do planeta, desemprego e inflação aumentando, a falta de infraestrutura, a excessiva carga tributária etc.

Por exemplo, no mercado imobiliário, além da questão do aumento do ITBI de 2,5% para 3% em Belo Horizonte e o temor da aprovação pela Câmara Municipal de alterações polêmicas na Lei de Uso e Ocupação do Solo para Belo Horizonte, semana passada fomos bombardeados pela decisão da Caixa Econômica Federal de suspender ou reduzir o percentual a ser financiado de 80% para 50% do valor do imóvel usado.

Como são muitos abalos e surpresas escalonados em muito pouco tempo, num primeiro momento pensamos: assim o mercado vai parar!. Como os compradores conseguirão adquirir os imóveis pretendidos? As pessoas precisarão de recursos próprios para comprar etc.

No entanto, a situação não é tão caótica assim. Lembro-me de quando a Caixa abria a linha de crédito e, quando o volume de recursos esgotava, de repente fechava. Ou seja, voltou a ocorrer. Mas, naquela época, os bancos privados não tinham carteira hipotecária. Só entraram no mercado depois da mudança na legislação brasileira, quando foi aprovada a alienação fiduciária, aumentando a garantia nos financiamentos. Isso ocorreu em 20 de novembro de 1997 com a Lei 9.514, há apenas 18 anos.

Nessa ocasião, a moeda de troca era muito comum: aceitavam-se nas negociações veículos, imóveis de menor valor, até cotas de clube já entraram como parte de pagamento em negócios que intermediei.

Há que se considerar, especialmente, que os bancos privados continuarão financiando até 80% do valor dos imóveis com taxas, espera-se, competitivas e que compradores e vendedores podem ajustar livremente um parcelamento de parte do preço do imóvel.

Por outro lado, os compradores que vão adquirir imóveis novos (até seis meses de habite-se) não serão afetados, fazendo com que esses imóveis tornem-se mais competitivos, inclusive revitalizando o setor da construção civil, que é uma das principais molas propulsoras do desenvolvimento do país e uma das indústrias que mais emprega.

Portanto, torcendo para uma rápida reconstrução dos países devastados por suas dificuldades específicas, vamos buscar soluções para amenizar os sérios problemas que temos, mas sem fechar os olhos e ouvidos para a gravidade da situação.

Clara Nunes cantava As forças da natureza: “Os palácios vão desabar/Sob a força de um temporal/E os ventos vão sufocar o barulho infernal/Os homens vão se rebelar/Dessa farsa descomunal/Vai voltar tudo ao seu lugar/Afinal”.

 

* Diretora da Céu-Lar Imóveis, diretora da Rede Netimóveis, conselheira da Câmara do Mercado Imobiliário e vice-presidente da CMI-Secovi Mulher


E-mail para esta coluna: adriana@ceularimoveis.com.br

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