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Mercado imobiliário

Imóveis encurralados

Em todos os casos, antes de aceitar qualquer proposta, procure por um engenheiro avaliador para definir o real valor do imóvel

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Devido à falta de terrenos, o assédio das construtoras a donos de imóveis tem aumentado nas principais cidades brasileiras, embora muitos moradores que não aceitam as propostas acabem sofrendo com obras vizinhas e, na maioria das vezes, enfrentem a desvalorização de seu imóvel.

Os moradores mais resistentes reclamam da pressão feita pelas empresas. Ainda que eles não sejam obrigados a vender, em alguns casos esses proprietários alegam ter sofrido graves consequências da obra vizinha, pois podem surgir rachaduras e infiltrações em diversos pontos da edificação. Mesmo que não ocorra arrependimento pela escolha, o imóvel certamente apresenta desvalorização. De acordo com os especialistas no assunto, a saída para o mercado imobiliário é a busca de regiões com casas mais antigas e pessoas dispostas a vender, pois os lotes em regiões centrais são os mais procurados.

Quanto à aquisição dos imóveis, entidades do setor imobiliário e construtoras admitem pressão exercida sobre os moradores, insistindo e buscando convencê-los quando estão em suas áreas de interesse, para não perder a oportunidade. Muito embora somente uma minoria não aceite as ofertas, por falta de alternativa as pessoas se veem sem saída e aceitam as propostas.

Aos moradores, cabe ressaltar que, se for de seu interesse vender o imóvel, eles devem pedir que a proposta seja oficializada por escrito. Caso o imóvel seja semelhante ao dos vizinhos, é importante comparar a proposta que está sendo feita, e se não for de seu interesse vender o imóvel, conversar com a construtora e avaliar o projeto, oficializando tudo por escrito. Além disso, deve-se solicitar uma vistoria no imóvel antes e depois da obra, para que, caso sofra algum dano, ele possa ser ressarcido.

Em todos os casos, antes de aceitar qualquer proposta, procure por um engenheiro avaliador para definir o real valor do imóvel. Isso porque, na hipótese de venda, o preço final da transação representa o real valor de mercado, assim como, não ocorrendo a venda, e na ocorrência de danos decorrentes da futura obra, possa ser reclamado um ressarcimento pelos prejuízos causados ao imóvel.

Um caso interessante foi registrado na capital paulista, onde um morador viu 20 casas vizinhas serem demolidas, restando apenas a sua, que hoje se localiza entre a piscina e o jardim de um prédio de 28 andares. Além dos infortúnios ocorridos durante a execução do empreendimento, que trouxeram significativos danos à edificação, a construção transformou a residência remanescente numa ilha, espremida e circundada por todos os lados pelo enorme edifício.
Por outro lado, também os moradores dos prédios não gostam do que o mercado denomina “casas-sanduíche”, como são chamadas as de proprietários que não aceitam propostas e são obrigadas a ficar entre uma nova construção, pois os projetos precisam ser modificados muitas vezes perde-se uma área que já estava confinada.

Dessa forma, verifica-se que nessa situação, que passa obviamente pelos interesses e desejos dos proprietários, é imperativo que as pessoas levadas à decisão de vender um bem de grande valor sentimental reflitam sobre o fator emocional, haja vista que as consequências decorrentes da inflexibilidade podem levar a uma situação na maioria das vezes irreversível, com prejuízo patrimonial irreparável.

E-mail para esta coluna: coluna@precisaoconsultoria.com.br

Tags: imobiliário

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