Comentários
600

Norma de Desempenho - Parte 4: Vedações verticais internas e externas

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
A quarta parte da NBR 15.575 (norma de desempenho) abrange os sistemas de vedações verticais das edificações habitacionais, tanto internas como externas, bem como a volumetria e compartimentação dos espaços que compreendem um edifício. Como as vedações podem atuar em sintonia com a estrutura e sofrem as ações decorrentes de sua movimentação, além de poder assumir função estrutural, faz-se necessário que as análises sejam feitas em conjunto com os elementos, componentes e sistemas que com elas interagem, tais como caixilhos, esquadrias, cobertura, pisos e instalações. Além de interagir com aqueles que exercem outras funções, como estanqueidade à água, isolação térmica e acústica, capacidade de fixação de peças suspensas, capacidade de suporte a esforços de uso, compartimentação em casos de incêndio, entre outros.

No que se refere aos conceitos, essa parte da norma apresenta a sigla SVVIE, que significa “sistemas de vedações verticais internas e externas”, compreendendo as partes da edificação habitacional que limitam no plano vertical o conjunto do edifício e seus ambientes, como fachadas e paredes divisórias internas; ensaio-tipo, que é aquele utilizado para aferir a conformidade de um sistema de vedação, utilizando amostras representativas das condições de projeto e utilização; estado-limite último, que é o momento a partir do qual ocorre um rebaixamento no nível de segurança, com risco de colapso ou ruína de um sistema de vedação; estado-limite de serviço, aquele caracterizado por solicitações que prejudicam a funcionalidade, utilização ou durabilidade do sistema, com aparecimento de fissuras e outras falhas; deslocamento, a perda de aderência entre um componente de acabamento e sua base.

Os itens exigências do usuário, incumbência dos intervenientes e avaliação do desempenho são remetidos à parte 1. Encontramos os requisitos de desempenho estrutural, que se inicia pela estabilidade e resistência estrutural dos sistemas de vedação internos e externos. Isso nos remete a outras normas da ABNT, quando tiver função estrutural, além de especificar critérios para ensaios, forma de determinação da resistência e modelagem matemática do conjunto.

A continuidade se dá pelo requisito de deslocamentos, fissuração e ocorrência de falhas nos sistemas de vedações verticais. O objetivo é limitar essas ocorrências, de forma a assegurar o livre funcionamento de elementos e componentes da edificação, onde é apresentada uma tabela que procura correlacionar o tipo de elemento (sistemas internos ou externos, com ou sem função estrutural), as solicitações (cargas verticais, horizontais, permanentes e deformações impostas) e os critérios para que não ocorram falhas.

O requisito seguinte se refere às cargas originárias de peças suspensas atuantes nas vedações verticais, tais como armários, prateleiras, lavatórios, hidrantes e quadros, entre outros. O critério compreende o ensaio para o dispositivo de fixação padrão tipo mão francesa, em tabela própria para carga aplicada em cada ponto ou considerando os tais pontos.

Seguindo, temos o requisito para impacto de corpo mole nos sistemas de vedação com ou sem função estrutural, que se traduz por sua resistência à energia de impacto dos choques gerados pela própria utilização ou aqueles provocados deliberadamente. São utilizadas duas tabelas que apresentam os critérios de desempenho para escalas de energia de impactos, o que é seguido pelas ações transmitidas por portas, impacto de corpo duro e cargas de ocupação incidentes em guarda-corpos e parapeitos de janela.

O item seguinte trata da segurança contra incêndio, avaliação da reação ao fogo nas faces internas e nos miolos isolados, objetivando dificultar a inflamação generalizada, a propagação do incêndio e preservar a estabilidade estrutural da edificação. Já a estanqueidade refere-se às águas provenientes da chuva e outras fontes, considerando a ação dos ventos para as fachadas, umidade decorrente da ocupação do imóvel, incidência direta de água para as áreas molhadas e condições de umidade junto às áreas molháveis, tudo respaldado por tabelas com critérios objetivos.

Outro conceito abordado é o desempenho térmico, que trata da adequação das paredes externas por meio dos critérios de transmitância e capacidade térmica, devidamente tabelados, cujos procedimentos de avaliação são aqueles preconizados na NBR 15.220 (desempenho térmico de edificações), bem como das aberturas para ventilação, contendo tabela de valores mínimos para dormitórios e sala de estar.

Há ainda o desempenho acústico, que trata do isolamento entre dependências de uma unidade e áreas comuns, utilizando tabelas que remetem a normas ISO ou valores em decibéis, enquanto o desempenho lumínico é remetido à parte 1 da própria norma de desempenho.

Por derradeiro, são abordados os requisitos de durabilidade e manutenção quanto à ação do calor e choque térmico, vida útil do projeto e intervenções periódicas de manutenção. O objetivo é limitar os deslocamentos, fissurações e falhas, ficando as questões relativas à saúde, conforto antropodinâmico e adequação ambiental remetidas à parte 1 da Norma NBR 15.575.

*Engenheiro e advogado, sócio da Precisão Consultoria e autor do livro Guia de negócios imobiliários - Como comprar, vender ou alugar seu imóvel

E-mail para esta coluna: coluna@precisaoconsultoria.com.br

Anúncios do Lugar Certo

Outros Artigos

ver todas
13 de março de 2017
21 de novembro de 2016
24 de outubro de 2016
26 de setembro de 2016
01 de setembro de 2016