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Com que índice eu vou?

Problemas na economia brasileira geraram a proliferação de índices de variação de preços, coletados e tabulados pelos mais diversos institutos de pesquisa

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postado em 04/11/2013 15:03 / atualizado em 04/11/2013 15:06 Francisco Maia Neto /Especial para o Estado de Minas
Para os brasileiros com mais de 40 anos ainda reside a lembrança dos difíceis anos em que as taxas estratosféricas de inflação afetavam duramente nossas vidas, o que resultou em uma completa indexação da economia e substituição do referencial da moeda corrente por índices que refletiam a desvalorização monetária ou pelo referencial em moeda estrangeira. Isso ficou conhecido como dolarização da economia.

Essa verdadeira obsessão nacional gerou a proliferação de índices de variação de preços, coletados e tabulados pelos mais diversos institutos de pesquisa, muitos deles divulgando mais de um índice mensal. Resultou na existência, ainda que passadas décadas de vigência do Plano Real – que estabilizou nossa moeda –, de nada menos que 29 indicadores de inflação, que compreende uma média de quase um por dia, incluindo sábados e domingos.

Essa realidade é justificada pelo fato de a inflação no país ainda situar-se em um patamar elevado para os padrões mundiais, cujo percentual é da ordem de 2% ao ano. Isso faz as economias estáveis trabalharem com poucos índices, a exemplo dos Estados Unidos, que tem dois indicadores de preços ao consumidor e um de preços ao produtor, ou a Austrália, cuja variação da inflação é divulgada apenas uma vez a cada três meses.

Na prática, são 14 os índices mais utilizados pelos diversos setores da economia. Divulgados pelos quatro institutos mais conceituados do país – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fundação Getulio Vargas (FGV), Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese) –, medem a variação da inflação das mais diversas formas no país, como na cidade de São Paulo, onde há um índice específico para o setor da construção civil e ainda outro referente às famílias de baixa renda.

O IBGE apura o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal índice de inflação do país, utilizado como referência para a meta de inflação perseguida pelo governo; o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), baseado no custo de vida das famílias com ganhos entre um e cinco salários mínimos, e o Índice de Preço ao Produtor (IPP), que mede a variação dos preços pagos pela indústria de transformação aos produtos de insumos.

A FGV publica o Índice Geral de Preços (IGP), o mais popular dos índices, que se desdobra em três versões: IGP-10, IGP-M e IGP-DI, cuja diferença se refere ao período de coleta; o Índice de Preços por Atacado (IGP), referente à variação dos preços dos produtos agrícolas e industriais; o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que controla a evolução dos custos na construção civil; o Índice de Preço ao Consumidor (IPC), utilizado para avaliar o poder de compra do consumidor; o IPC-3i, para pessoas com mais de 60 anos, e o IPC-C1, para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos.

A FIPE publica o Índice de Preço ao Consumidor (IPC), que mede os preços ao consumidor exclusivamente na cidade de São Paulo, enquanto o Dieese apura o Índice de Custo de Vida (ICV), que tem a mesma abrangência na capital paulista, e outras três versões: o Extrato 1, que mede os preços dos produtos para famílias mais pobres; o Extrato 2, voltado à variação dos preços para famílias com nível intermediário; e o Extrato 3, que apura os gastos com produtos para famílias com maior poder aquisitivo.

Desses indicadores, o mais aplicado nos contratos de aluguéis de imóveis para efeito de reajuste é o IGP-M, que também é aplicado às contas de água, luz e esgoto, embora exista uma migração para o IPC-A. Já nas negociações entre patrões e empregados o índice mais utilizado é o INPC.

O local onde essa verdadeira “síndrome de índices” tem maior repercussão é no mercado de capitais, onde acertar o IPCA pode significar a perda ou ganho de milhões, pois trata-se do índice que baliza a taxa Selic, fazendo com que instituições ainda contratem pesquisas próprias, aumentando o espectro dos índices, o que resulta em um ganho de transparência, dificultando eventuais manipulações, como registrado na Argentina.

*Engenheiro e advogado, sócio da Precisão Consultoria e autor do livro Guia de negócios imobiliários - Como comprar, vender ou alugar seu imóvel

E-mail para esta coluna: coluna@precisaoconsultoria.com.br

Tags: Francisco Maia Neto

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