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Mercado imobiliário

O conceito multiuso

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O crescimento dos grandes conglomerados urbanos, que faz com que nossas cidades se multipliquem como metrópoles com milhões de habitantes, não tem permitido a realização de projetos estruturantes que atendam à demanda crescente. Isso vale especialmente no que diz respeito à mobilidade urbana, cujo transporte público se mostra caótico e a utilização do automóvel é ascendente, alimentando um ciclo vicioso que acarreta uma série de problemas que afetam o nosso cotidiano.

Nesse contexto, enquanto os projetos de infraestrutura, que exigem longa maturação, não chegam, é natural que surjam ideias para combater o caos que se formou em alguns locais. O mercado, com sua habitual sabedoria, tem buscado soluções e adequação a essa nova realidade, amenizando assim os problemas enfrentados pelo cidadão comum.

Assim surgiu o conceito multiuso, essa solução arquitetônica e urbanística que procura reunir em um único empreendimento múltiplas funções, ou como ensina o renomado arquiteto peruano Bernardo Fort-Brescia, professor da Universidade de Harvard e titular de um dos maiores escritórios de arquitetura do mundo, essa é uma modalidade que se assemelha a um cubo mágico, ou a um quebra-cabeça.

Segundo esse profissional, responsável por projetos dessa natureza em mais de 60 países, essa visão se deve à necessidade de combinar diversas peças em um único espaço. Ou seja, é imperativo saber como projetar hotéis, escritórios, lojas corporativas, apartamentos e shoppings, e em seguida decidir como encaixá-los, o que exige criatividade e imaginação, pois não existe uma fórmula acabada.

Edificações classificadas como multiuso exigem uma difícil combinação de espaços e tipos de ocorrência. Nesses locais devem ser pensados diversos itens, tais como garagens, docas de descarga, circulação de visitantes e a infraestrutura de residenciais, escritórios, hotéis e lojas, resultando em uma série de interferências. O projeto exige redobrada atenção, não permitindo, por exemplo, que uma pessoa utilize o estacionamento do shopping para chegar ao seu apartamento.

Embora o conceito tenha surgido com os grandes complexos, executados em terrenos com área significativa, permitindo assim construir horizontalmente, ele avançou também para os pequenos terrenos. Nesses, a modelagem pode diferir um pouco, primeiramente porque as funções são reunidas em uma única torre e também porque não permite reunir todas as funções tradicionais (shopping, escritório, residência e hotel) em um único local, mas resultando em uma combinação parcial.

Outra realidade verificada nesses empreendimentos em outros países, especialmente cidades como Hong Kong e Nova York, é a aquisição de prédios antigos, já deteriorados ou que não exploram toda a sua capacidade. Eles são demolidos para dar lugar a uma nova edificação, com maior espaço e dentro dessa conceituação.

No Brasil, o conceito parece que veio para ficar. Prova disso é a proliferação desses edifícios, ganhando destaque no segmento imobiliário, como em São Paulo, onde um palacete foi restaurado e ficará ao lado de uma torre de 24 andares. O terreno de 6,5 mil metros quadrados (m²) abrigará um bosque com remanescentes da mata- atlântica, enquanto uma área de 218 mil m² na Marginal do Rio Pinheiros receberá cinco torres residenciais, um shopping center, duas torres corporativas e ainda uma para escritórios.

 

*Engenheiro e advogado, sócio da Precisão Consultoria e autor do livro Guia de negócios imobiliários - Como comprar, vender ou alugar seu imóvel

E-mail para esta coluna: coluna@precisaoconsultoria.com.br

Tags: conceito

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