Muito se tem falado no excelente momento que a construção vive no país. Nesta coluna mesmo temos afirmado isso. De fato, diante de tantos números positivos não temos como negar a realidade. No entanto, nem tudo são flores. A construção tem sim muitos desafios pela frente. E é desses desafios que falaremos hoje.
Não podemos nos esquecer de que o Brasil ainda tem muito a construir. Sejam habitações para enfrentar o enorme déficit de moradias – quase 6 milhões de unidades –, sejam todos os tipos de obras de infraestrutura que atrasam nosso desenvolvimento e prejudicam até mesmo a saúde da população. Falta saneamento, faltam estradas, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.
Além desses desafios inerentes à indústria da construção, existem no país questões macroeconômicas que precisam ser solucionadas, como as altas taxas de juros, a baixa taxa de investimento e a elevada carga tributária. Somam-se a essas questões a intensa burocracia que atravanca a iniciativa privada e as obras públicas e, ainda, a forte competição do mercado, que o torna predador em algumas situações.
Em relação à mão de obra, os obstáculos também não deixam por menos. O seu elevado custo é um sério dificultador do desenvolvimento e precisa ser combatido. Um estudo da Câmara da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIC-Fiemg) aponta que a carga trabalhista na cadeia produtiva da construção mineira chega a 121,76%. Essa oneração da folha de salários é ainda maior quando se consideram os benefícios das convenções coletivas de trabalho, como cesta básica, café da manhã, seguro de vida e outros.
Ainda no que se refere à mão de obra, todos os setores da economia têm enfrentado o mesmo gargalo: a dificuldade de encontrar profissionais qualificados. Na construção, isso não é diferente. Neste caso, é resultado dos baixos crescimentos e até retração das atividades por quase duas décadas, o que provocou uma migração de pessoal preparado para outros segmentos.
Outro desafio que o setor vem enfrentando, mas tem se saído bem, apesar de ainda não ter alcançado a excelência, principalmente nas pequenas e médias empresas, é a inovação tecnológica.
Inicialmente de natureza artesanal, não faz tanto tempo assim que a construção civil vem se industrializando no Brasil. Expandir o que as grandes construtoras vêm conseguindo aplicar em seus canteiros para todo o segmento é uma urgente necessidade.
A sustentabilidade é outra prioridade para o setor. Podemos até dizer que ela é a “pauta do dia”. Conceber, projetar e executar empreendimentos sustentáveis com todos os pilares que esse novo conceito envolve – ambiental, econômico e social – não é tarefa das mais fáceis para um setor composto majoritariamente por pequenas organizações.
No que diz respeito ao espaço urbano, a pouca disponibilidade de terrenos nas grandes cidades e o elevado custo deles é outro fator impactante para o segmento construtor e para a sociedade. O êxodo das empresas dos grandes centros para regiões com maior viabilidade de construção esbarra nas condições básicas de infraestrutura, como dificuldades viárias e de acesso à água e esgoto tratados.
Não se pode esquecer da necessidade de novas fontes de recursos para o financiamento de moradias além da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O mercado secundário precisa receber mais estímulo, assim como ocorre em vários outros países. Ainda em relação ao crédito imobiliário, é preciso aumentar sua participação no volume total de crédito do país para que o Brasil consiga responder à alta demanda habitacional.
Sim, os desafios são muitos. E não foram todos aqui citados. Isso significa que não podemos relaxar. E, mesmo diante de tanto otimismo com o crescimento do setor, temos que nos manter alertas para não perdermos as oportunidades que aí estão: reais, factíveis e ao alcance de todos.
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