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Momento de acomodação

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Muito tem se falado que o mercado imobiliário nacional está começando a se acomodar depois de um tempo de expressivas altas. Em Belo Horizonte, os últimos resultados da pesquisa %u201CConstrução e comercialização%u201D, realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG), traçam exatamente esse panorama. A análise dos resultados acumulados nos primeiros sete meses do ano demonstra que o mercado imobiliário da capital voltou aos patamares de 2008 no que se refere às vendas e lançamentos. A comparação de janeiro a julho de 2011 com igual período de 2010 demonstra queda de 30,55% nas vendas e de 31,01% nos lançamentos. Essa redução certamente se deu em função da significativa queda na comercialização e nos lançamentos de apartamentos de R$ 100 mil a R$ 250 mil. Apesar dessa queda, as vendas de imóveis nas faixas de valores de R$ 250.001 até R$ 500 mil e acima desse valor aumentaram 9,63% e 21,69%, respectivamente. Também os lançamentos nessas mesmas faixas de valores aumentaram 40,80% e 16,05%. Particularmente em julho, a comercialização de apartamentos novos na capital não sustentou os mesmos patamares dos dois meses anteriores, quando estiveram em alta. A queda foi de cerca de 60%. O mesmo foi observado nas vendas de unidades de maior valor, que, até então, estavam registrando altas. Mas julho é mesmo um mês onde se espera um menor ritmo do mercado imobiliário, por ser um período de férias. Porém, mesmo considerando essa sazonalidade, o tamanho da redução nas vendas surpreendeu. Uma das justificativas pode ter sido a piora do cenário internacional, o que pode ter levado possíveis candidatos à compra de imóveis a agir com mais cautela. Deve-se ainda lembrar que naquele mês ocorreu a maior apreensão da economia mundial em relação à elevação do teto da dívida norte-americana, o que contribuiu para aumentar as incertezas na economia. Essa justificativa ganha força principalmente quando se observa a queda de vendas até mesmo nos imóveis mais caros, ao contrário do que se observava nos meses anteriores. A despeito da redução na comercialização de apartamentos, os lançamentos aumentaram, passando de 43 unidades em junho para 177 em julho, ou seja, um crescimento de 311,63%. Apesar de o resultado ser positivo, o baixo volume de lançamentos observado em junho justifica o maior incremento no mês posterior. Mesmo assim, é importante destacar que o crescimento nos lançamentos sempre indica que os empresários do setor continuam confiantes em relação ao desempenho de suas atividades. Esse movimento de acomodação no mercado imobiliário também tem sido observado em outras capitais do país que realizam pesquisas mensais, como Porto Alegre e São Paulo. Na avaliação geral, deve-se considerar que os resultados até julho ainda não contemplaram a redução das taxas de juros realizada pelo Copom no fim de agosto. Essa redução sempre traz perspectivas positivas para a economia, principalmente para os segmentos produtivos. Destaca-se, ainda, que as expectativas para o mercado imobiliário permanecem positivas: a continuidade do incremento do crédito imobiliário, a geração de vagas formais e as baixas taxas de desemprego no país sinalizam que o ambiente continua satisfatório para o crescimento das atividades do segmento. Aliás, esta também tem sido a tônica das análises de outras capitais.

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