O rápido e vertiginoso crescimento da construção civil no país trouxe consigo uma enorme expansão do emprego no setor. Para ter ideia dessa nova dimensão, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu mais de 120%, saltando de 1,119 milhão em 2004 para 2,509 milhões. Um aumento surpreendente para a década passada, tendo em vista que o segmento vinha experimentando patamares tímidos e até negativos nos anos anteriores.
Também a evolução tecnológica dos sistemas construtivos e a industrialização do processo produtivo trouxeram uma nova demanda no tipo de trabalhador. Ele agora tem que ser mais qualificado. O problema é que a corrida pela qualificação não se deu na mesma proporção do incremento da necessidade por mão de obra. E a escassez desse tipo de profissional, tão comentada atualmente, resultou no acréscimo real dos seus vencimentos. Por sua vez, esse aumento tem onerado os custos da construção, e estes podem impactar o preço final do imóvel.
No Brasil e em Belo Horizonte, a mão de obra representa cerca de 50% do custo da construção, medido pelo Custo Unitário Básico por metro quadrado (CUB/m²). É relevante destacar que o CUB é um importante indicador do setor, pois é por meio dele que se chega aos custos básicos dos mais variados empreendimentos. Ele também possibilita o acompanhamento da evolução desses custos ao longo do tempo. Além de medir o custo da mão de obra, o CUB calcula os custos dos insumos, das despesas administrativas e do aluguel de equipamentos aplicados em um empreendimento. Portanto, ele é variável fundamental para que os empresários estabeleçam o preço final do imóvel.
De janeiro a agosto deste ano, o CUB Brasil registrou alta de 6,08%, sendo que o CUB mão de obra cresceu 10,22% e o CUB materiais aumentou 1,84%. Já na capital mineira, o CUB global e os materiais tiveram incremento de 1,92% e 3,49%, respectivamente, e a mão de obra não registrou variação ainda porque a data base da categoria ainda não chegou.
Deve-se deixar claro que nem sempre a elevação do CUB impacta no preço da unidade imobiliária. A relação preço e custo, nesse caso, não é tão direta assim. Depende da dinâmica do mercado, ou seja, da oferta e da procura. O recente aumento ocorrido nos preços dos imóveis tem esta justificativa: eles estavam represados nos anos em que o segmento imobiliário estava estagnado e, aos poucos, desde a retomada do crescimento do setor, eles foram valorizados.
Portanto, essa valorização é resultado de uma conjunção de fatores: aumento da demanda; oferta em baixa, apesar do incremento dos lançamentos, que ainda não conseguiram suprir essa elevação da procura; encarecimento dos custos dos terrenos e alta de todos os outros custos do setor, especialmente mão de obra.
Em Belo Horizonte, por exemplo, esse custo deve se elevar ainda mais até o início de 2012, pois, até o fim deste ano, haverá reajuste salarial dos funcionários do setor, que já se encontram em negociação. Isso poderá refletir em pressão nos preços dos imóveis, arrefecendo os ânimos dos investidores e dificultando o acesso de milhares de famílias à casa própria.
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