Nada melhor do que começar o ano falando em perspectivas. Falaremos então do que esperamos para a construção civil com o fechamento dos números oficiais de 2011 %u2013 que deverá registrar incremento de 4% a 5% %u2013 e as expectativas para os próximos anos. Especialistas afirmam que as atividades do setor neste ano que se inicia devem continuar com seu ciclo virtuoso de crescimento e a expansão deverá ficar também na casa de 5%. O mesmo poderá ocorrer nos próximos anos.
As justificativas para esse otimismo são várias e podemos destacar, por exemplo, o aumento do financiamento imobiliário, que contribui para incrementar as atividades do setor. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta que o crédito para imóveis, que hoje representa cerca de 5% do Produto Interno Bruto nacional, saltará para 11% do PIB em 2014.
A nova fase do Programa minha casa, minha vida prevê a construção de dois milhões de moradias até 2014, indicando que a política habitacional continuará na agenda de prioridades, e os investimentos públicos, principalmente via Programa de Aceleração do Crescimento, que são de R$ 955 bilhões entre 2011 e 2014, também servirão para impulsionar o dinamismo do setor e da economia nacional.
Sem falar que existe uma evidente necessidade de melhorar e ampliar o saneamento básico e as rodovias, além das obras necessárias para os eventos esportivos internacionais que serão sediados no Brasil (Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016).
A despeito do que representa a crise internacional para muitos países, as obras do segmento imobiliário, em função da forte demanda reprimida das últimas décadas, bem como a construção industrial e comercial advindas de investimentos privados, devem manter o seu ritmo de expansão. Isso porque o Brasil venceu as turbulências de 2008 com determinação e instrumentos adequados e parece que, atualmente, caminha na mesma direção.
As robustas reservas internacionais, o sólido sistema financeiro, sem bolhas de crédito, o forte mercado doméstico, a liquidez das contas nacionais e as altas taxas de juros são alguns fatores que conferem certa tranquilidade ao país. Assim, o cenário macroeconômico nacional sinaliza positivamente para a expansão das atividades setoriais.
É importante destacar que a construção civil, por suas características naturais %u2013 extensa cadeia produtiva (8,1% do PIB), imensa capacidade de absorção de mão de obra e extraordinária capacidade de gerar renda %u2013, influencia eminentemente o desenvolvimento da economia interna. Deve-se considerar que o setor também contribui muito para promover a qualidade de vida da população. Além disso, um segmento que tem mais de 160 mil estabelecimentos formais em todo o Brasil, mais de 2,8 milhões de trabalhadores com carteira de trabalho assinada e é responsável por expressiva parcela dos investimentos nacionais, não poderia deixar de ocupar um papel de destaque na agenda nacional.
Sem sombra de dúvida, hoje a construção é a grande protagonista do desenvolvimento do Brasil e assim deve continuar sendo. Afinal, os fundamentos do seu atual ciclo de crescimento são sólidos: marco regulatório adequado, crescimento da renda, geração de emprego formal na economia e incremento significativo e saudável do crédito imobiliário. Além disso, um país, para se desenvolver, precisa construir suas bases físicas, e todas elas passam, necessariamente, pela construção civil. Isso significa que o setor é responsável por materializar as bases do desenvolvimento nacional por meio de construção de indústrias, rodovias, hidrelétricas, moradias, hospitais e escolas, entre outros.