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O setor vai bem

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O mercado imobiliário de Belo Horizonte começa a experimentar uma certa acomodação nas vendas e lançamentos. O que, desde já, ressalta-se, não significa retração. Isso porque 2009 e 2010 registraram resultados recordes, advindos da enorme expansão do crédito imobiliário, do emprego formal e do programa Minha casa, minha vida, o que influenciou os números de 2011, jogando-os para baixo. Isso, diga-se de passagem, já era esperado pelo setor.

De janeiro a outubro do ano passado, as quedas nas vendas e lançamentos de apartamentos na capital foram mais de 40%, em comparação ao mesmo período de 2010. Inicialmente o número choca. Mas quando se avaliam os elevados patamares dos indicadores do segmento em 2009 e no ano seguinte e a média histórica da Pesquisa Construção e Comercialização da Fundação Ipead/UFMG, entende-se melhor o cenário e conclui-se que o mercado imobiliário continua em alta. Vamos aos números:

Em média, as vendas de apartamentos novos no período janeiro a outubro, considerando os anos de 1995 a 2008, foram de 2.581 unidades, enquanto no período 2009-2010 essa média foi 103,68% maior, alcançando 5.257 unidades. Já as vendas dos primeiros 10 meses de 2011 chegaram a 2.983, número 15,58% maior do que a média do período 1995 a 2008. Se considerarmos a média de 1995 a 2010 (2.916 unidades), isto é, incluindo os números recordes de 2009 e 2010, as vendas nos primeiros 10 meses de 2011 também ficam superiores.

Os lançamentos também aumentaram expressivamente em 2009 e 2010, passando de 2.285 unidades na média 1995-2008 para 4.434 unidades, ou seja, crescimento de 94% nesta base de comparação. Já a média do período de 1995 a 2010 foi de 2.553 apartamentos lançados. E, somente em 2011, os lançamentos chegaram a 2.799 imóveis, o que significa aumento de 9,64% em relação à média histórica.

Portanto, apesar da redução das vendas e dos lançamentos nos primeiros 10 meses de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, esses indicadores encontram-se em patamares superiores à média histórica. Isso sinaliza que o mercado vivenciou, no ano passado, um momento de retomada do seu desempenho.

O que ajuda a explicar os resultados menores de 2011 foi a queda acentuada nas vendas e nos lançamentos de imóveis com menor valor. Para os apartamentos de R$ 100 mil a R$ 250 mil, a redução das vendas foi de 74,20% no período janeiro-outubro/11 em relação a igual período do ano anterior. Assim, enquanto 2.508 unidades foram comercializadas nessa faixa de valor nos primeiros 10 meses de 2010, em 2011 foram 647 unidades. Já as unidades lançadas com valores menores caíram 73,71%, ao passarem de 2.617 em 2010 para 688 no ano passado.

Outro fator que ajuda a compreender os menores lançamentos é o aumento dos preços dos terrenos em função da escassez de espaços livres para construir na capital.

Sem dúvidas, o Minha casa, minha vida contribui para explicar este quadro. Em 2011, as contratações do programa só começaram em outubro. Já sua primeira fase (2009-2010) contratou em Belo Horizonte 7.326 unidades. Certamente, esse número elevou as vendas e lançamentos nos dois anos recordes.

Nesse cenário, as perspectivas continuam positivas, indicando que o mercado imobiliário caminha para um crescimento mais sustentável, após o incremento significativo dos últimos anos. Assim, a acomodação em 2011 é natural. Entre os fatores que delineiam esse horizonte otimista estão a continuidade da expansão do crédito imobiliário, a aceleração das contratações do PMCMV 2, emprego formal e renda em alta, economia crescendo, apesar de em ritmo menor, aumento demográfico, o déficit habitacional ainda elevado e, por fim, nada indica que o país vivenciará um processo recessivo e, ainda, temos indicações de que, mais uma vez, enfrentaremos bem a atual crise internacional.

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