Na última coluna, falamos das perspectivas para o mercado imobiliário de Belo Horizonte de forma positiva. Dissemos que, depois de dois anos de resultados recordes, 2011 foi um ano de ajustes e que, a partir de agora, o setor caminhará de forma mais sustentável rumo ao crescimento. No texto, justificamos nossa posição com números comparativos e argumentos.
Hoje, falaremos dos desafios para a perenidade do ciclo de crescimento do setor no Brasil. Espera-se que ele consiga manter o ritmo de expansão na casa dos 4,5% a 5% nos próximos anos. Atualmente, a construção civil trabalha em um patamar impossível de ser pensado 10 anos atrás. O setor vivencia novos tempos, mas tem desafios.
Encontrar novas fontes para o financiamento imobiliário é um deles. Não se deve desconsiderar a preocupação com a insuficiência de recursos das fontes atuais (poupança e FGTS). Novos mecanismos precisam de mais estímulos, como a securitização de recebíveis imobiliários.
O aumento da produtividade, via incentivo à inovação tecnológica e ampliação da qualificação profissional, é outro desafio do segmento. Em relação à qualificação da mão de obra, sempre é bom ressaltar que ela é reflexo da estagnação e do tímido crescimento do setor por cerca de duas décadas. Além disso, deve-se ressaltar que esse desafio adquire uma magnitude ainda maior diante da recente industrialização do processo construtivo. Mas merecem destaque os investimentos, especialmente das construtoras, em programas de capacitação por meio dos cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), nos próprios canteiros de obras e em parceria com universidades.
Os altos custos dos terrenos e a escassez deles nos grandes centros, bem como os custos pressionados, principalmente em função do aumento do custo com a mão de obra, também representam entraves ao setor. Nesse último caso, é preciso destacar os encargos trabalhistas. Estudo realizado pelo Sinduscon-MG demonstra que, em média, os encargos previdenciários e trabalhistas, mais os benefícios estabelecidos pela Convenção Coletiva de Trabalho, totalizam quase 200%, o que eleva muito o custo com a mão de obra do segmento.
A burocracia no licenciamento de empreendimentos continua a atrasar o desenvolvimento dos projetos e a geração de empregos. A infraestrutura precária é outra chaga que precisa ser fechada. Ela também atrasa o crescimento do país e, simultaneamente, o da construção civil.
Especificamente em relação à outra chaga social que o Brasil carrega – o enorme déficit habitacional –, o programa Minha casa, minha vida é um alento. Porém, a baixa atratividade para operações que atendem às famílias mais necessitadas e a maior camada da população (de até três salários mínimos) é um desestímulo para as construtoras. E mais, a segunda fase do programa demorou para ser aprovada e ainda não deslanchou.
Temos também os juros altos, que inibem os setores produtivos, e a baixa taxa de investimento. No Brasil, ela correspondeu a 20% no terceiro trimestre de 2011, número baixo, se comparado a outras economias emergentes. E não se pode esquecer a ausência das reformas administrativa, política, previdenciária e tributária, essenciais para destravar o crescimento nacional.
Todos esses desafios já foram apresentados aqui, neste mesmo espaço, em 15 de agosto de 2010. Como se vê, apesar de eles ainda não terem sido solucionados, a construção civil tem encontrado espaço para se desenvolver. Imagine, então, se pelo menos parte dessas dificuldades forem ultrapassadas. O setor iria acelerar ainda mais a locomotiva que puxa o crescimento do Brasil.