O balanço do mercado de apartamentos novos em Belo Horizonte, de 2011, fechado recentemente pelo Sinduscon-MG e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da UFMG (Ipead/UFMG), revela que, depois de dois anos de recorde nos resultados, o segmento imobiliário começa a se acomodar, caminhando para um crescimento mais sustentável, tendência que já vinha sendo verificada desde o primeiro semestre do ano passado. Como elementos que contribuíram para a menor performance de 2011 destacam-se a base de comparação bastante elevada (anos de 2009 e 2010), a redução do ritmo da atividade do país e o ambiente econômico, delineado pelo crescimento da inflação e da taxa de juros e, especialmente, a demora na aprovação da segunda fase do programa Minha casa, minha vida. Esse último elemento foi determinante nos números das vendas registrados no ano passado. Isso porque as contratações das unidades do programa federal na capital mineira não deslancharam em 2011, enquanto nos anos de 2009 e 2010 somaram 7.326 unidades.
Outro dado relevante a se destacar, apurado pela pesquisa do Ipead, é a comercialização de imóveis na faixa de R$ 250 mil a R$ 500 mil, que registrou incremento de 0,89%, indicando, assim, relativa estabilidade em relação ao ano imediatamente anterior (2010). Certamente, a continuidade da expansão do financiamento imobiliário contribuiu para esse resultado. Aliás, destaca-se que, em 2011, essa foi a faixa de valores que apresentou o maior número de unidades vendidas.
A confiança dos compradores de imóveis nas atividades do mercado imobiliário também foi demonstrada pelo levantamento do Ipead/UFMG, por meio dos números da comercialização de apartamentos por estágio do empreendimento. Dos 3.726 imóveis vendidos, 2.925, ou seja, 78,50% do total, estavam na planta. Outras 684 unidades (18,36% do total das vendas) estavam em construção e somente 117 (3,14% do total) encontravam-se acabadas. Esses números revelam, inclusive, que o mercado imobiliário continuará demonstrando dinamismo, pois o tempo de construção é longo (24 meses em média).
A nosso ver, o segmento imobiliário permanece ativo e as perspectivas continuam promissoras. O Brasil deverá continuar gerando emprego formal e o crédito imobiliário continuará expandindo. O país, certamente, precisa disso.