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Polêmica nas metrópoles

"As casas das famílias de classe média e alta nos arredores das cidades são maiores e gastam mais energia"

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Em visita recente ao Brasil para um evento internacional de arquitetura no Rio de Janeiro, o professor e diretor do Centro de Pesquisas e Assessoria em Políticas Públicas da Universidade Harvard, o economista americano Edward Glaeser, veio trazer polêmica para os debates. Entusiasta das metrópoles, ele defende pontos de vista que, em um primeiro momento, causam perplexidade. Mas, em um uma leitura mais profunda, fazem sentido. Ou pelo menos instigam o pensar. Vamos a eles. Glaeser sai em defesa dos arranha-céus e diz que quanto mais altos, melhor. É melhor para os preços dos imóveis, que acabam ficando menores porque a oferta de unidades aumenta. E é melhor para o meio ambiente na medida em que concentram as pessoas, diminuindo seus deslocamentos de casa para o trabalho, o que propicia menor emissão de carbono e poluição. Outro aspecto, ele destaca, é que as casas das famílias de classe média e alta nos arredores das cidades são maiores e gastam mais energia. Segundo o economista, o consumo de energia de uma casa americana afastada da metrópole é, em média, 88% maior do que um apartamento na grande cidade. Portanto, não adianta plantar árvores nos jardins se o impacto ambiental da locomoção é enorme. Glaeser afirma ainda que o excesso de restrições às construções nas metrópoles as torna insustentáveis. Primeiro porque as restrições levam o crescimento das cidades para os lados, e não para cima, aumentando o uso dos automóveis e, por consequência, a poluição. Segundo, porque, quando o poder público impõe entraves à atividade imobiliária, como a limitação da altura das edificações e a proibição da demolição de prédios ditos históricos, acaba por reduzir a oferta de imóveis, aumentando seus preços. Segundo o professor, as diferenças dos preços dos imóveis nos Estados Unidos não são tão grandes em cidades com regras mais liberais, como Chicago e Dallas. Já onde as leis são restritivas isso ocorre. É o caso, ele cita, de São Francisco e Nova York. Segundo ele, Mumbai, na Índia, é uma das cidades onde há maiores restrições para as construções, e lá é onde se tem um dos metros quadrados de aluguel e compra mais caros do mundo. De acordo com Glaeser, que já estudou quase todas as metrópoles do mundo, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro, sempre se fundamentando em cálculos e estatísticas, é nas grandes cidades que está o futuro da espécie humana. Ele afirma que as grandes aglomerações permitem a convivência de um maior número de pessoas, a troca de experiências e know-how entre elas e a prosperidade. Isso porque a disseminação do conhecimento aumenta as chances de elevação da renda, que movimenta a economia e amplia as possibilidades de suas populações terem mais acesso ao que há de mais avançado em todas as áreas essenciais para a sobrevivência. Segundo ele, os países com uma urbanização acima de 50% têm mais renda, melhor desenvolvimento humano e menor índice de mortalidade infantil do que os países com urbanização menor que 50%. Ele aponta também que pesquisas comprovam que a produtividade das pessoas que moram em cidades com mais de 1 milhão de habitantes é 50% maior do que as que vivem em municípios pequenos e na zona rural. Em relação às favelas, o economista concorda que elas são resultado da falta de planejamento urbano, e tenta derrubar o mito de que os grandes centros tornam as pessoas mais pobres. Para ele, não há futuro na pobreza rural e, por isso, os mais pobres ocupam as metrópoles em busca de melhores oportunidades. Em seus estudos, Glaeser mostra que os menos abastados que vivem nas maiores cidades americanas ganham, em média, 30% a mais do que aqueles que moram no interior. Em linhas gerais, na opinião do professor, o que mantém o dinamismo das grandes cidades é o seu capital humano, gerador de inovações e riquezas. Os interessados no tema podem buscar as teses defendidas por Glaeser no best-seller de sua autoria Os centros urbanos: a maior invenção da humanidade, onde ele também debate os desafios das metrópoles, como segurança, transporte e poluição ambiental.

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