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Mercado imobiliário » O que a mão de obra representa para a construção civil

Jorge Luiz Oliveira de Almeida - Especial para o Estado de Minas

Publicação: 26/08/2012 11:56 Atualização:

Sim! A carência de mão de obra qualificada é um sério problema que vem afetando vários segmentos da economia nacional. Na construção civil, isso até parece jargão para justificar, por exemplo, os atrasos nas entregas de algumas obras. Mas é a pura verdade. A gravidade dessa questão pode ser medida em números: exatamente 75,80% dos empresários da construção entrevistados pela Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais, realizada no período de 1º a 18 de julho, pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Sinduscon-MG, apontaram a “falta de trabalhador qualificado” como o principal problema enfrentado por suas empresas.

O reflexo desse grande problema é justamente a queda da produtividade nas obras. Ela pode ser medida pela prática do dia a dia nos canteiros. Nosso colega construtor e presidente da Câmara da Indústria da Construção da Fiemg, Teodomiro Diniz Camargos, disse em entrevista recente que há poucos anos, na empresa dele, um pedreiro executava cerca de 30 a 40 metros quadrados (m²) de piso por dia, e que hoje essa média cai para aproximadamente 15m².

No entanto, é importante ressaltar que essa redução na produtividade não é reflexo apenas da escassez da qualificação no setor, mas também do absenteísmo. Ou seja, com o mercado em alta, os trabalhadores mais capacitados são demandados também pela informalidade, isto é, para as reformas em casas e comércios de particulares e até mesmo nos famosos ‘puxadinhos’, ofertas de serviços que eles não recusam. Afinal, representam mais dinheiro no bolso. Isso significa que eles se ausentam do trabalho “oficial” – aquele que lhes dá carteira de trabalho assinada e seus benefícios –, não querem mais cumprir hora extra, tampouco trabalhar aos sábados, prejudicando assim o andamento da obra (leia-se produtividade). O mesmo construtor que citei acima afirmou que a falta ao trabalho em suas obras nas segundas-feiras chega hoje a 35%.

Se, por um lado, a falta da mão de obra representa um freio no ritmo das obras, por outro, ela força a busca por novos processos e sistemas construtivos. E a industrialização é a saída. No entanto, para industrializar, é preciso investimento, o que é intimidado pela alta carga tributária do país. Aliás, a elevada carga de impostos e encargos que incidem sobre o setor foi apontada como o segundo maior problema da construção por 42,40% dos empresários que responderam à mesma sondagem citada no início deste texto. E o alto custo da mão de obra foi citado como entrave por 27,30% dos respondentes.

Nada menos do que 193,8% é a carga de encargos previdenciários e trabalhistas e dos benefícios da convenção coletiva que incidem sobre o segmento. Fazendo as contas: em Belo Horizonte, o piso pago pela hora trabalhada em julho foi de R$ 4,72 e o custo desse trabalhador para o empresário foi de R$ 13,87/hora.

Outro dado que mostra a dimensão da elevação dos custos com a mão de obra é o salto que eles deram em dois anos. Em julho de 2010, a participação dos custos dos trabalhadores do setor no custo total da construção em Belo Horizonte era de 47%. Em julho deste ano, passou para cerca de 51%.

Apesar de todas essas dificuldades, a construção civil, que não dispõe de oferta de trabalhador qualificado, tem baixa produtividade, carece de industrialização e assume custos elevados, ainda consegue produzir com eficiência e puxar o crescimento do país. Com soluções para esses entraves, imagine o quanto ainda não podemos crescer.

*Diretor de comunicação do Sindicato da Indústria da Construção Civil nos Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG)
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