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Religiosidade em casa A fé é retratada na decoração em espaços de bem-estar e contemplação

Joana Gontijo - Lugar Certo

Publicação: 15/07/2011 13:57 Atualização:

De imagens de santos a locais de oração, ambientes com símbolos religiosos dentro de casa são cada vez mais comuns no Brasil. Na foto, ambiente de capela de Letícia Batista e Deusicléia Horta, na Morar Mais 2010 (Gustavo Xavier/Divulgação)
De imagens de santos a locais de oração, ambientes com símbolos religiosos dentro de casa são cada vez mais comuns no Brasil. Na foto, ambiente de capela de Letícia Batista e Deusicléia Horta, na Morar Mais 2010

A fé e a religiosidade inerentes à maioria das pessoas são retratadas na decoração da casa em espaços de paz e bem-estar. Representando a proximidade com Deus e os seres superiores, ligados à memória afetiva e formando um laço identitário, os símbolos de devoção são uma atração a parte e, casados com outros elementos, integram um lugar de destaque na composição dos ambientes. Dentro de uma rotina diária cada vez mais estressante, a representação do santo preferido, da Sagrada Família, do crucifixo, a Bíblia, oratórios e altares servem como um porto seguro e convidam a momentos de contemplação.

Por intermédio de um quadro, de uma imagem, de um rosário ou terço, do Divino Espírito Santo, feitos em vários materiais e tamanhos, a religião se insere no design de interiores em harmonia com o restante da ambientação, como frisa a designer de interiores e paisagista Letícia Batista. “Os símbolos religiosos são muito significativos para as pessoas. Eles estão ligados com histórias e vivências. Representam a presença de Deus, fé, proteção, consolo. A cruz é a referência mais forte da existência de Deus, apesar de se saber que Deus está vivo e não numa cruz. A Bíblia é a palavra viva de Deus. O rosário, o Santíssimo Sacramento são figuras de verdadeira expressão religiosa, que nos tocam incondicionalmente, pois é através deles que o ser humano expressa sua fé, usando o visível para falar e acreditar no invisível. É o ver sem enxergar”.

Para acertar na escolha dos espaços em que serão usados os símbolos religiosos, é preciso observar a qual finalidade eles se propõem, continua Letícia. Em áreas grandes, como em um sítio, costuma-se construir uma pequena capela ou um uma gruta para abrigar as imagens de santos, fazendo daquele lugar um canto de oração e reflexão. Há pessoas que ficam satisfeitas em colocar a imagem em uma mesa pequeno no quarto ou na sala. Outras optam por um espaço um pouco maior dentro da própria casa, que se torna um local de meditação, diz a designer. A atmosfera se transforma em paz e serenidade para orar, falar e escutar a voz de Deus.

“Entre as mais nobres atividades do espírito humano estão, com todo o direito, as belas artes, principalmente a arte religiosa e a sua melhor expressão, a arte sacra. Por sua própria natureza, espelham a infinita beleza de Deus a ser expressa de certa forma pelas obras humanas. A maioria das pessoas tem no ambiente da casa ou empresa uma imagem de santo ou santa, crucifixo, exemplar da Bíblia e até mesmo um altar de divindades. Na verdade, as pessoas gostam de ter um cantinho santo no ambiente ou um altar num ponto da sala ou quarto para que possam orar e meditar com tranquilidade. Sentem necessidade de uma ligação com os céus. Personalizar a casa com motivos religiosos, creio, é uma tendência crescente hoje em dia, em harmonia com os elementos que compõem a decoração, e com criatividade na escolha dos complementos”, afirma Letícia.

Como explica a designer de interiores Deusicléia Horta, o que define uma boa decoração é a harmonia entre os móveis e os objetos utilizados no ambiente. Para ela, os símbolos religiosos também se encaixam perfeitamente na casa, desde que usados de forma a não comprometer o restante do projeto. “Estes símbolos geralmente fazem referência a crença de cada um, embora alguns colecionadores possam ter objetos sacros sem necessariamente praticar uma religião. O crucifixo é o símbolo mais usado, seja em igrejas, residências ou repartições públicas. As imagens de Nossa Senhora, São Judas Tadeu, Santo Antônio e outros santos de devoção também são muito utilizadas”, pontua Deusicléia.

A designer diz que estes tipos de objetos devem ser usados preferencialmente no ambientes íntimos da casa, e indica o final do corredor que dá acesso aos quartos como um ótimo local para criar um espaço de devoção onde, com uma iluminação direcionada, é criado um cenário aconchegante e propício para a oração. “Um canto de devoção cria um clima de paz, tranquilidade, bem-estar, pois, além das imagens, podem ser colocadas flores, essências e velas”.

Deusicléia aponta como tendência usufruir dos ambientes religiosos também como locais para relaxamento, muitas vezes chamados de “espaço zen”, composto de futons, almofadas, uma poltrona para leitura e uma boa música (religiosa ou não), que criam as sensações perfeitas para orar, ou simplesmente descansar e refletir.

ESPAÇO

Na edição da mostra Morar Mais por Menos de 2010, em BH, Letícia e Deusicléia projetaram a Capela Santa Maria da Boa Esperança, ambiente eleito como o melhor do ano pelo público. O objetivo foi retratar a paz e a espiritualidade necessárias ao cotidiano das pessoas em um ambiente de tranquilidade. Ao elaborar o projeto, a ideia foi criar um ambiente convidativo à reflexão e também ressaltar a cultura e hábitos religiosos. O crucifixo pendente do teto, os pedestais que amparam as imagens e os castiçais em ferro oxidado, conferiram rusticidade à capela. A iluminação com focos direcionados serviu para destacar as peças e criar o cenário. As poltronas vermelhas foram colocadas para contrastar com as paredes violeta, vista como a cor da "inspiração espiritual". O artesanato mineiro foi valorizado através das flores de palha de milho e almofadas com bordados arraiolo. O piso com revestimento cimentício imitando tábua corrida foi complementado por um tapete de serragem colorida usado em procissões nas cidades históricas mineiras. O clima de acolhimento também se fez notar no que se refere à iluminação, com destaque para o varre teto com luz indireta e cruzada e o efeito da janela com lâmpadas no tom azul e película nos vidros, reproduzindo um vitral, lembrando o céu. A vela como elemento indispensável retrata a luz divina, a presença de Cristo, a aproximação com a espiritualidade. O aconchego ficou por conta da música, um canto gregoriano.

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