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Harmonia total » Música e decoração se unem para criar ambientes com personalidade e design arrojado Instrumentos contribuem para tornar cenário belo e exclusivo

Júnia Leticia - Estado de Minas

Publicação: 13/05/2012 12:50 Atualização: 14/05/2012 10:09

Dispostos na sala de estar ou colocados em um canto, equipamentos musicais podem ser usados de forma despojada (Eduardo Almeida/RA Studio)
Dispostos na sala de estar ou colocados em um canto, equipamentos musicais podem ser usados de forma despojada

Samba, rock, bolero e clássico. Independentemente do estilo, é quase impossível ficar indiferente à música e sua importância na vida das pessoas. Ela é responsável por sensações, sentimentos e lembranças, muitas vezes, marcantes. Para reproduzir a atmosfera dos sons, a arquitetura e o design de interiores utilizam símbolos musicais que podem tornar o ambiente mais bonito e moderno, além de dizer um pouco sobre a personalidade do morador.

A rebeldia do rock’n’roll é personalizada pela guitarra. O violino remete ao refinamento da música clássica. No samba, o pandeiro é associado à alegria e ao gingado proporcionado por esse ritmo. Do uso dos instrumentos propriamente ditos a recursos que fazem alusão a eles, como os práticos adesivos, há inúmeras possibilidades a serem exploradas. Para isso, basta escolher o símbolo que mais se adequa ao estilo do morador e ao que ele quer transmitir.

"Existem adornos e plotagem que podem traduzir na casa os gostos dos donos pela música" - Marina Dubal, arquiteta
A arquiteta Marina Dubal confirma que a decoração de um ambiente deve representar a personalidade dos moradores do imóvel. Isso vale para hobbies. “É interessante que o profissional incorpore isso na ambientação do espaço de maneira dinâmica. Ou seja, para aquele que aprecia tocar algum instrumento musical, por que não tê-lo ao alcance, em um canto da sala ou pendurado na parede, em destaque? Além disso, existem adornos e plotagem que podem traduzir na casa os gostos dos donos pela música”, indica.

A plotagem é um recurso apontado também pela arquiteta Patrícia Guerra. Mas objetos específicos têm seu lugar. “Na casa de um músico, por exemplo, ele deve, sim, ter seu instrumento musical como parte essencial da decoração, pois a música, com certeza, norteia o dia a dia do morador. Podemos expor uma guitarra, um disco de vinil na sala”, cita.
Conhecendo o perfil dos moradores, as associações entre a personalidade deles e a simbologia dos instrumentos podem, sim, ser feitas, conforme a arquiteta Cristina Morethson. “Cada pessoa tem sua preferência musical e isso se reflete diretamente em seu estilo de vida, bem como na decoração do ambiente em que vivem, podendo ser clássica (piano, violino, violoncelo), jovem e moderna (guitarra, violão, bateria) ou rústica e artesanal (tambores, instrumentos de percussão)”, exemplifica.

As sugestões da arquiteta são várias, passando da inserção dos aparelhos musicais no ambiente até o uso de detalhes com desenhos de instrumentos ou notas musicais. “Que podem estar em toalhas de mesa e de banho, colchas, almofadas, azulejos pintados, papéis de paredes, adesivos, plotagens, miniaturas e, por que não, em caixas de som instaladas no teto, levando a música a diversos ambientes da casa. Para todos os casos existem soluções que cabem no bolso”, diz Cristina.

Guitarra e violão podem substituir peças da decoração, valorizando o espaço e traduzindo um estilo de vida jovem e moderno (Eduardo Almeida/RA Studio)
Guitarra e violão podem substituir peças da decoração, valorizando o espaço e traduzindo um estilo de vida jovem e moderno
Uma das formas mais baratas e funcionais de associar os instrumentos à decoração é empregá-los de forma despojada, como indica Marina Dubal. Principalmente se o morador for músico. “Para isso, basta colocar o instrumento num suporte e dispô-lo no ambiente de forma que não prejudique a circulação. Além disso, o instrumento pode ser colocado em um nicho, fazendo as vezes de quadro. Os adesivos, baratos e de fácil colocação, também são um bom recurso para deixar o ambiente mais musical.”

Como exemplo de composição clássica, a arquiteta Roziane Faleiro menciona o uso de um piano de cauda em uma sala. “Essa composição sempre envolve os moradores e as pessoas que chegam. Logo, percebe-se que a casa é envolvida pela música e suas emoções. Já a casa de um roqueiro pode abrigar nas paredes as guitarras prediletas em substituição das obras de arte.”

Segundo o designer Ângelo Coelho, para guitarras e violões os suportes de paredes são muito práticos, porque possibilitam que os equipamentos decorem o espaço, ficando protegidos de arranhões e quebra. Podem ser fixados também em armários com portas de vidro, para que fique à mostra. “Outros podem ficar no chão, em um canto, ou sobre um tablado. Enfim, para cada objetivo deve ser estudada a melhor disposição, inclusive para limpeza e manutenção”, acrescenta.

Disposição adequada
Para assegurar a harmonia na decoração e garantir a segurança dos moradores, é preciso observar alguns cuidados na hora de fazer o projeto. Dica é avaliar a composição do cenário

A arquiteta Cristina Morethson e o designer Ângelo Coelho chamam a atenção para o uso exagerado de adornos e para o perigo de fios expostos dos instrumentos (Eduardo Almeida/RA Studio)
A arquiteta Cristina Morethson e o designer Ângelo Coelho chamam a atenção para o uso exagerado de adornos e para o perigo de fios expostos dos instrumentos
Na hora de colocar os instrumentos em exposição, todo cuidado é pouco. Afinal, além de manutenção, eles precisam de suportes seguros para que não sejam danificados, como alerta a arquiteta Juliana Goulart. Para isso, o mercado oferece opções de fixação que garantem a sustentação dos aparelhos.

Uma dessas alternativas são os displays com suportes de acrílico, que, de acordo com Juliana, organizam o ambiente e exercem a função decorativa. De qualquer forma, a solução encontrada para dispô-los no ambiente deve considerar seu manuseio, que deve ser feito de forma cautelosa. “Pois, além do peso, podem ser desafinados com o deslocamento. Dessa forma, deve-se levar em consideração a localização no leiaute proposto.”

É preciso se preocupar, ainda, com a segurança dos moradores a fim de evitar acidentes, especialmente em locais que têm crianças e idosos. “Para cada caso, é necessário estudar a melhor disposição dos equipamentos de forma segura e com prendedores ou encaixes de fixação”, indica Cristina Morethson.

Essas orientações podem e devem ser seguidas sem abandonar o uso da coerência na hora de decorar. Tomados os cuidados com a segurança e considerando que cada instrumento se relaciona com um estilo, que é reflexo da personalidade do morador, o restante dos itens da decoração deve seguir a mesma linha. “O violino e o piano são instrumentos musicais que demandam uma decoração mais clássica; a bateria, uma decoração mais contemporânea; o violão, uma decoração despojada. É claro que isso não é uma regra, porém, fugir muito dessa linha pode proporcionar um certo tipo de estranheza nas pessoas”, diz Marina Dubal.

Outro aspecto a ser considerado é o vínculo do morador com o instrumento, conforme Marina. Isso fará toda a diferença na ambientação. “Quando ele é usuário, o ideal é estar disponível, com fácil acesso, evitando locais que possam dificultar a limpeza da casa e do instrumento. Caso seja uma peça antiga ou sem uso, pode ser colocada em destaque, na parede ou em uma prateleira. Tudo vai depender do porte e da composição do projeto.”

Independentemente do estilo e do uso do instrumento, um item que, geralmente, faz a diferença para valorizá-los é a iluminação, quando usada adequadamente. A sugestão de Cristina Morethson é que o recurso seja utilizado de forma dirigida onde se quer focar. “E indireta, dimerizada ou automatizada no restante do ambiente, para torná-lo confortável.”

A arquiteta Juliana Goulart comenta que existem opções para a fixação dos aparelhos (Eduardo Almeida/RA Studio)
A arquiteta Juliana Goulart comenta que existem opções para a fixação dos aparelhos
De acordo com Patrícia Guerra, em ambientes que têm esse tipo de equipamento deve-se optar por alternativas de iluminação para criar uma cena no ambiente. “Lâmpada AR 70, que tem faixo de luz fechado, pode, por exemplo, estar posicionada sobre um piano e com as demais apagadas criar a cena de um espetáculo”, exemplifica a arquiteta.

A arquiteta Juliana Goulart ressalta a importância da iluminação, que, além de funcional, decora os ambientes, valorizando o projeto. Para que isso ocorra, é preciso definir o que será ressaltado. “O ideal é focar a iluminação explorando o tema: adesivos (parede), instrumentos, painéis e mobiliários”, sugere.

EXCESSOS

Definido o tema, ele deve ser abordado pontualmente, para que o espaço não fique poluído, como indica Juliana. “Dependendo da dimensão, é interessante o uso das paredes para liberar a circulação. A aplicação de cores também deve ser estudada, para não competir com o instrumento utilizado”, acrescenta.

O designer Ângelo Coelho chama a atenção para o uso exagerado dos adornos e para evitar que fios fiquem expostos. “Muita aglomeração de instrumentos, usá-los em locais inapropriados pode poluir o espaço.” Em ambientes com mais de um instrumento, outro cuidado a ser tomado é conseguir o equilíbrio ao empregá-los em um mesmo espaço. “Deve-se ter cuidado em privilegiar essas peças e não torná-las competitivas no ambiente”, considera Patrícia Guerra.

Tomados os devidos cuidados, Roziane Faleiro diz que um ambiente musical confere atmosfera agradável, na qual a sonoridade é tão importante quanto o próprio espaço. “Pontuar um ambiente com os instrumentos, com discos de vinil e uma radiola antiga, por exemplo, pode dar graça e charme ao ambiente sem poluir.”

Bom leiaute garante aconhego

Para quem quer valorizar o ambiente de sua casa e, de quebra, demonstrar todo o seu amor pela música, o segredo é unir esses critérios, como revela Cristina Morethson: “Boa acústica, iluminação adequada à utilização do ambiente, mobiliário acolhedor, cores representativas, fluidez do espaço são elementos importantes para essa decoração.”

O piano funciona bem se os donos da casa gostam de música clássica ou rock'n'roll (Eduardo Almeida/RA Studio)
O piano funciona bem se os donos da casa gostam de música clássica ou rock'n'roll
Ângelo Coelho diz que o que dá certo na elaboração do projeto que tenha a música como identidade marcante é saber utilizar os recursos disponíveis. “Da melhor forma e corretamente, conforme a utilização do espaço e equipamentos, proporcionando ambientes personalizados, conforme o desejado, alegres, sofisticados, ou despojados.”

Para isso, o designer indica a utilização de painéis de madeira laqueados e com suportes para fixar as guitarras e violões, que, segundo ele, possibilitam uma composição bonita e organizada. “Um tablado acarpetado enriquece o canto para a colocação da bateria. O piano de cauda fica de muito bom gosto em ambientes amplos com tapetes persas e cortinas de seda. Na sala de música, um aparador para servir petiscos e bebidas agrega descontração e conforto na hora de receber os amigos”, sugere Ângelo.

Mas, para que os ambientes fiquem aconchegantes, práticos e funcionais, pesando o mínimo possível no bolso, Cristina Morethson aconselha que seja executado um bom leiaute, em que os espaços sejam planejados e fluidos. “Usar móveis confortáveis e funcionais, tecidos macios e laváveis, painéis de madeira, papéis de parede, fibras naturais, iluminação dimerizada ou automatizada, não se esquecendo da acústica do ambiente. Existem muitas opções de materiais com preços variados que cabem no orçamento de qualquer pessoa.”

Soluções simples também ajudam a compor os espaços de maneira econômica. Para isso, a arquiteta Juliana Goulart sugere pintar a parede com cor e colocar um adesivo de uma letra de música, focando a iluminação. “Aplicar revestimentos do tema em almofadas, plotagens em painéis, usar nichos para exposição de coleções de discos e peças antigas e a aplicação de quadros nas paredes que abordam o tema são outras sugestões.”

INVESTIMENTO

Mas se mesmo com essas dicas você quiser recorrer à ajuda de um profissional, é bom saber que o valor do projeto pode ser combinado de três formas, como conta Ângelo Coelho. “Por metro quadrado, por preço fechado ou por ambiente. Para a mão de obra, vários fatores devem ser observados, como se no ambiente vai haver reforma, novos móveis, forro de gesso ou acústico, modificações no luminotécnico etc.”, diz. Para evitar surpresas, a sugestão do designer é optar pelo orçamento com preço fechado.

Juliana Goulart explica que o projeto pode ser de decoração ou arquitetônico. Nesse trabalho, pode ser compatibilizada a acústica. “Dessa forma, o valor depende da dimensão e da proposta e existe variação nos preços de equipamentos também”, diz. Para quem optar por soluções mais simples, como a aplicação de adesivos, a arquiteta conta que eles têm custo de R$ 20 a R$ 200, dependendo do tamanho.

Roziane Faleiro diz que um ambiente com discos de vinil confere atmosfera agradável  (Eduardo Almeida/RA Studio)
Roziane Faleiro diz que um ambiente com discos de vinil confere atmosfera agradável
Com relação ao projeto, para um quarto ser personalizado, o valor médio fica entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, incluindo pintura, iluminação pontual, aplicação de adesivo ou plotagem e adornos do tema, como indica Juliana. “Nesse valor não está incluída acústica e mobiliário”, ressalva.

Fique atento a alguns detalhes

- Painéis de madeira laqueados podem ser usados com suportes para fixar as guitarras e violões. Ficam bonitos e organizados.

- Um tablado acarpetado enriquece o canto para colocação da bateria.

- O piano de cauda fica de muito bom gosto em ambientes amplos com tapetes persas e cortinas de seda.

- Na sala de música, um aparador para servir petiscos e bebidas agrega descontração e conforto na hora de receber os amigos.

- Uma boa acústica, iluminação adequada à utilização do ambiente, mobiliário acolhedor, cores representativas e fluidez do espaço são elementos importantes para essa decoração.

- Estudar a melhor disposição dos equipamentos de forma segura, com prendedores ou encaixes de fixação, principalmente naqueles que ficarão dependurados em paredes ou armários, a fim de assegurar tranquilidade e evitar acidentes.

- Para aqueles que ficarem no chão ou tablado, o uso de suportes de pé são bem interessantes e podem ser travados com parafusos.

Fonte: Cristina Morethson, arquiteta; e Ângelo Coelho, designer

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