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Passado resgatado » Cobogós voltam com força total Eles são elementos que conferem descontração e beleza aos projetos. Além de darem nova roupagem à casa, são usados para o aproveitamento da ventilação e controle da luz natural

Joana Gontijo - Lugar Certo

Publicação: 27/05/2012 07:00 Atualização: 25/05/2012 15:08

Segundo o arquiteto e designer Cioli Cássius Stancioli, os cobogós têm origem secular (Eduardo Almeida/RA Studio)
Segundo o arquiteto e designer Cioli Cássius Stancioli, os cobogós têm origem secular

Assim como no universo da moda, a arquitetura também costuma resgatar a história para lançar tendências. Profissionais da área comumente se valem de referências do passado para dar uma nova roupagem para a casa, levando ao antigo uma visão contemporânea. Isso acontece com os cobogós, os elementos em tramas vazadas que tiveram o auge há algumas décadas e voltaram com força total, se transformando em estilo retrô-chic, com diferentes releituras. Eles podem ser usados em todos os ambientes, conferindo descontração e beleza aos projetos.

Veja mais fotos de cobogós


Segundo o arquiteto e designer Cioli Cássius Stancioli, os cobogós agem como componentes arquitetônicos, unindo baixo custo a um desempenho ambiental satisfatório. Estes elementos vazados têm origem secular, e surgiram através da influência dos mulçumanos, com os muxarabis, continua Cioli. “O cobogó foi patenteado em 1929 e teve seu uso iniciado quando os sócios de uma fábrica de tijolos, o mestre de obra português Amadeu Coimbra, o ferreiro alemão Ernest Boeckman e o engenheiro Antônio de Góis, os utilizaram para construir a caixa de água da Sé em Olinda, Pernambuco. O nome foi dado então de acordo com a junção das primeiras sílabas dos sobrenomes de seus criadores”.

"Tenho lançado mão destes elementos em composições diversas, para gerar ambientes interiores que tenham significados específicos" - Pedro Lázaro, arquiteto
Na arquitetura e no design de interiores, os cobogós podem ser usados para aproveitamento da ventilação e controle da luz natural, além de proteção solar, especialmente em regiões quentes e úmidas, afirma Cioli. “Além da grande funcionalidade, eles possuem enorme potencial plástico que favorece novas linguagens, usos e cores. Podem ser utilizados em fachadas, fechamento de áreas externas e internas e como elementos decorativos aliados às suas características funcionais, bem ao estilo modernista”, frisa o arquiteto.

A designer de interiores Sheila Mundim lembra que os tijolinhos vazados inicialmente eram feitos em cimento, mas, com o tempo, passaram a ser produzidos com outros materiais. “Atualmente, encontramos no mercado peças em cerâmica, vidro, porcelana, madeira, gesso, concreto e até mármore, granito e aço. Eles apresentam uma variedade de formatos com figuras geométricas, florais e, dependendo da necessidade, alguns fabricantes os desenvolvem, exclusivamente, sob encomenda”.

Popularizados no Brasil a partir da década de 50 com forte integração com a arquitetura modernista, os cobogós proporcionam a visão de dentro para fora, mas não o contrário, explica Sheila. “As tramas vazadas voltaram com novas paginações, e podem ser utilizadas em todos os ambientes, desde fachadas, salas e lavabos, dividindo ou delimitando espaços internos. Os cobogós possibilitam a circulação de ar e a iluminação natural, dando um ar descontraído ao espaço onde estiverem sendo utilizados”.

A designer de interiores Sheila Mundim lembra que os tijolinhos vazados inicialmente eram feitos em cimento, mas, com o tempo, passaram a ser produzidos com outros materiais (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A designer de interiores Sheila Mundim lembra que os tijolinhos vazados inicialmente eram feitos em cimento, mas, com o tempo, passaram a ser produzidos com outros materiais
Para o arquiteto Pedro Lázaro, as possibilidades de aplicação dos cobogós podem ser infinitas, no sentido que o seu conceito básico é flexível e atraente, como um elemento, considera, que se deixa penetrar com limites, gera texturas instigantes, redesenha a luz incidente no espaço interno, tornando-se, no mínimo, muito sedutor. “O seu uso até então tem sido privilégio das fachadas. Eu particularmente tenho lançado mão destes elementos em composições diversas, para gerar ambientes interiores que tenham significados específicos”.

Em relação à atmosfera que estas peças conferem, Pedro Lázaro considera como grande diferencial a possibilidade de deixar o espaço resguardado visualmente com circulação de ar constante, propiciando conforto e segurança, além de gerar ambientes texturizados internamente, não só pela superfície, mas também pela sombra rendada, dependendo da luz externa que incide sobre o cobogó. “A maior vantagem na minha opinião é que podemos, a partir de um elemento puramente arquitetônico, criar espaços mais amenos sem aplicação de elementos tipo cortinas, painéis e muitas vezes até ar condicionado, o que vem de encontro com posturas sustentáveis tão exigidas e debatidas não só na arquitetura, mas também em todos os segmentos produtivos”, ressalta o arquiteto.

UM ÁS NA MANGA

O arquiteto e urbanista do Studio Cobogó, Tiago Curioni, diz que as peças podem assumir diversas formas e cores, sempre agregando textura ao projeto, já que, quando visualizadas em conjunto, garantem uma trama interessante e principalmente, um ambiente ventilado e salubre. “Por sua beleza, os cobogós podem ser utilizados para esconder um canto não tão bonito da casa, como uma área de serviço. Além disso, o preço não é elevado, o que considero um trunfo”.

Elbert Viana Ferreira, da Art Moldados, diz que os cobogós dão um toque moderno à decoração (Eduardo Almeida/RA Studio)
Elbert Viana Ferreira, da Art Moldados, diz que os cobogós dão um toque moderno à decoração
Para Tiago, a aplicação dos cobogós é inteligente, acima de tudo, promovendo estética bem resolvida sem custar muito. “Eles ganham força com o atual movimento de nostalgia, como um elemento vintage em que dá graça a muitos projetos”. Recentemente, o arquiteto especificou uma divisória feita com cobogós no projeto de um estúdio de Pilates para fazer a separação da copa, integrados em um arquitetura mais industrial que revela os tijolos antigos e deixa os conduítes metálicos expostos. “Ao final da obra, os cobogós foram os elementos que mais chamaram atenção, empregando beleza e um ar nostálgico ao lugar. Este elemento é um verdadeiro 'ás na manga' dos arquitetos”.

Em Belo Horizonte, é possível encontrar várias fábricas e lojas que produzem cobogós em diferentes propostas. Entre peças de concreto e cerâmica em formas quadradas ou retangulares, de cores e tamanhos diversos, a Art Moldados oferece cobogós modernos e versáteis. Eles podem ter quatro ou 16 furos e atendem a um público eclético. Para o proprietário da empresa, Elbert Viana Ferreira, os tijolos vazados deixam o ambiente arejado e dão um toque de modernidade na decoração. “Eles podem ser usados em locais onde se queira favorecer a ventilação e a iluminação, como garagens, galpões ou halls, em fachadas inteiras ou em espaços internos como divisórias”.

MEMÓRIA

O arquiteto Tiago Curioni destaca que as peças ficam interessantes quando são visualizadas em conjunto e em ambiente ventilado (Tiago Curioni/Divulgação)
O arquiteto Tiago Curioni destaca que as peças ficam interessantes quando são visualizadas em conjunto e em ambiente ventilado
De acordo com o arquiteto Pedro Lázaro, o momento modernista brasileiro visava sobretudo produzir uma arquitetura que tivesse embutidos valores tradicionais da arquitetura nacional, mas com uma visão do futuro, novas tecnologias e conceitos estéticos adequados à época. Como explica, o cobogó se apresentou como uma solução que dava suporte conceitual a dois fundamentos desta arquitetura. O primeiro vem de encontro à necessidade de contextualização do objeto arquitetônico no espaço geográfico no qual se inseria, ou seja, a sua adequação às condições naturais do clima. Então, continua Pedro, estes elementos foram resgatados no sentido de permitir amenizar o excesso de luz solar e calor, mantendo a privacidade em função de suas diversas tramas vazadas.

E o segundo, frisa, era a valorização do conteúdo arquitetônico e decorativo tipicamente brasileiro, onde formas orgânicas (quase barrocas) se apresentavam com objetivo estético de composição das fachadas, gerando superfícies dramáticas, onde claros e escuros se reforçavam a partir da penetrabilidade comedida da luz natural. “Em um país como o Brasil , a utilização de grandes panos de vidro combinada com o excesso de sol pode acarretar alguns problemas, como o superaquecimento dos ambientes internos, além do desbotamento de tecidos e estragos em móveis e equipamentos. A procura de um meio-termo entre a parede totalmente fechada e os grandes janelões de vidro, os cobogós se apresentam como ótima solução ao barrar parte da luminosidade e ainda proporcionar uma bela composição estética”, completa Pedro Lázaro.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: santos souza
a materia vem em boa hora pois temos dificuldades em elaborar projetos paisagisticos que vai ao encontro de ventilação e iluminação. | Denuncie |

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