Com ritmo e harmonia, sem exageros, coleções ganham protagonismo na decoração da casa

Peças adquiridas ao longo da vida podem e devem ser exibidas sem brigar com a composição do espaço. Agrupá-las em ambientes adequados e bem iluminados é parte da receita para valorizar o acervo

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postado em 08/05/2017 14:41 / atualizado em 08/05/2017 15:17 Joana Gontijo /Lugar Certo
Uma coleção bem disposta, bonita, que exalte os objetos, no conjunto ou isolados, sempre chama a atenção. Projeto de Ana Yoshida - Sydnei Doll/Divulgação Uma coleção bem disposta, bonita, que exalte os objetos, no conjunto ou isolados, sempre chama a atenção. Projeto de Ana Yoshida

Colecionar sim, acumular não. Bonecos, canecas, pratos, quadros, carrinhos, miniaturas, toyart, fotos, pôsteres, animais, lembranças de viagens, heranças de família, e muito mais. Objetos que traduzem a carga afetiva do morador, itens que são o retrato de sua história, que se vestem de significado. E têm conjuntos para todos os gostos, dos mais comuns aos mais inusitados. Para os colecionadores, o primeiro passo é saber como distribui-los nos ambientes sem excessos, de forma a conversar com o restante da decoração com harmonia, e evitar a poluição visual. Agrupadas em peças de valor afetivo ou material, as coleções podem ser amigas da composição e não precisam ficar ocultas no quartinho da bagunça. Muito ao contrário – se bem dispostas pela casa, conforme o desejo do dono, ganham protagonismo, e não caem no perigo de parecer um acervo de bugigangas.

Um aspecto primordial a considerar, segundo a arquiteta Simone Rocha, é a escolha sobre o que expor e onde distribuir a coleção, em um lugar que tenha a ver com o ambiente em volta. “Xícaras caem bem em uma varada gourmet ou na cozinha, enquanto selos, moedas, livros, CDs e DVDs podem ser colocados no escritório, quartos ou salas de TV. Louças e cristais, por sua vez, ficam melhor na sala de jantar”, ensina. Depois, continua, é importante selecionar o que ficará visível no espaço. Uma coleção com centenas de itens, por exemplo, não cabe inteira dentro de casa, então o indicado é optar por mostrar as peças mais bonitas e interessantes e fugir, assim, do ar de desordem. “Nesta etapa é importante ter a capacidade de se desfazer daqueles itens que não possuam valor (sentimental, histórico ou financeiro), evitando um acúmulo desnecessário”, explica Simone.

Organizar os objetos por cor, tema, material ou tamanho é a dica da arquiteta Ana Yoshida para levar o observador a perceber uma coleção orientada, ritmada com a decoração - Sydnei Doll/Divulgação Organizar os objetos por cor, tema, material ou tamanho é a dica da arquiteta Ana Yoshida para levar o observador a perceber uma coleção orientada, ritmada com a decoração

Para a arquiteta, não há tanta regra quando se trata de objetos neutros, como quadros, obras de arte e adornos trazidos de viagem. “O ideal é identificar e aproveitar espaços de destaque na decoração que permitam valorizá-los. Adorno é o que vem para complementar. Se a pessoa entra na casa e vê coleção para todo lado, tem a sensação de estar num antiquário ou loja de enfeites”, alerta a profissional. O tipo de mobiliário também influencia na consonância entre a coleção e a proposta decorativa do cômodo onde será inserida. “Se os objetos são muito coloridos e os móveis também, fica tudo muito misturado, e não dá para enxergar a coleção. Acontece uma confusão visual e os adornos acabam passando despercebidos”, acrescenta. Simone esclarece que os móveis mais apropriados para acomodar as coleções são prateleiras, estantes com nichos e mesas de centro, sendo que a criatividade também conta muito até na criação de propostas inabituais e divertidas.

Objetos pequenos e em quantidade maior ficam melhor em móveis com portas de vidro, que possibilitem a visualização, mas também conservem a coleção contra poeira e desgastes do tempo. Se forem peças maiores e em menor número, podem estar em espaços abertos, desde que com limpeza frequente. Simone lembra ainda a importância de mesclar lugares ocupados e vazios. “Dispor os objetos em carrinhos de chá, baús e penteadeiras é outra ótima opção para dar charme e se destacar no cômodo. Na hora de definir o local, o importante é analisar a proporção entre os itens e o mobiliário, buscando não preencher totalmente os espaços e deixando áreas vazias, de respiro”, dá a dica.

Neste projeto de Simone Rocha, o morador coleciona pratos e demais produtos de louça - Henrique Queiroga/Divulgação Neste projeto de Simone Rocha, o morador coleciona pratos e demais produtos de louça

Pensar em como inserir a coleção no ambiente para valorizá-la é fundamental. A arquiteta Ana Yoshida frisa que é preciso encontrar alguma maneira de organização, seja por cor, tema, material ou tamanho. “A primeira impressão é a que fica. A pessoa deve bater o olho e perceber uma coleção orientada, bonita, que exalte os objetos, no conjunto ou isolados, mas sempre ritmados. A disposição dos itens colecionados no projeto deve alcançar um sentido visual. Se é uma composição mais rústica, ou mais contemporânea, seja na área gourmet, na churrasqueira, no quarto, no jardim, ou em um cantinho especial, a coleção deve ser abraçada pelo entorno, sem que gere uma sensação de estranhamento”. Também deve estar diretamente relacionada à paleta de cores do ambiente, continua Ana Yoshida, fazendo um link direto com quadros, demais adornos, utensílios, estampas e acabamentos. Para itens muito coloridos, é melhor a colocação em locais de tons neutros e pastéis, ilustra.

Expor os objetos em ambientes que tenham a ver com seu uso facilita a ambientação, propõe Simone Rocha. Paredes, carrinhos de chá, baús e penteadeiras, vale tudo para destacá-los. Na foto, conjunto de placas retrô - Henrique Queiroga/Divulgação Expor os objetos em ambientes que tenham a ver com seu uso facilita a ambientação, propõe Simone Rocha. Paredes, carrinhos de chá, baús e penteadeiras, vale tudo para destacá-los. Na foto, conjunto de placas retrô

De acordo com Ana, a altura do mobiliário é mais um fator a ser observado, pois mesas de centro e móveis mais baixos podem desvalorizar coleções de itens muito pequenos que acabam sumindo por estarem abaixo da linha do olhar, que fica mais ou menos a 1,5 metros. Uma ideia é acomodá-los em estantes estreitas que aproveitem a parte aérea da parede, exemplifica, ou em uma marcenaria sob medida. As peças grandes, como vasos e estátuas, podem ficar no chão mesmo, cuidando para não atrapalhar a circulação. Jarros de cristal, cita, ficam bem dispostos em mesas de centro ou de cabeceira, estantes ou cristaleiras.

ILUMINAÇÃO

“É fundamental perceber se o espaço não fica poluído com muita coisa”, conta a arquiteta. Móveis leves, com vidros e transparências também ajudam a ressaltar os objetos de estima para o morador. A iluminação é mais um aspecto a considerar – pontual, direta ou indireta, embutida ou não no mobiliário, com LED ou spots, ajuda a exaltar os conjuntos. Caso o acervo seja muito grande, uma boa solução é guardar parte das coleções e ir alternando os itens expostos periodicamente, de maneira a renovar sempre a decoração, e não deixá-la sobrecarregada.

Considerar a rotina da casa, para evitar que as peças virem alvo de acidentes, é o conselho de Fabiana Visacro. Algumas, como essa divertida coleção de Barbies, à esquerda,  podem ficar ao alcance dos olhos apenas da dona. Ao lado, uma coleção caríssima de carrinhos  exposta no quarto do cliente para que ele possa desfrutá-la  todos os dias, ao acordar e levantar - Osvaldo Castro/Divulgação Considerar a rotina da casa, para evitar que as peças virem alvo de acidentes, é o conselho de Fabiana Visacro. Algumas, como essa divertida coleção de Barbies, à esquerda, podem ficar ao alcance dos olhos apenas da dona. Ao lado, uma coleção caríssima de carrinhos exposta no quarto do cliente para que ele possa desfrutá-la todos os dias, ao acordar e levantar

Saber qual é a relação do morador com a coleção e o que ela significa é mais um aspecto primordial, afirma a designer de interiores Fabiana Visacro. Pode ser algo que o colecionador intenciona manter apenas na intimidade, sem que outras pessoas vejam. “Certa vez, fiz uma composição de bonecas Barbie no closet de uma cliente. É um lugar que ela vê todo dia, ao abri-lo, ao acordar e na hora de dormir. Uma coisa só para ela, que vem da infância”, cita. Para quem quer expor a coleção, Fabiana explica que não há nenhum lugar na casa que não possa recebê-la. O indicado é agrupar os objetos afins, sem espalhar pelo imóvel fora de contexto. “Juntos, os itens são realçados. É bom saber selecionar o que ficará exposto. Tem peças caríssimas que não podem ser deixadas em qualquer lugar. Vai de acordo com as preferências do morador”, acrescenta Fabiana.

RESPEITO À ROTINA

Das mais variadas possíveis, as coleções também devem respeitar a rotina e a movimentação da casa, com equilíbrio em relação ao uso dos ambientes, lembra a designer. “Se tem crianças ou animais de estimação, os objetos não podem estar em lugares acessíveis, em que eles possam mexer, com risco de quebrar”, diz. Colecionar, para Fabiana, é uma questão de sentimento e experiência de vida. “As pessoas querem ter em casa algo que faça sentido para elas. As coleções fazem vivenciar o lar como seu, com seu jeito e personalidade. É um laço afetivo que reforça a identidade do morador”, encerra.
No home office assinado por Fabiana Visacro, o conjunto de cadeiras de design miniaturas dá charme ao espaço - Osvaldo Castro/Divulgação No home office assinado por Fabiana Visacro, o conjunto de cadeiras de design miniaturas dá charme ao espaço
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