Sérgio Mol* Para uns, morar bem é ter uma casa própria; para outros, é ter condições básicas para viver em harmonia, como segurança e ruas asfaltadas e arborizadas. Para o joão-de-barro, que constrói uma casa de barro, sua moradia é perfeita. Modesta, mas atende às suas necessidades. Complicado escrever sobre morar bem sem remeter à violência ou ao antagonismo do modelo demográfico atual.
Nos bairros de classe alta, em que se encontram favelas próximas, o conceito de morar bem é um tanto distorcido, já que existe um choque de grupos sociais diferentes. O morador de uma favela, que na maioria das vezes invadiu o terreno e não paga impostos do imóvel, muitas vezes se sente privilegiado. Claro, sendo isento de taxas públicas e morando em ponto nobre da cidade, quem não acharia?
Porém, atravessando uma avenida, o dono da mansão desembolsa um valor altíssimo por ocupar o local que, segundo a prefeitura, é "valorizado". Mas será que os órgãos públicos descontaram do dono da mansão a violência existente naquele aglomerado, do outro lado da rua, onde vez ou outra há tiroteio e sua família pode ser atingida?
Morar bem depende de fatores externos essenciais. Vai da localização da moradia até o conforto dentro dela. Dizer que "a melhor casa é a da gente" seria um tanto contraditório em certos casos, como o de regiões dominadas pelo tráfico de drogas ou crime organizado. Balas passando sobre seu telhado, polícia correndo, bandido atirando. Morar bem é muito mais do que somente morar em algum lugar. É ter a segurança de que chegará ileso em casa. Do que adiantará sua casa sem você dentro, para ter momentos de descontração e descanso?
Se relacionarmos todos os bairros da capital mineira, não encontraremos com facilidade o lugar tido como ideal ou perfeito, visto que seria aquele em que a pessoa se sinta segura e tenha condições básicas de moradia. Para morar bem nos dias de hoje, a sua integridade física tem de estar acima de qualquer conforto ou cor de sofá.
*Professor de inglês e história
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