O hábito de se refugiar em condomínios fechados chegou a Belo Horizonte na década de 80, seguindo modelos estrangeiros de moradia. Mas, de acordo com o coordenador do Grupo de Pesquisa Sociabilidade e Capital Social da UFMG, o sociólogo Antônio Augusto Pereira Prates, nos últimos anos, a violência é o principal fator para a formação dessas comunidades segmentadas. Antes era por comodidade ou cópia de modelos estrangeiros. Agora, as pessoas buscam, em função da segurança, se fechar em espaços onde tudo pode ser controlado, analisa.
O sociólogo alerta que este tipo de movimento caracteriza uma ação individualista que não contribui para que a violência urbana seja combatida e minimizada. Isso só retarda uma solução coletiva para o problema, observa.
Outro fator negativo, na avaliação de Pereira Prates, é que a vida em comunidades fechadas priva as crianças do convívio com a heterogeneidade social. Uma das experiências mais ricas para a formação de um cidadão é conviver com as diferenças sociais e ideológicas.
Ele considera, entretanto, que a recente melhora na mobilidade social no Brasil tem proporcionado nas escolas de centros urbanos esse convívio. Já é comum ver o filho de um balconista de loja freqüentar o mesmo colégio que o filho de um médico ou empresário. O que é um alento, já que a opção por viver em condomínios é circunstancial, movida pelo medo da violência, e o aumento da mobilidade social indica que está havendo uma mudança estrutural no país, afirma.
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