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Sistemas construtivos Além de imprimir maior velocidade na obra, técnicas eliminam etapas, reduzem custo e o uso de mão-de-obra. Industrialização também garante a sustentabilidade do projeto

Publicação: 16/10/2008 19:52 Atualização:

Hélio Dourado, presidente da Premo, explica que os sistemas racionais agridem menos o meio ambiente (Eduardo Silveira/Divulgação)
Hélio Dourado, presidente da Premo, explica que os sistemas racionais agridem menos o meio ambiente
A industrialização na construção civil ganhou força com a necessidade de os empresários darem retorno ao investidor e gerar empreendimentos. Para Lincoln Raydan, gerente da regional mineira da Associação Brasileira de Cimentos Portland (ABCP), a construção civil foi o setor que mais captou recursos no mercado financeiro em 2007. "Com tantos empreendimentos ao mesmo tempo, surgiu a necessidade de sistemas construtivos mais rápidos, competitivos e eficazes. E a industrialização é a saída", defende.

Um exemplo e talvez até um ícone da industrialização é o uso de fôrmas para moldar paredes in loco. "É uma ótima técnica para construções em escala, de muitas unidades. E a mão-de-obra não precisa ter conhecimento tão aprofundado. Já existem prédios de até 20 pavimentos construídos com essa técnica, que concreta parede e laje de uma só vez, com toda a tubulação e fiação já pronta, evitando retrabalho", explica Lincoln.

Outra técnica de sucesso é o pré-moldado ou pré-fabricado. Como diz o nome, as paredes e lajes são pré-moldadas e depois montadas nos canteiros de obras. Os painéis são autoportantes, o que permite eliminar as etapas de moldar pilares, vigas e lajes, bem como a necessidade de armação. "É possível construir três ou quatro andares por semana com esse sistema, já que é bem racional e ágil".

A alvenaria estrutural em bloco de concreto é amplamente adotada. Utiliza blocos de concreto com forte resistência, vazados, permitindo que o prédio suba com toda a tubulação já pronta. "A escolha por um sistema ou outro varia de acordo com as características de cada projeto. Todos os sistemas são normatizados e passaram por ensaios acústicos, térmicos e de estanqueidade", afirma Lincoln. "Uma observação importante é que as paredes desses três sistemas são autoportantes. Sendo assim, não permite muitas mudanças. Não pode quebrar as paredes para fazer modificações sem consultar o construtor. Mas muitos projetistas, já sabendo dessa limitação, têm feito paredes não-portantes em locais em que as mudanças são mais comuns".

Usuária de sistemas construtivos industrializados desde seu início, a Premo Construções e Empreendimentos constrói em prazos enxutos. "Sistemas racionais permitem, além da velocidade da obra, custo atrativo e maior sustentabilidade. Há menos perdas, agressão ao meio ambiente, à vizinhança, menor emissão de gases poluentes em todas as etapas da construção, só para citar algumas", defende Hélio Dourado, presidente da empresa.

CANTEIRO ÁGIL Várias fases do processo são levadas para o canteiro de obra, gerando otimização. As peças são produzidas no próprio local para facilitar o manuseio. E contam com o suporte da fábrica, onde são feitas as peças mais complexas. "No canteiro são fabricadas aquelas em que há maior repetitividade de uso. Temos obras no Triângulo Mineiro, Goiás e Rio de Janeiro com peças sendo fabricadas em Belo Horizonte. Temos facilidade de atuar num raio de até 1 mil quilômetros da fábrica", detalha Hélio.

Fornecedores também estão se adaptando às novas exigências de otimização. A Gerdau, por exemplo, desenvolveu o sistema industrializado de corte e dobra de aço com o objetivo de atender as necessidades dos clientes de ter maior produtividade, maior qualidade e redução de desperdício nos canteiros de obras. "Nesse sistema, os vergalhões são cortados e dobrados de acordo com o projeto de cada obra. Hoje, a Gerdau conta com mais de 30 unidades especializadas nesse tipo de beneficiamento em todo o Brasil", revela o diretor de marketing de construção civil da Gerdau, Renato Bernardes.

Essas unidades cortam e dobram os vergalhões de forma a produzir colunas, treliças, sapatas ou telas, que são entregues prontos para uso. Os principais produtos desse sistema são telas soldadas, nervuradas, treliças e perfis estruturais. O primeiro são armaduras prontas para confecção de lajes em concreto armado. Elas podem reduzir em até 70% o tempo de confecção das armaduras. São utilizadas, por exemplo, em edifícios, galpões, piscinas e calçadas.

Já as treliças são armaduras que compõem sistemas de lajes que eliminam fôrmas de madeira na sua confecção, reduzem drasticamente a necessidade de escoramento, aumentam o vão livre e reduzem o custo final desses elementos. Os perfis estruturais são produzidos em aço de alta resistência mecânica. Podem ser adotados em praticamente todos os projetos que envolvam estruturas metálicas na construção civil e na indústria, como shopping centers, universidades, hospitais e pontes. Muitos desses sistemas chegam para substituir a confecção manual na obra.

Equipamentos também propiciam agilidade do trabalho nos canteiros. A EVG trouxe para o Brasil máquinas para produção de telas eletrossoldadas, para produção de treliças eletrossoldadas, para endireitamento, corte e dobra de aço para construção civil em bobinas ou barras e laminadores a frio.

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