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Uma volta por BH: Na trilha da valorização Região que surgiu ao longo do traçado das linhas de trens que cortavam Belo Horizonte chegou a ser chamada de bairro de ferroviários, por ser ocupada principalmente pelas famílias dos operários da Rede Ferroviária Federal

Publicação: 03/11/2008 19:48 Atualização:

Alguns casarões, como o da Escola Estadual Sandoval de Azevedo, mantêm charme original do bairro (D) (Gladyston Rodrigues/AOCUBO FILMES)
Alguns casarões, como o da Escola Estadual Sandoval de Azevedo, mantêm charme original do bairro (D)
Horto

Poucos bairros antigos de Belo Horizonte têm sua história tão ligada ao traçado da rede ferroviária quanto o Horto. Localizado na Região Leste, o local foi, por muitas décadas, chamado de bairro de ferroviários, numa referência clara à ocupação do território pelas famílias dos operários da Central do Brasil, mais tarde batizada de Rede Ferroviária Federal.

Também foram os negócios em torno da linha de trem que impulsionaram o desenvolvimento econômico do território. O nome oficial do bairro foi inspirado na Fazenda Horto Florestal, importante propriedade do governo estadual.

As construções mais antigas, onde moravam os ferroviários, praticamente não existem mais. No entanto, a região conserva o Estádio Raimundo Sampaio, mais conhecido como Independência, inaugurado para a Copa do Mundo de 1950. Situado a poucos minutos do Centro da cidade, o Horto foi rapidamente ocupado por novas famílias de operários.

O comércio foi se diversificando para atender as necessidades dos moradores e pessoas de bairros vizinhos. A concentração gradual de lojas de móveis transformou a Avenida Silviano Brandão numa espécie de shopping a céu aberto, onde o metro quadrado é valorizado e disputado por grandes lojistas, principalmente do segmento de móveis.

"Aqui não há praças, mas as grandes áreas verdes estão preservadas. A vida é mais tranqüila do que em outras regiões da cidade, o comércio é desenvolvido, tem bancos e escolas e há facilidade de acesso" - Ronilson da Silva Pires, empresário e morador

O empresário Ronilson da Silva Pires nasceu e cresceu no Horto. Para ele, o pequeno bairro foi perdendo território para a Sagrada Família, Santa Tereza e o Instituto Agronômico, mas mantém o prestígio no mercado imobiliário. Ronilson, que atua no ramo, destaca que o Horto tem poucos edifícios e muitas áreas ainda disponíveis para a construção.

Filho e neto de ferroviários, ele diz que a qualidade de vida é o principal atributo do bairro, que atrai, principalmente, pessoas interessadas em imóvel residencial. "Aqui não há praças, mas as grandes áreas verdes estão preservadas. A vida é mais tranqüila do que em outras regiões da cidade, o comércio é desenvolvido, tem bancos e escolas e há facilidade de acesso, seja pela estação do metrô, seja pela Silviano Brandão".

MERCADO Pesquisa realizada em junho pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG, para avaliar o mercado de móveis da cidade, classifica o Horto como bairro de nível médio em relação à renda do chefe da família. O estudo nas operações de compra e venda revela que o metro quadrado de um apartamento de dois quartos no bairro vale R$ 2.165, uma cotação acima das construções com três quartos, estimadas em R$ 1.720 o metro quadrado. No setor de aluguéis, a pesquisa mostra que barracões de dois quartos na região são alugados em média por R$ 354, casas de dois quartos por R$ 508 e de três dormitórios por R$ 1 mil.

Atualmente a procura por imóveis é maior no entorno da Avenida Silviano Brandão. Fora do corredor dos móveis, os apartamentos, casas e lojas mais procurados pelos investidores e inquilinos estão concentrados nas ruas Pouso Alegre e Pitangui.

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