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| Depois da aplicação da manta, a superfície é queimada para que o material fique preso ao solo e aos cantos da parede: teste com água é fundamental para verificar vazamento |
Uma das maiores preocupações dos donos de construções é o risco de infiltrações provocadas pela umidade do solo ou pela água da chuva, que causa mofo, deforma as partes baixas das paredes e pode levar à perda de revestimentos. Esses problemas são comuns em imóveis sem sistemas de impermeabilização - conjunto de dispositivos quase invisíveis na obra, mas que pode salvar a edificação. O custo da impermeabilização depende da área a ser tratada e do material a ser utilizado.
O engenheiro civil José Lourenço Magalhães diz que o ideal é que seja feito um projeto de impermeabilização que indique a proteção mais adequada para cada área do imóvel, seguindo rigorosamente as normas técnicas de segurança. Para ele, a receita de sucesso nessa etapa da obra é relativamente simples. "É preciso aliar o produto certo para cada situação e contratar mão-de-obra especializada e de comprovada qualidade, não se esquecendo de fiscalizar sempre a execução dos serviços".
No caso de lajes, caixas dágua e piscina, um espaço de 50 metros quadrados seria feito com manta asfáltica, com custo total de R$ 1,6 mil. Para a proteção de cozinha, banheiro e outras áreas molhadas, normalmente é usada resina acrílica, que custa R$ 23 o metro quadrado.
Magalhães destaca que a falta de proteção de alguns elementos da construção pode comprometer as instalações hidráulicas e levar ao desperdício na hora do dimensionamento dos acabamentos. Por isso, o engenheiro recomenda que, antes da aplicação dos acabamentos de gesso, pintura e revestimentos cerâmicos, todas as áreas inclusas no projeto de impermeabilização sejam beneficiadas.
Um problema muito comum, explica Magalhães, é a chamada infiltração ascendente, aquela que vem do solo, trazida por elementos da fundação, e que aparece logo acima do rodapé das paredes, comprometendo o reboco e a pintura. "Para serem protegidas, as paredes de alvenaria podem ter o revestimento feito com argamassa aditivada, que utiliza impermeabilizantes de pega normal e pintura de base acrílica", explica. Já calhas e rufos, segundo o engenheiro, devem ter emendas sem pontos de fuga para evitar infiltrações.
O engenheiro Jorge Lui explica que a impermeabilização deve ser prioridade em todas as áreas que envolvem umidade, principalmente nos ambientes expostos às chuvas, caixas dágua, piscinas e jardineiras. No caso de prédios, deve ser dada atenção especial às áreas frias, que são a cozinha, banheiro e lavanderia.
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| É importante que a obra seja acompanhada pela empresa de impermeabilização contratada, que dê as orientações necessárias em cada etapa - Jorge Lui, engenheiro |
Lui concorda que a impermeabilização perfeita passa pelo uso combinado do planejamento baseado em conhecimento profissional com mão-de-obra qualificada para a execução, além de fiscalização técnica de todo o serviço. "Numa impermeabilização bem-orientada, não é comum aparecerem falhas. Por isso, é importante que a obra seja acompanhada pela empresa de impermeabilização contratada, que dê as orientações necessárias em cada etapa".
No início da obra, Jorge Lui, recomenda análise da possibilidade de infiltração futura. Quando detectado risco de prejuízos por causa da umidade, ele sugere que seja feita a impermeabilização com cintamento, quando já estiverem definidas as instalações elétricas e hidráulicas, antes mesmo da fase de acabamento, evitando as infiltrações na parte inferior da parede.
REPAROS Entre os especialistas, é consenso que correções na impermeabilização não são recomendáveis, principalmente em construções antigas, e que o melhor é criar novo sistema de proteção. Se a impermeabilização executada durante o curso normal da construção representa cerca de 2% do custo final da obra, o engenheiro explica que interferir parcialmente ou integralmente no sistema impermeabilizante depois da conclusão da edificação pode gerar custos bem mais elevados.
"Depois da obra pronta, a correção pode levar à perda de acabamentos caros, como granitos e porcelanatos", diz o engenheiro. Para Magalhães, nesse caso, vale a velha máxima de fazer certo já na primeira vez. Mas o engenheiro admite que os ajustes durante o processo de teste de vedação são aceitáveis, apesar de indesejáveis, pois ajudam a evitar problemas maiores. Impermeabilizações posteriores são recomendadas apenas como tratamento para evitar infiltrações depois dos revestimentos, quando se nota ausência de resistência ou falhas na impermeabilização original.
Para o engenheiro Jorge Lui, a impermeabilização corretiva requer cuidados especiais, por causa dos testes para detectar a origem das infiltrações, que se tornam mais complicados, alterando bastante o custo. No caso de obras com proteção adequada, problemas de infiltração, segundo Lui, só ocorrem devido a intervenções externas como perfurações.
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