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| Lincoln Raydan, da Associação Brasileira de Cimentos Portland, diz que alvenaria modulada já é aplicada no país, não só em empreendimentos populares horizontais |
Transformar os canteiros de obras em verdadeiras linhas de montagem - com menor necessidade de mão de obra e de transporte de materiais e com redução de desperdício, portanto, com a diminuição da geração de resíduos e do tempo de execução - é o que prometem os novos sistemas construtivos lançados pela indústria nacional. "Nosso projeto foi concebido para valorizar a racionalização da construção, gerando ganhos ambientais e de produtividade", garante Hélio Dourado, presidente da Premo, empresa que há 50 anos atua na produção de sistemas construtivos industrializados e que desenvolveu a solução Premohab, voltada para o segmento de empreendimentos habitacionais, com investimento de R$ 2 milhões.
Dourado informa que o Premohab substitui, com eficiência, as estruturas e vedações convencionais em alvenaria por placas de concreto produzidas, sob medida, dentro do canteiro de obras. "As vantagens são a eliminação do desperdício, já que as placas são fabricadas para incorporar as instalações elétricas e hidráulicas, a rápida execução, pois a estrutura de uma casa pode ser montada em uma manhã e um conjunto de casas pode ser finalizado em 20 dias, e uma menor estrutura de pessoal. Com a minifábrica no canteiro, reduzimos ainda os custos com transporte das peças e possibilitamos um controle efetivo de todo o processo", sustenta o presidente da Premo.
O processo de montagem do Premohab, explica Hélio, se assemelha ao usado no brinquedo Lego. "São placas internas e externas, montadas perpendicularmente umas às outras, formando Ls e, no caso das construções verticais, depois da aplicação das lajes, o pavimento seguinte é montado na mesma projeção do inferior. Nos cantos formados pelo encontro das peças, a fixação é feita com solda e, em alguns casos, por meio de grouteamento, com um concreto fluido, como se fosse uma nata", detalha, ao admitir que a montagem requer mão de obra qualificada, que saiba ler um projeto e comprometida com a precisão e a segurança.
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| "Não quero vender papel ou sonho e sim uma solução construtiva industrializada para a estrutura de edificações populares" - Bruno Simões Dias, presidente da Precon |
DESAFIO Segundo ele, a solução construtiva já foi usada em empreendimentos para a classe média, lançados em parceria pela Masb Desenvolvimento Imobiliário e a Habitare, no Buritis, em Belo Horizonte, e será aplicada em outros dois projetos habitacionais em fase de aprovação, na capital, no Barreiro, e em Vespasiano, voltados para famílias com renda entre três e 10 salários mínimos. "Em Vespasiano, serão 70 unidades de 55 metros quadrados (m²), que vão custar em torno de R$ 80 mil, e no Barreiro serão 400 unidades, com preço médio de R$ 100 mil", diz, ao observar que, em função do custo, a solução ainda não é viável para empreendimentos direcionados a famílias na faixa de renda até três salários mínimos. "Este é o nosso grande desafio: chegar a uma solução que atenda a base da pirâmide social, e estamos trabalhando para isso", afirma.
O segmento popular é o foco da Precon Industrial, com o desenvolvimento de um sistema industrializado para empreendimentos verticais que a empresa pretende lançar até o final do ano. "Vamos montar um protótipo com a solução ainda este mês e, com o prédio montado, fazer os ajustes necessários, para oferecer ao mercado da construção um sistema eficiente. Não quero vender papel ou sonho, e sim uma solução construtiva industrializada para a estrutura de edificações populares", diz o presidente da empresa, Bruno Simões Dias.
De acordo com Bruno, com o sistema a empresa terá condições de oferecer ao mercado da construção instrumentos para a execução de um empreendimento popular com custo e prazos conhecidos previamente, sem riscos de atrasos e de desperdício de material. "Nossa solução será para a estrutura do prédio: pilares, vigas e lajes, e a vedação ficará a cargo da construtora. Poderíamos até fornecer a vedação, mas o custo não seria adequado a este tipo de empreendimento, por isso optamos inicialmente em oferecer apenas o esqueleto do prédio", explica o empresário.
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