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Há vagas. Só faltam os candidatos Cursos de qualificação na área de construção civil, destinados aos cadastrados no Bolsa-Família, têm 12 mil oportunidades abertas. Medo de perder benefício é uma das causas da baixa adesão

Marta Vieira - Estado de Minas

Paula Takahashi - Estado de Minas

Publicação: 02/12/2009 07:58 Atualização:

Maria Cristiana da Silva (E), com a engenheira Olívia Medeiros, se formou e já completou um mês de trabalho como pedreira (Cristina Horta/EM/D.A Press)
Maria Cristiana da Silva (E), com a engenheira Olívia Medeiros, se formou e já completou um mês de trabalho como pedreira
Há mais vagas do que candidatos aos cursos de qualificação profissional na área da construção civil lançados na Região Metropolitana de Belo Horizonte pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Minas Gerais, em convênio com os ministérios do Trabalho e Emprego e de Desenvolvimento Social e com a Prefeitura de BH. Apesar das chances de emprego que o treinamento pode oferecer, faltam candidatos para quase 12 mil oportunidades de formação gratuita no entorno da capital mineira nas funções de almoxarife, armador, auxiliar administrativo, azulejista, carpinteiro, eletricista predial, encanador, pedreiros de acabamento e de alvenaria e pintor de parede. Só em BH, há 7,5 mil vagas em aberto das 8,7 mil oferecidas. Desde abril, 500 pessoas se formaram.

Os programas fazem parte do Plano Setorial de Qualificação (Planseq) da Construção Civil dirigido às famílias cadastradas no Bolsa-Família. Quem se inscrever terá a formação gratuita, além de vale-transporte e lanche. O descompasso entre a oferta de vaga e a baixíssima procura surpreende, diante do aquecimento da indústria da construção civil na Grande BH e as perspectivas de crescimento do setor nos próximos anos. As empresas passaram a correr atrás de mão de obra, de olho nos incentivos dados pelo governo à construção de moradias populares, nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e de investimentos da iniciativa privada, na realização da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016.

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Uma das explicações para a falta de interesse dos candidatos pode estar no medo das famílias de perder a assistência financeira do Bolsa-Família, um nó criado pelo próprio programa, considerado assistencialista por seus críticos. Os R$ 102 que recebe mensalmente do governo, porém, não pesaram na hora de Ilda Venâncio decidir pela inscrição no curso de instalações voltado para os sistemas elétrico e hidráulico. "Se conseguir o emprego depois de me formar, será muito melhor do que o benefício. Prefiro muito mais estar no mercado de trabalho", garante Ilma, que está desempregada há 10 meses. Sempre de olho nas oportunidades, ela tem esperança de sair da sala de aula na próxima semana e já conquistar uma vaga. "Acho que as chances ainda estão restritas para mulheres, mas tenho certeza que vão abrir espaço porque temos mais capricho e cuidado", afirma.

O coordenador do Planseq pelo Senai-MG, Luiz Eduardo Notini Greco, afirma que, ao fazer o curso de 200 horas, o aluno não perde os benefícios do programa. As famílias beneficiadas pela assistência em dinheiro recebem entre R$ 22 e R$ 200, dependendo do número de crianças e adolescentes até 17 anos. O Bolsa-Família atende famílias pobres, com renda mensal por pessoa de no máximo R$ 140. Os salários no mercado podem compensar o benefício perdido. Segundo dados do Sinduscon, a remuneração base para pedreiros é de R$ 778,80, mas especialistas garantem que o valor pode chegar a R$ 1,7 mil.

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Outra dificuldade do Senai-MG para a formação das turmas do programa de qualificação, na avaliação de Notiini Greco, está relacionada à maior participação das mulheres entre os beneficiários do Bolsa-Família. Elas são a maioria dos cadastrados e não imaginam que terão espaço no mercado de trabalho da construção, crença derrubada por Greco. "Várias empresas já contratam mulheres e a demanda por mão de obra só tende a crescer na Grande BH", afirma. O próprio Senai-MG encaminha os alunos formados às empresas, quando elas pedem indicações para contratações, o que é comum.

Prova de que as empresas não estão fazendo distinção entre homens e mulheres é a experiência da pedreira Maria Cristiana da Silva, de 31 anos, que já exibe o diploma de conclusão do curso e comemora o primeiro emprego com carteira assinada. "Depois de 15 dias de término das aulas comecei a procurar e a construtora Even abriu as portas para mim. Quando liguei, me falaram que nunca tinham contratado uma mulher e que iam fazer uma experiência. Já vou completar um mês de trabalho e estou gostando muito", afirma. A qualificação foi a forma que encontrou para ingressar no mercado e abandonar a vida de autônoma, mas ela ainda percebe resistência das empresas para contratação de mão de obra feminina. "As mulheres fazem o serviço tão bem ou melhor que os homens só é preciso que as portas sejam abertas para que mostrem seu potencial", protesta.

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