Comerciantes de materiais de construção em BH se animam com a perspectiva de o mercado crescer entre 6% e 8% em 2009, com projeções de avanço de 10% em 2010
Ricardo Caus, presidente da Acomac-MG, indica acompanhamento de profissional para evitar compra de material em excesso
Redução de impostos, preços atrativos e reaquecimento da oferta de crédito para compra de material de construção fazem crescer a expectativa de empresários do segmento de material de construção. Apesar da crise, as construções vão crescer entre 6% e 8% em 2009, com projeções de um avanço de 10% para 2010, segundo Ricardo Giovanni Furtuna Caus, presidente da Associação do Comércio de Material de Construção de Minas Gerais (Acomac-MG).
Para ele, a indústria sentiu mais do que o varejo, por causa dos grandes projetos colocados em stand by por muitas construtoras no país. "Tivemos uma pequena retração, mas com retomada suficiente para garantir o crescimento no segundo semestre. Outro fator que ajudou foi a valorização do real. Com isso, o mercado interno ficou mais atraente para os fornecedores, com maior oferta e competitividade. Bem como a redução do IPI, que foi mais duradoura pelo entendimento, por parte do governo, de que obras têm ciclos longos", destaca.
Ainda de acordo com Ricardo, mesmo programas como o Minha casa, minha vida ajudam o segmento. "Construindo mais, as construtoras, na falta de algum material, podem recorrer aos depósitos. Além disso, com a entrega das casas, muito moradores acabam optando por dar um toque pessoal e alterar alguma coisa do projeto inicial, o que também gera algum volume de vendas", associa. "Com relação ao crédito, a Caixa Econômica Federal lançou uma linha de R$ 1 bilhão para a compra de material de construção, com prazo de financiamento de até 24 meses e valor máximo de cada compra de R$ 10 mil. Os juros serão determinados pelos lojistas, não podendo ultrapassar 3% ao mês. Vendas de R$ 10 mil representam um estímulo enorme para o segmento. É um volume bem maior do que as aquisições do comprador formiguinha", completa.
Mesmo com as boas notícias, o consumidor deve se resguardar. O primeiro passo é contratar um profissional da área e exigir dele uma lista completa de material com as respectivas especificações e quando será usado. Quem tem a lista de material com antecedência pode pesquisar melhor em busca de qualidade e preço.
SEM DESPERDÍCIO
Ricardo chama a atenção para a importância de conferir sempre se o produto é normatizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) ou órgão similar. O auxílio de um profissional é importante para evitar a compra de material em excesso, desperdício durante as obras e garantir que se está comprando material adequado para o uso que ele terá. "Não se pode, por exemplo, comprar um piso de interior e aplicá-lo na parte externa. Outra providência, para garantir uma boa aplicação, é conferir se a empresa que vendeu o produto oferece a instalação, já que o mau uso reduz a vida útil ou a eficiência desses materiais", ensina.
A parte elétrica merece atenção especial, uma vez que qualquer descuido pode resultar em risco de acidentes. Segundo Ricardo, é fundamental conferir o material na hora do recebimento, desde especificações até quantidades e valores. "Se não estiver de acordo, não aceite nada nem assine nenhum recibo. Faça uma observação no verso da nota fiscal e entre em contato com a loja para resolver a questão". Isso, segundo o presidente da associação, vale para qualquer aquisição. Ele lembra que existem, por exemplo, telhas de um milímetro e de 1,5 milímetro de espessura. Se o consumidor não ficar atento, pode adquirir a mais grossa e, por algum erro, acabar recebendo a mais fina.
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