O traço Oscar Niemeyer, gênio da arquitetura, volta a marcar a história urbanística de Belo Horizonte. As curvas audaciosas do Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa, que é inaugurada nesta quinta-feira, levam a capital mineira a se consolidar definitivamente como referência do arquiteto, 70 anos depois do projeto da Capela de São Francisco de Assis, na Pampulha, cartão postal da cidade. Niemeyer já projetou 650 obras pelo mundo afora. Em Belo Horizonte, a igrejinha da Pampulha, a Casa do Baile, o Iate Clube e o Cassino constituíram o ponto de partida para uma nova linguagem do mestre, que começou a usar formas curvas no concreto armado.
Veja mais fotos da Cidade Administrativa As obras de Niemeyer na Região da Pampulha são ícones da arquitetura moderna brasileira. O seu mais recente projeto na capital, o Palácio Tiradentes, na opinião do arquiteto, surpreende pela audácia de sua estrutura: quatro colunas sustentam o edifício. A grandiosidade dos três prédios da Cidade Administrativa também é audaz. "Quando o governador Aécio Neves veio ver o projeto da Cidade Administrativa, esperava, como a grande maioria, que o palácio governamental estivesse cercado de 15 ou mais edifícios para atender ao programa fixado", observa o arquiteto. Mas a surpresa de Aécio, segundo ele, transformou-se em entusiasmo. "Isso aconteceu quando falei que o projeto que elaboramos previa apenas três edifícios: o palácio governamental e dois grandes blocos curvos com 200 metros de comprimento e 20 pavimentos", conta. Niemeyer ressalta que a solução facilitou e barateou a construção. "Em vez de o governo construir um conjunto com cerca de 20 edifícios, transformando o terreno em pequenos lotes, construiu três", diz.
Leia a continuação desta matéria:Nasce uma cidadeO acesso ao Palácio Tiradentes vai ser feito por duas estruturas vizinhas, através de elevadores e escadas que serão ligadas por passarelas, em todos os pavimentos. No topo de uma das estruturas foi instalado um heliponto, sobre um tabuleiro circular excêntrico em relação à torre. "Até para o acesso particular do governador procuramos uma solução diferente: o mesmo elevador que vai levá-lo do seu estacionamento ao gabinete servirá ao heliponto", observa o arquiteto.
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| "O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein" - Niemeyer |
A história da arquitetura da Cidade Administrativa faz relembrar os projetos do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Em 1940, Niemeyer conheceu Juscelino Kubitschek, na ocasião prefeito de Belo Horizonte. Kubitschek tinha interesse em desenvolver a área ao Norte da cidade, a Pampulha. Foi aí que encomendou as edificações do arquiteto ao redor da lagoa. Quando finalizados, em 1943, os prédios foram alvo de críticas e admiração, causando polêmicas.
A Igreja Católica, por exemplo, se negou a benzer a Capela de São Francisco, pois apresentava traços abstratos e havia um cachorro, representando um lobo, junto a São Francisco de Assis. Mas foi a partir do conjunto da Pampulha que Niemeyer conseguiu sua projeção internacional e desenvolveu um estilo que passou a marcar suas obras: o uso da plasticidade no concreto armado, gerando formas sinuosas. Ele afirma que, com a obra da Pampulha, o vocabulário plástico da sua arquitetura começou a se definir. Passados 70 anos, o Palácio Tiradentes volta com objetivo semelhante:
desenvolver o Vetor Norte da capital.
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