 | |
| Praça Raul Soares, na Região Central de Belo Horizonte, foi recentemente revitalizada, valorizando o paisagismo urbano e contribuindo para o bem-estar dos moradores |
A Semana do Arquiteto, promovida pelo Institudo dos Arquitetos do Brasil (IAB), que culminou com o lançamento das ações da entidade para este ano, discutiu, entre outros temas, o papel do profissional como especialista habilitado da área a exercer a função de urbanista. "Queremos contribuir com o que falta na cidade. Achamos que há escassez de arquitetura, do direito à paisagem urbana", diz a presidente da entidade, Cláudia Pires.
O conceito paisagem é de origem francesa. Geógrafos definiram que nela estão todos os elementos: os que não têm vida e os vivos na natureza. A partir daí, pôde-se quantificá-la e qualificá-la. Uma paisagem totalmente artificial é aquela que sofreu alteração ambiental, seja de temperatura ou de permeabilidade. Onde há edificações com jardins e vegetação pode-se verificar e perceber algum equilíbrio.
"Uma paisagem artificial não respeita os elementos naturais, como relevo ou outras questões físicas", cita a presidente da Associação Brasileira dos Arquitetos Paisagistas (Abap), Seção Minas Gerais, Marieta Cardoso Maciel. "Coisas que não se vê, que estão no subsolo ou questões biológicas, como fauna e flora. A cidade que pode crescer harmonicamente é fruto do paisagismo urbano. A própria legislação municipal deveria olhar para isso".
PARQUES O incremento e a valorização desse paisagismo é defendido por ela como forma de transformar as cidades em ambientes mais aprazíveis, como vias de circulação com canteiros, parques públicos, praças, que são de toda a cidade, sem desvalorizar as demais escalas, como prédios ou residências.
Segundo Marieta, paisagismo tem vários elementos. A vegetação é um componente importantíssimo, há a água, a configuração do terreno, montanhas, lagos, rios, nascentes, que podem ser aproveitados em toda a cidade. Há alguns anos, existem formas de compensação pelo impacto causado em intervenções de obras civis, como abrir ruas, avenidas, que deixam cicatrizes: são os projetos paisagísticos, inclusive constantes de legislação. "Infelizmente, o dinheiro da execução do projeto paisagístico acaba antes e, quando chega, só dá para a grama", lamenta a presidente.
O arquiteto Maurício Andrés Barreto, autor dos livros Ecologizar, tesouros da Índia e Ecologizando a cidade e o planeta, defende dispositivos que obriguem ou induzam a adoção de projetos ecologicamente sustentáveis e de materiais e recursos de construções ecológicas. "Devem ser incluídos nos códigos de obras, de edificações urbanas, nos editais e termos de referência para contratação de projeto e de obras, a exemplo do que ocorre em países que estão levando a sério as mudanças climáticas".
Esta matéria tem: (0) comentários
Não existem comentários ainda