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| O arquiteto Carlos Teixeira é o único brasileiro em mostra na Inglaterra |
Quem está em duas exposições importantes é o mineiro Carlos Teixeira, de 42 anos. É o único brasileiro na mostra em Londres, no Victoria & Albert Museum, que começa nesta terça-feira e leva o nome de
1:1 - Architects build small spaces. É um dos sete arquitetos que terá obra construída. Estarão reunidos 20 profissionais que desenvolveram projetos de intervenção no espaço do museu; os outros 13 trabalhos serão apresentados em maquetes. O mineiro ocupa, ainda, um "terreiro", na 29ª Bienal de São Paulo, espaço de descanso e manifestações artísticas, que serão criadas pelos artistas Ernesto Neto e Marilá Dardot, pelo arquiteto Roberto Loeb e pelo grafiteiro Kboco, o sloveno Tobias Putrih e o escritório holandês UN Stúdio.
O trabalho para a mostra na Inglaterra chama-se Spiral booths (Cabines espirais) e ocupa galeria que está na entrada do Victoria & Albert Museum. São seis cabines, de um metro quadrado, interligadas por escadas em formato de espiral, onde haverá performances de teatro e dança para apenas um espectador. "É teatro verticalizado, fragmentação do palco em casulos, criando nichos que forçam a fricção entre atores e público. O que, talvez, seja um convite para imaginar peças que sejam respostas aos espaços", explica Carlos Teixeira.
Por conincidência, ele conta que o trabalho para a Bienal de São Paulo dialoga com a intervenção que realizou para o museu londrino. São "cacos" de construção, de forma ameboide, feita com paredes grossas de papelão, móveis, que, agrupados, podem tomar várias formas - "arena, labirinto e até algo que lembra um teatro". A obra será instalada entre blocos expositivos, com função de se tornar local de descanso para o público, mas que também recebe programação de performances. Espaços, observa Carlos Teixeira, que cada um pode interpretar da forma que quiser.
São obras que avançam diálogo entre arquitetura e artes cênicas, que, aos poucos, vão formando segmento da obra do arquiteto. Ele já fez cenário para a Cia. de Dança do Palácio das Artes, assinou o projeto da sede do Armatrux e, com o grupo, realizou intervenção em estruturas de um prédio. "Entrei para o mundo do teatro por acaso, e me considero ignorante em artes cênicas", avisa o arquiteto. "Foi um modo de usar os eventos para pensar a arquitetura e o urbanismo e o resultado tem sido uma confluência de interesses rica", conta, revelando que tem outros projetos na gaveta.
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| Casa da Várzea, projeto do arquiteto mineiro, que foi premiado em concurso japonês com tema Casas sem Plantas |
"São trabalhos que permitem ver a arquitetura a partir do evento. E, como são obras cenográficas, posso trabalhar com muita liberdade", explica Carlos Teixeira, observando que considera a intervenção junto com o Armatrux, peça importante de sua obra. O arquiteto não esconde a satisfação com o convite para as mostras. "São misturas que a profissão de arquiteto permite", acrescenta. "Até dois anos me sentia isolado, social e esteticamente, sem resposta ao que fazia. Inclusive me tornei incorporador. Foi forma de ganhar dinheiro para perdê-lo com projetos especiais", brinca.
"Atuar, ao mesmo tempo, como incorporador e com autonomia de artista é situação supreendente até para mim. Espero continuar sendo surpreendido", afirma. Ele suspeita, inclusive, que talvez seu caminho "seja insistir num certo radicalismo nas atuações". O arquiteto foi um dos cinco brasileiros a representar o Brasil na 9º Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, em 2004. Já expôs seus trabalhos no Pavillion de l'Arsenal, em Paris; no Royal Institute of British Architects na capital inglesa; além da Bienal de Arquitetura de São Paulo (SP) e no Palácio das Artes (Belo Horizonte). É autor dos livros História do vazio, em BH, (CosacNaify, 1999), e O condomínio absoluto (C/Arte, 2009).
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