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Arquitetura plural Mineiro Carlos Teixeira terá obra construída na mostra do Victoria & Albert Museum, nesta terça em Londres. E ocupará espaço na Bienal

Walter Sebastião - Estado de Minas

Publicação: 14/06/2010 14:36 Atualização:

O arquiteto Carlos Teixeira é o único brasileiro em mostra na Inglaterra (Maria Tereza Correia/EM/D. A Press)
O arquiteto Carlos Teixeira é o único brasileiro em mostra na Inglaterra
Quem está em duas exposições importantes é o mineiro Carlos Teixeira, de 42 anos. É o único brasileiro na mostra em Londres, no Victoria & Albert Museum, que começa nesta terça-feira e leva o nome de 1:1 - Architects build small spaces. É um dos sete arquitetos que terá obra construída. Estarão reunidos 20 profissionais que desenvolveram projetos de intervenção no espaço do museu; os outros 13 trabalhos serão apresentados em maquetes. O mineiro ocupa, ainda, um "terreiro", na 29ª Bienal de São Paulo, espaço de descanso e manifestações artísticas, que serão criadas pelos artistas Ernesto Neto e Marilá Dardot, pelo arquiteto Roberto Loeb e pelo grafiteiro Kboco, o sloveno Tobias Putrih e o escritório holandês UN Stúdio.

O trabalho para a mostra na Inglaterra chama-se Spiral booths (Cabines espirais) e ocupa galeria que está na entrada do Victoria & Albert Museum. São seis cabines, de um metro quadrado, interligadas por escadas em formato de espiral, onde haverá performances de teatro e dança para apenas um espectador. "É teatro verticalizado, fragmentação do palco em casulos, criando nichos que forçam a fricção entre atores e público. O que, talvez, seja um convite para imaginar peças que sejam respostas aos espaços", explica Carlos Teixeira.

Por conincidência, ele conta que o trabalho para a Bienal de São Paulo dialoga com a intervenção que realizou para o museu londrino. São "cacos" de construção, de forma ameboide, feita com paredes grossas de papelão, móveis, que, agrupados, podem tomar várias formas - "arena, labirinto e até algo que lembra um teatro". A obra será instalada entre blocos expositivos, com função de se tornar local de descanso para o público, mas que também recebe programação de performances. Espaços, observa Carlos Teixeira, que cada um pode interpretar da forma que quiser.

São obras que avançam diálogo entre arquitetura e artes cênicas, que, aos poucos, vão formando segmento da obra do arquiteto. Ele já fez cenário para a Cia. de Dança do Palácio das Artes, assinou o projeto da sede do Armatrux e, com o grupo, realizou intervenção em estruturas de um prédio. "Entrei para o mundo do teatro por acaso, e me considero ignorante em artes cênicas", avisa o arquiteto. "Foi um modo de usar os eventos para pensar a arquitetura e o urbanismo e o resultado tem sido uma confluência de interesses rica", conta, revelando que tem outros projetos na gaveta.
Casa da Várzea, projeto do arquiteto mineiro, que foi premiado em concurso japonês com tema Casas sem Plantas (Carlos Teixeira/Divulgação)
Casa da Várzea, projeto do arquiteto mineiro, que foi premiado em concurso japonês com tema Casas sem Plantas

"São trabalhos que permitem ver a arquitetura a partir do evento. E, como são obras cenográficas, posso trabalhar com muita liberdade", explica Carlos Teixeira, observando que considera a intervenção junto com o Armatrux, peça importante de sua obra. O arquiteto não esconde a satisfação com o convite para as mostras. "São misturas que a profissão de arquiteto permite", acrescenta. "Até dois anos me sentia isolado, social e esteticamente, sem resposta ao que fazia. Inclusive me tornei incorporador. Foi forma de ganhar dinheiro para perdê-lo com projetos especiais", brinca.

"Atuar, ao mesmo tempo, como incorporador e com autonomia de artista é situação supreendente até para mim. Espero continuar sendo surpreendido", afirma. Ele suspeita, inclusive, que talvez seu caminho "seja insistir num certo radicalismo nas atuações". O arquiteto foi um dos cinco brasileiros a representar o Brasil na 9º Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, em 2004. Já expôs seus trabalhos no Pavillion de l'Arsenal, em Paris; no Royal Institute of British Architects na capital inglesa; além da Bienal de Arquitetura de São Paulo (SP) e no Palácio das Artes (Belo Horizonte). É autor dos livros História do vazio, em BH, (CosacNaify, 1999), e O condomínio absoluto (C/Arte, 2009).

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