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| As arquitetas Aline e Vanessa ressaltam a importância de o profissional estar em sintonia com o universo infantil para saber sugerir e entender |
30 de agosto de 2010 - Mudança de relacionamento entre pais e filhos, diferentemente do que possa parecer à primeira vista, não é assunto só de psicólogos. O arquiteto e o designer de interiores já tiveram de se adequar para lidar com essa realidade. Com o aumento da influência das crianças na decisão de compra da família, é preciso ser flexível para chegar a um senso comum e atender a todos os desejos. A participação maior dos pequenos na condução da vida financeira das pessoas já foi comprovada em levantamentos como o estudo Crianças mandam: mudando a relação de poder entre as crianças e as mães latino-americanas, realizado em 2007 pela empresa britânica TNS. O levantamento, feito em cinco países, entre eles o Brasil, mostrou que, de 2005 a 2006, o percentual de influência das crianças saltou de 42% para 52%. Superexpostas à propaganda e bem informadas sobre o mundo do consumo, elas interferem não apenas na escolha de produtos infantis.
Arquiteta da Líder Interiores, Raquel Nogueira diz que o acesso à informação contribui para que as crianças interfiram mais diretamente na decoração. “Elas hoje têm mais conhecimento do mundo. Com acesso à internet, adquirem informações cada vez mais cedo. Comecei a perceber tal fato há uns cinco anos. Depois disso, passei a escutá-los mais”, comenta.
Outra profissional que percebeu a influência das crianças na decoração é a arquiteta Aline Castro. Segundo ela, muitas vezes a opinião dos pequenos é decisiva na hora de escolher e há um respeito muito grande dos pais em relação a isso. “O importante é não perder o foco, respeitando a realidade funcional e estética do ambiente”, observa.
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Liberdade para ousadias, mas modismos devem ser evitadosDesigner de interiores, Iara Serafim dos Santos tem um olhar diferente. Segundo ela, nem sempre a opinião da criança é determinante na escolha. “Elas ajudam muito no projeto dos quartos, mas são mais incisivas e participativas na decisão quando têm, pelo menos, 10 anos”, comenta.
Para Raquel Nogueira, a criança tem pouca influência na decisão dos pais, pois não tem maturidade suficiente para escolher o que é melhor para o espaço. Entretanto, ela acredita que a decoração da casa deva ser decidida por todos. “É importante que a criança se sinta participante nas decisões tomadas, para que não fique insatisfeita com o espaço em que vive e expresse seu ponto de vista, vinculado às suas necessidades e preferências pessoais.”
Em maior ou menor grau, a participação das crianças no designer da casa tem como benefício a aproximação entre pais e filhos, como destaca Yara Santos. “Como pais, queremos nossos filhos sempre perto, independentemente da idade. E uma casa bem decorada, que atenda também às expectativas e desejos deles, favorece muito o convívio familiar”, analisa a designer de interiores.
ATENDIMENTO Para os pais que estão pensando em contratar um profissional para desenvolver o projeto de decoração com a participação dos filhos, as profissionais dão algumas dicas de como deve ser o trabalho. Afinal, como clientes especiais que são, os pequenos necessitam de atendimento diferenciado.
A arquiteta Vanessa Castro ressalta que é importante observar a afinidade do profissional com o universo infantil. “Para lidar com crianças, primeiramente é preciso gostar delas. Depois, é só ter paciência para escutar e responder. A infância e a juventude são as melhores épocas para investigar, questionar.” Além da contratação de profissionais com referência, uma boa conversa ajuda na identificação de quem escolher para esta tarefa. Durante esse bate-papo, os pais podem observar se o profissional está atento às especificidades do universo infantil.
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