Especialistas dizem que a versatilidade para desenvolver trabalho para crianças é que os projetos permitem mais inovações, mas explicam que os modismos devem ser evitados
A designer de interiores Iara Serafim em ambiente criado por ela para a Casa Cor 2010: "É preciso conversar muito com os pequenos clientes"
30 de agosto de 2010 - O regime mais democrático de participação nas decisões sobre a decoração da casa fez com que o mercado se adequasse para atender a essa demanda. A maior liberdade para criar é uma das grandes vantagens de lidar com esse público, conforme explica a arquiteta Aline Castro. “A versatilidade é muito grande e não falta criatividade aos profissionais, principalmente quando se trata de crianças, pois é permitido ousar mais.”
Aliar os desejos das crianças aos dos pais não é uma tarefa tão complicada quanto parece, segundo a arquiteta Vanessa Castro. “Geralmente, as crianças confiam nos pais. Então elas sedem aos argumentos deles e, ao mesmo tempo, os pais se derretem ao desejo dos filhos e também acabam cedendo. Cabe a nós, profissionais, captar esses desejos e desenvolver um projeto reflexo desta família.”
Para elaborar o projeto, Raquel Nogueira diz que o profissional sempre tem de fazê-lo em consenso com todos os moradores. Para isso, geralmente é feita uma reunião, momento em que é discutido o trabalho. “Inserimos nele um detalhe com a opinião de um e a ideia de outro. Assim, todos ficam satisfeitos e se identificam com o projeto”, diz a arquiteta.
Quando há mais de um filho opinando, Aline explica que o profissional tem de fazer uma leitura do que eles querem e precisam. “As crianças são muito transparentes, então é fácil fazer isso. Normalmente, elas já têm um relacionamento em que um é o líder e, muitas vezes, a opinião dele é a que prevalece de uma forma natural, da mesma maneira que elas brincam.”
Além disso, é preciso aliar os desejos de toda a família com o orçamento dos pais. Para isso, a dica é investir em um mobiliário forte, simples e funcional, como aconselha Vanessa Castro. “Assim, um novo leiaute, uma nova pintura, uma aplicação de papel de parede ou um adesivo transformam completamente o ambiente, sem onerar tanto no bolso.”
O uso de plotagem é apontado pela arquiteta Raquel Nogueira como um recurso econômico e prático. “É um adesivo relativamente barato que fixamos na parede e que, com o passar do tempo, pode ser retirado. Outra ideia interessante é a tinta com fundo magnético, sobre a qual podem ser fixadas fotos ou figuras com pequenos ímãs, trocados com o passar dos anos.”
Raquel Nogueira também sugere recursos como tapetes e adornos mais coloridos, que tornam os ambientes aconchegantes e com características mais infantis. Ela cita, ainda, os pufes. “São móveis flexíveis, confortáveis para as crianças se sentarem e até mesmo para desenhar.”
Luminárias diferentes, uso de plotagem nas paredes e instalação de prateleiras para brinquedos são alguns artifícios recomendados por decoradores para deixar os ambientes agradáveis e também multifuncionais
Com a ajuda da psicologia Para identificar a decoração que refletirá o perfil da criança, é preciso um trabalho cuidadoso. Assim como ocorre com os clientes adultos, é necessária uma entrevista, segundo Aline. “Estudamos o comportamento da criança. Assim, captamos seu perfil e desenvolvemos o trabalho. O interessante de um projeto infantil é que podemos trabalhar com o lúdico, auxiliando na saúde psíquica e emocional da criança.”
“É preciso conversar muito com o pequeno cliente para tentar abordar detalhadamente as suas expectativas. Mergulho muito na vida pessoal, no tipo de convivência com os amigos. A escola em que estudam também ajuda a identificar essa personalidade em formação”, diz a designer de interiores Iara Serafim dos Santos.
Nesse trabalho, a maior dificuldade apontada pela arquiteta Vanessa Castro é o fato de a criança, muitas vezes, querer tudo. Por isso, ela ressalta a importância de ter cautela e jogo de cintura para mostrar que a composição proposta é a melhor solução. “É preciso jogar, brincar com a criança, fazê-la entender que cada móvel, assim como uma peça de um quebra-cabeça, se encaixa em um espaço já definido.”
A arquiteta da Líder Interiores Raquel Nogueira cita, ainda, a dificuldade de saber trabalhar um espaço que tenha a personalidade da criança sem ser efêmero. “Para trabalhar com as crianças, é importante sempre valorizar as opiniões delas e mostrar com cuidado a melhor opção para o espaço.”
Sem erros Confira dicas de profissionais para ambientes infantis:
* Cuidado com modismos. Ponha as referências ao personagem ou à cor que as crianças gostam em detalhes, em lugares que possam ser removidos ou substituídos com facilidade, como tapetes e adornos coloridos * Una os desejos delas com a realidade. Uma criança que ama o tapete fofinho da sala de TV, mas é alérgica, precisa compreender que isso vai prejudicá-la. O critério é conciliar a função à necessidade e a vontade à realidade dos pais * Valorize os desejos das crianças e não tente dar um jeitinho. Quanto mais explicação e sinceridade, mais você ganha a confiança delas. Crianças adoram participar, aprender e ajudar no desenvolvimento do projeto. Isso torna esse momento prazeroso e as modificações aceitáveis * Use o bom senso. Distinga o que será ideal para o ambiente e o que é só um desejo da criança * O projeto que conta com a participação das crianças deve ser mais flexível, pois a necessidade delas é bastante variável * Por isso, na hora de escolher o mobiliário, opte por aquele de mais fácil adaptação, com cores gerais mais neutras * Invista em recursos como pufes, peças que permitem mais flexibilidade na decoração, além de papéis de parede e plotagem, opções que personalizam os ambientes e podem ser retiradas
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