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Renascença: sob o apito da fábrica Antiga indústria de fios e tecidos marcou história dos moradores, entre eles a cantora Clara Nunes, talento descoberto em concurso para os operários

Júnia Leticia - Estado de Minas

Publicação: 31/01/2011 12:14 Atualização:

Companhia contribuiu para o desenvolvimento do bairro, com comércio, escola infantil e linha de bonde (Eduardo Almeida/RA Studio)
Companhia contribuiu para o desenvolvimento do bairro, com comércio, escola infantil e linha de bonde
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31/01/2011 - O Bairro Renascença, na Região Nordeste de Belo Horizonte, surgiu na esteira do desenvolvimento industrial experimentado pela capital no início do século 20. A partir da década de 1930, muitas áreas rurais deram lugar a importantes fábricas, como a Companhia Renascença Industrial. E não é exagero dizer que a região tinha seu cotidiano marcado pelo ritmo do apito da fábrica de tecidos.

Saídas do interior do estado, muitas das famílias de operários instalaram-se na Vila Renascença, que deu origem ao bairro, por volta de 1937. Mas, para que os novos moradores pudessem se alojar, a companhia, construída para abrigar 600 teares e cerca de 1 mil funcionários, teve de investir em infraestrutura. Uma das melhorias foi a implantação, ainda em 1935, da linha de bondes, uma imposição da Prefeitura de Belo Horizonte na época.

A construção de casas para os operários também já estava prevista. Elas eram todas iguais, com variações apenas no número de quartos. Mas o investimento da fábrica não parou por aí. Com o apoio da empresa foram criados uma praça de esportes, clube, armazém, jardim de infância e até um time de futebol para os funcionários.

Para se ter uma ideia da importância da companhia para os operários e demais moradores do bairro, era nos campo de futebol e no clube para bailes da fábrica que todos se divertiam nos fins de semana. E foi em um dos concursos promovidos pela Renascença para escolher a voz de ouro que o talento da operária Clara Francisca Gonçalves foi descoberto. E não demorou muito para que a tecelã, que trabalhou lá no fim da década de 1950, se transformasse em uma das maiores cantoras do Brasil, conhecida por todos como Clara Nunes.

Apesar de não ter presenciado nenhuma apresentação da cantora, a pedagoga aposentada Márcia Mansur, que mora no Renascença desde 1945, se lembra da rotina do bairro. Era tudo muito animado na época da fábrica. No ginásio da Renascença tinha hora dançante, carnaval e baile.

A influência da fábrica foi tanta que gerou até mesmo a abertura de novas vias de acesso, como a Avenida Silviano Brandão. Isso sem contar o comércio, que cresceu em torno da Companhia Renascença. Tinha açougue, feira livre, a padaria do seu Zé, que virou lanchonete... E a primeira sapataria do bairro foi do meu pai, conta Márcia Mansur, fazendo referência à variedade de opções disponíveis aos moradores já naquela época.

Por isso, quando a fábrica encerrou suas atividades, em 1996, o Renascença experimentou uma mudança drástica em sua rotina. O intenso comércio de produtos e serviços proporcionado pela presença da fábrica desapareceu, comprometendo o desenvolvimento da região.

Mas, atualmente, o Renascença encontra-se em fase de recuperação e tem como importante ponto comercial a Avenida Clara Nunes, principal via do bairro. No lugar da fábrica hoje há um centro universitário, que, segundo Márcia Mansur, trouxe mais movimento ao bairro.

VALORIZAÇÃO

O mercado imobiliário na região também tem um novo fôlego. Boa parte das casas foi substituída por prédios e, gradualmente, a região volta a ser valorizada. Apesar de ser formado por moradores antigos, como conta Márcia Mansur, há muitos apartamentos à venda, avaliados, em média, por R$ 154.452, conforme pesquisa realizada em setembro pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Fundação Ipead/UFMG). Esse valor segue a classificação socioeconômica do Renascença, tido como de padrão popular pelo Ipead. Para classificá-lo nessa categoria foi levada em consideração a renda média dos chefes de família do bairro, que é inferior a cinco salários mínimos.

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