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Pioneirismo e despojamento

Empresária monta negócio que mudou a ornamentação para ambientes externos

A recém-inaugurada loja da DeckSol em BH, concretização do sonho da empreendedora Kátia Magalhães, impressiona pelo luxo e as grandes dimensões

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postado em 10/03/2014 14:35 Márcia Maria Cruz /Estado de Minas
"A proposta é encontrar peças diferentes. Na hora da composição, você pode usar algo clássico com uma peça única" - Kátia Magalhães, empresária
A recém-inaugurada loja da DeckSol em Lourdes, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, surpreende pelas dimensões. São cinco andares, com diferentes ambientes criados por mobiliário de piscinas, varandas e também para áreas internas, como salas de jantar e escritórios. Também uma infinidade de adornos, jogos de jantares e de chá, taças, almofadas, luminárias. Uma verdadeira DisneyWorld para quem gosta e acompanha as tendências de decoração e arquitetura. O espaço é a concretização do sonho da empresária Kátia Magalhães Drummond Costa e Silva, pioneira em Minas em decoração de ambientes externos. Com projeto de Ângela Roldão, o edifício também abriga quatro apartamentos, dois dúplex e dois tríplex, que a empresária pretende alugar. A loja conta com mais de 10 mil itens de decoração, cada um deles escolhidos por Kátia, que sabe até mesmo quando um deles é retirado do lugar. Casada com Gladstone Costa e Silva, ela toca o negócio juntamente com os filhos Daniel e Patrícia. Em entrevista ao Estado de Minas, ela fala sobre sua trajetória, tendências de decoração e expectativas para o setor em 2014.

Qual foi o seu primeiro contato com a decoração?

Há 28 anos, pensei em trabalhar com alguma coisa. Sempre gostei de decoração desde criança. Desde cedo, sabia que iria gostar de mexer com isso. Trouxe de casa esse interesse. Minha mãe, Célida Magalhães Drummond, numa época que ninguém assinava revistas de decoração, assinava revistas importadas. Ela adorava e passou esse gosto para mim, meu irmão Cassius e minha irmã Júnia. Minha mãe morreu há seis anos. Mas já idosa ela planejava como iria compor a mesa para cada encontro com os filhos. Para aquela época, a nossa casa era diferenciada. Eu e minha irmã dormíamos em um quarto lindo. A cama era de dossel, quando ainda não era comum. Depois passou a ser mais habitual. As meninas falavam que nosso quarto parecia de cinema, de princesa. O nosso quarto de brinquedo era como se fosse um circo. O teto era pintado de verde com vinho com aquelas listras de lona de circo. No chão tinha uma maré pintada. As crianças ficavam enlouquecidas com o nosso quarto de brinquedos. Certo dia, encontrei-me com uma vizinha que não via há um tempo. Éramos amigas aos 7 anos. E ela me disse que eu era o tema da terapia que ela fazia. Pensei na hora o que teria feito de tão mal a ela. Então, ela me disse que até hoje ela falava do meu quarto de brinquedos.
Arquivo Pessoal
Quando você decidiu estudar decoração?

Estudei decoração no Inap, mas me casei nova. Meu tempo era para criar os meninos. Não tinha vontade de trabalhar como decoradora. Meu desejo era abrir um negócio nessa área. Havia duas ou três lojas boas em Belo Horizonte, mas nada que fosse bacana para produtos da área externa. Era tudo igual. Fui para São Paulo, viajei para vários lugares para procurar coisas diferentes. Então, percebi que faltava uma loja de mobiliário de área externa diferenciado, mais bacana e com material diferente. Abri o negócio em 1985.

Como foi o processo de abertura da primeira loja?

A primeira loja foi aberta na Avenida Afonso Pena, perto da Praça da Bandeira. Era numa esquina e toda aberta. Eram toldos, mas sem fechamento de paredes. O visual chamava muito a atenção, mas, por, estarem expostos, os móveis se sujavam muito. Quando chovia também era complicado.

Quando você resolveu abrir a loja do Ponteio?

Pediram o espaço da Avenida Afonso Pena para a construção de um prédio. Tempos antes do lançamento do Ponteio, fui procurada, mas fiquei em dúvida se o empreendimento iria dar certo. Esperei dois anos. Foi muito bom ter ido.

Você foi pioneira com móveis para áreas externas.

Ninguém trabalhava com mobiliário para área externa e material de alumínio. Não tinha fornecedores, então surgiu a necessidade de abrir uma fábrica própria para desenvolver os produtos. Com isso, passei a ter liberdade de criação, poderia atender o profissional de decoração e arquitetura, além de ter modelos exclusivos.

Quem é o responsável pelo design?

Tudo é a gente mesmo quem faz. Temos bons designers que desenvolvem produtos para a fábrica. Atualmente, meu filho Daniel é o responsável pela indústria.

Você começou com mobiliário externo, mas expandiu para ambientes internos também.

Até pouco tempo, 90% de nossos produtos eram de mobiliário externo. Atualmente, compro do mundo inteiro. Temos boas representações, designers e bons produtos . Queremos que o nosso cliente possa fechar conosco a casa inteira.

Como você faz a pesquisa de tendências?

Busco referências em feiras de design, em revistas e muitas viagens mundo afora. São várias tendências e a escolha exige criatividade e ousadia. A proposta é encontrar peças diferentes. Na hora da composição, você pode usar algo clássico com uma peça única, como é o caso desse armário indiano (a peça fica no escritório de Kátia). É uma peça única, toda de ferro, da linha industrial - que é algo que está se usando muito. Tenho uma mesa de madeira versátil, que pode tanto funcionar como mesa de jantar ou de escritório ou até mesmo um aparador. Então, em um ambiente, misturo um armário industrial, mesa de corte contemporâneo e um espelho veneziano.

Arquivo Pessoal
A Itália é uma referência em design de móveis, mas você não se prende muito apenas a lugares referendados na hora de escolher as peças?


Sigo o feeling na hora de comprar. Você já percebeu como as casas estão muito iguais ultimamente. Você olha uma revista de decoração e, às vezes, nem percebe que mudou de casa quando passa as páginas. As apostas são no básico: bege e cinza. As casas ficam sem personalidade. As pessoas têm medo de usar algo diferente e não ficar bom. Mas cada peça tem que ter uma história.

Quando você passou a trabalhar também com adornos?

Para fazer a ambientação da loja do Ponteio levava coisas da minha casa. Os clientes queriam comprar, mas eu não queria vender. Brincavam que estava como a dona Ritinha, que é uma senhora que fazia caixas lindas para vender, mas se apaixonava por todas e desistia. Certo dia, estava na Oscar Freire, em São Paulo, e ouvi uma pessoa me chamar de dona Ritinha. Era uma cliente que sempre foi louca para comprar um aparelho de chá inglês que eu não vendia por dinheiro nenhum. Tenho outra história engraçadíssima. Tinha um casal de raposas grandes que comprei há muitos anos. O raposo usava uma calça tipo montaria e colete vermelho com botões dourados e a fêmea saia xadrez, tipo kilt escocês. Todo Natal eu colocava o casal na vitrine e as pessoas queriam porque queriam comprar. Eu dizia que não iria vender minhas raposas e até hoje não vendo por preço nenhum. Algumas coisas são históricas e têm um valor sentimental. As pessoas queriam os adornos, então surgiu a vontade de ampliar o leque de produtos para vender, mas já não tinha espaço na loja do Ponteio. Aumentou a vontade de construir uma loja na rua.
Kátia toca o negócio com a filha Patrícia, companhia de viagens em busca da vanguarda em design - Arquivo Pessoal Kátia toca o negócio com a filha Patrícia, companhia de viagens em busca da vanguarda em design
Foi então que você resolveu construir a nova sede da DeckSol?

Comprei uma casa antiga em Lourdes e resolvi construir. Foram seis anos, muito tempo. Foi uma obra complicada, porque tivemos que encomendar muitas peças sob medida. É concreto, granito bruto, aço corten e vidro. Todos os vidros são duplos. A loja e os apartamentos ganharam vários prêmios de arquitetura e decoração em Belo Horizonte e São Paulo.

Qual o perfil do cliente da DeckSol?

As pessoas de bom gosto. A loja é luxuosa, mas não queremos que fique rotulada como de produtos impossíveis. Temos produtos para todo gosto e todo preço. A arquitetura do prédio pode intimidar um pouco, mas temos condições de ter preços bons. Temos coisas caras, com preços médios e baratas. Começamos a fazer lista de casamentos com a vantagem de que os noivos podem trocar os presentes repetidos por qualquer peça da loja.

Quais as expectativas para o setor de decoração em 2014?

Este ano, as pessoas estão com o pé atrás. Teremos que trabalhar mais do que já trabalhamos. É um ano muito duvidoso. A expectativa com a Copa do Mundo é negativa. Pode ser que as pessoas comprem antes. Mas durante os jogos as pessoas estarão envolvidas com o futebol. Será um ano mais complicado mesmo. A expectativa é para um ano difícil.

Tags: decoração

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