Comentários
600

A polêmica do amianto

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
E-mail para a coluna: coluna@precisaconsultoria.com.br

06 de março de 2011
- A simples menção da palavra amianto é suficiente para causar certo desconforto, uma vez que essa fibra natural utilizada na fabricação de telhas e caixas-d’água, cuja exposição está ligada a doenças como câncer de pulmão e fibrose pulmonar, já foi banida em 58 países.

No Brasil, tramitam 70 projetos de lei, nas esferas municipal e estadual, que propõem igual medida no país, cujo fundamento é o reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde (OMS) do potencial carcinogênico do amianto, aliado ao fato de que a solução mais eficiente para o controle dessas doenças é a interrupção de seu uso e a substituição por material alternativo.

Como as estatísticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que 100 mil trabalhadores morrem em decorrência da exposição ao amianto, um estudo recente do Núcleo de Economia e da Tecnologia da Unicamp concluiu que as nossas indústrias têm tecnologia para substituir a substância a custos competitivos, o que não traria impactos econômicos significativos.

As pesquisas partiram de um levantamento efetuado em lojas de material de construção para um mesmo produto, no caso a telha de dimensões 2,44 metros X 0,50m X 4mm, considerada a mais usual entre os consumidores, cujo preço sem amianto era da ordem de 10% inferior àquela fabricada com amianto.

Com a adoção de novas tecnologias pelos fabricantes, o estudo indica que a diferença tende a cair ainda mais, uma vez que, segundo informa a Abifibro, entidade que reúne empresas fabricantes de produtos em fibrocimento, tais como telhas e caixas-d’água, que não utilizam o amianto, mesmo as empresas que ainda têm, em sua linha, produtos com amianto também oferecem outros sem o mineral.

De acordo com especialistas, essa substituição recai sobre matérias-primas à base de polipropileno (PP), uma resina produzida em larga escala no Brasil, ou poliálcool vinílico (PVA), que ainda necessita ser importada da China ou do Japão.

Com relação aos impactos econômicos de uma eventual proibição desse mineral, o estudo aponta que estes recairão prioritariamente sobre o município de Minaçu, no estado de Goiás, onde se encontra localizada a mina de amianto, sendo considerados pequenos para o estado e para a União, podendo as perdas serem compensadas com o desenvolvimento de outras atividades.

Por outro lado, existem aqueles que discordam do referido estudo e contestam suas conclusões, especialmente os associados do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC), que reúne os produtores de amianto, começando pelo elemento custo, uma vez que, segundo a entidade, os produtos desses fabricantes custam 30% menos que aqueles fabricados com tecnologia alternativa, salvo os que produzem os próprios insumos, como o caso do polipropileno.

Além disso, informam que o estudo não abordou a questão da durabilidade dos produtos fabricados com a utilização do amianto, com ampla vantagem sobre os demais, como o caso da telha, que tem vida útil de 70 anos, enquanto a de polipropileno dura 10 anos.

* Sócio da Precisão Consultoria e autor do Guia de negócios imobiliários – Como comprar, vender ou alugar seu imóvel

Outros Artigos

ver todas
13 de março de 2017
21 de novembro de 2016
24 de outubro de 2016
26 de setembro de 2016
01 de setembro de 2016