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Mercado imobiliário

Mudanças de padrão

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postado em 17/04/2011 10:39 / atualizado em 17/04/2011 10:41 Francisco Maia Neto /Especial para o Estado de Minas
Acredita-se que dificilmente houve período tão próspero na compra e venda de imóveis, especialmente no seguimento residencial, como o atual, cujo setor apresenta significativos números. Recordes de produção e comercialização são superados a cada semestre, um fenômeno que não se via no país desde o chamado “milagre econômico”, assim denominado pelo regime militar no início dos anos 1970.

Essa situação desencadeou uma série de consequências, especialmente nos grandes atores desse mercado. A indústria de materiais e as construtoras experimentam crescimento vertiginoso e o seguimento de comercialização assiste a uma significativa mudança de perfil, caracterizado pela concentração, decorrente de fusões que se assemelham aos conglomerados financeiros, com direito a abertura de capital com lançamento de ações na bolsa de valores.

Todo esse esplendor registrado no mercado imobiliário traz também grandes alterações no produto comercializado, em que ocorreram significativas mudanças, que decorrem não só da necessidade de atrair o público desse contingente de consumidores ávidos por adquirir imóveis, como de se adequar às novas realidades que o país experimenta.

A observação dos projetos e dos panfletos publicitários destaca mudanças interessantes na distribuição dos espaços físicos, especialmente nas áreas privativas, mas também nas áreas comuns das edificações, o que se reflete na forma de apresentar o produto e na própria nomenclatura dos ambientes.

Isso se deve à significativa alteração nos hábitos da população, seja decorrente de fatores econômicos, sociais ou físicos, que interferem diretamente na forma de concepção do produto imobiliário, que podemos considerar uma mudança de cunho objetivo, mas também na maneira de apresentá-lo ao público, que tem caráter subjetivo.

No que se refere às áreas comuns, seguramente a maior alteração observada foi na garagem, em função da crescente motorização da população brasileira, cuja demanda das famílias, resultou no aumento da oferta por vagas, assim o apelo dos imóveis que era de duas unidades por apartamento passou a quatro, acrescidas de um box individual.

A área de lazer evoluiu significantemente, uma vez que o apelo inicial era pela existência da piscina no prédio, acrescida de uma quadra simples, o que se expandiu para o conceito atual, cuja grandiosidade resultou no que o mercado denominou condomínio-clube.

Outro item de grande relevância de abrangência geral é segurança, cujas iniciativas primitivas direcionavam para a colocação de interfones, que, posteriormente, ganharam câmaras, portões eletrônicos e códigos nos elevadores, itens que evoluíram para a construção de guaritas, que ganharam a presença de porteiros 24 horas, portarias tipo clausura e sofisticados sistemas de identificação dos usuários, como leitura da íris e clips nos carros para acionamento dos portões.

Já as áreas privativas sofreram uma readequação dos espaços, com notória diminuição de alguns dos cômodos para redimensionamento de outros, o que levou aos antigos imóveis que possuíam apenas a suíte do casal a ofereceram banheiros em outros quartos. Nas partes sociais, existe uma transformação que privilegia o conforto e a praticidade, como o caso das antigas cozinhas americanas, que se transformaram em espaços gourmet, e dos itens já obrigatórios e antes mais raros, como espaços e instalações para a totalidade dos eletrodomésticos, que evoluíram para paredes com sugadores de pó.

Isso tudo dá uma idéia do dinamismo desse fascinante mercado, sendo muito difícil prever algum tipo de evolução, ainda que direcionemos para países mais evoluídos, mas certamente as futuras transformações estarão relacionadas à tecnologia, onde muitas surpresas poderão surgir.

* Engenheiro e advogado, sócio da Precisão Consultoria e autor do Guia de negócios imobiliários – Como comprar, vender ou alugar seu imóvel

E-mail para esta coluna: coluna@precisaoconsultoria.com.br

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