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Revitalização do Centro

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Todos aqueles com mais de 40 anos devem se lembrar de que grande parte de nossas demandas por produtos e serviços nos levaram a buscar a região central da cidade, ainda que os mais jovens dessa faixa etária já tenham convivido com a oferta também em outras partes da cidade, para onde se deslocam os polos de crescimento, enquanto as novas gerações só se acostumaram com os shoppings como referência de compras.

Aqueles um pouco mais velhos, na casa dos 60 anos ou mais, têm uma referência ainda mais forte das áreas centrais, como lugares de esplendor e riqueza. Existia até mesmo um glamour em morar nessas regiões, o que contrasta fortemente com a realidade atual, cujo cenário é cada dia mais degradado e inseguro.

Essa foi uma realidade trazida pela colonização portuguesa. Naquele país, a situação não foi diferente, onde os municípios também experimentaram esse processo de transformação, entre eles a milenar cidade do Porto, no Norte do país, cuja região central perdeu nos últimos 40 anos mais da metade de sua população, deixando vazios cerca de 20% dos imóveis no local.

O processo de abandono do Centro dessa cidade originária de um povoado pré-romano anterior ao nascimento de Cristo pode ser atribuído a fatores diversos. Entre eles, a ausência de infraestrutura urbana, o incentivo à construção de novos prédios e o surgimento de cortiços, que sequer se conectaram à rede de esgotos, aliado à conformação urbanística, com ruelas estreitas, ausência de vagas de garagem e deficiência do transporte público. Isso levou a maioria de seus 1,3 milhão de habitantes a escolher morar fora da mancha urbana.

Em 2004, surgiu a ideia de criar um programa batizado de Porto Vivo, por meio de um órgão denominado SRV – Sociedade de Reabilitação Urbana, existente em cidades com problemas de esvaziamento de suas regiões centrais, formado apenas por capital público e dotado de todos os poderes para promover ações que visem atingir sua finalidade, consistindo em desapropriar prédios degradados, forçar suas vendas ou reformas e até mesmo determinar demolições.

Nessa ação, em apenas quatro anos foram firmados 139 acordos para reabilitação ou restauração de edifícios. Isso provocou profundas mudanças, sendo o caso mais emblemático o do Quarteirão das Cardosas, que resultou na extinção dos cortiços e a criação de uma praça, que abriga cafés e livrarias, além de um hotel cinco estrelas.

Não obstante o visível sucesso da iniciativa, existem aqueles que apontam defeitos nessas intervenções, especialmente em decorrência do enorme poder que as SRVs concentram, o que pode resultar na transferência de propriedade de pequenas senhorias para grandes investidores. No entanto, certamente não é isso que vem ocorrendo, pois essa modelagem tem demonstrado uma capacidade de mudança global de área central, com benefícios para toda a população.

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