A arquiteta Iara Santos quis criar atmosfera acolhedora para o Escritório da Chef de Cozinha
Em cada canto da mostra Morar Mais, o visitante é surpreendido com infinitas possibilidades para redecorar a casa, boas, bonitas e baratas. Mostrando como é possível otimizar os espaços, a arquiteta Iara Santos transformou o local que antes era um pequeno depósito no elegante Escritório da Chef de Cozinha. Um espelho amplia o ambiente e cria uma sensação de acolhimento, reafirmada pelo papel de parede com textura em linhão, que se repete de forma parecida na persiana. O mobiliário foi especialmente desenhado por Iara, predominando as linhas retas e cores escuras, e o piso flutuante diminuiu a geração de lixo. Um aplique de adesivo decorativo, que poderia ser a mão divina despejando os temperos, traz o ar lúdico e tira a sobriedade, como pontua a arquiteta. Detalhe para os nichos com dois pratos que lembram a temática da proposta. "Quis dar um clima de aconchego, sofisticação, como um escritório feminino, não queria que fosse uma extensão da cozinha. Os adesivos com flores humanizam e dão suavidade ao espaço, e também usei os demais elementos para tirar a formalidade", explica Iara.
Na Saleta de Leitura, de Ivan de Mello e Ricardo Yanicelli, do painel desconstruído em madeira de pínus, a mesma usada para transporte de frutas e que tem excelente absorção sonora, explode uma chaise do mesmo material que se torna o grande destaque, com iluminação pontual para leitura e ergonomia perfeita. "O mobiliário é modernista, com reedições dos anos 50, 60 e 70. É um local para se refestelar, relaxar, criando uma interação com a sala de estar do apartamento", diz Ivan.
Cadeira em formato de tulipa, poltrona de fibra de vidro, estante com design inovador, mesa para computador e painel de aço inox escovado para exposição de croquis. O moderno em uma casa antiga dá o tom para o profissional que precisa de um espaço de trabalho inspirador. "O objetivo é expor um ambiente com atmosfera de prazer e bem-estar que atenda à proposta de sustentabilidade da mostra (espaços ecologicamente corretos, sofisticados e de custo acessível)", afirma Rosângela Brandão Mesquita, que assina o Estúdio do Publicitário, em parceria com o Shopping Minascasa.
Ivan de Mello na Saleta de Leitura e Alessandra Marise no banheiro A Palavra Viva: requinte e bem-estar
No canto do chão, por exemplo, um baú feito de material reciclado (madeira e plástico) traduz o compromisso com o meio ambiente; um painel de gesso tem iluminação direcionada para a mesa de trabalho; na parede, uma chapa de inox com aço escovado expõe croquis e peças gráficas elaboradas pelo profissional; e uma estante recebe objetos de coleção, como uma vitrola. Junto à parede, um antigo guarda-roupa se transforma em armário para acolher os materiais de trabalho (papelaria básica, canetas e pinceis). O charme fica com as molduras em baixo relevo nas portas, que recebem estofado e tecido retratando histórias em quadrinho.
No banheiro A Palavra Viva, os arquitetos Alessandra Marise Dutra de Moura Lima e Cristiano Lima Fernandino, homenageiam Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes, fortificando a interação entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro. "O piso em concreto que imita madeira de demolição é uma lembrança ao poeta Drummond. O piso Copacabana e as impressões de superfícies lembram o universo de Vinicius de Moraes, promovendo a integração cultural. A bandeja em retalhos de vidro mostra a preocupação com o orçamento acessível", conta Alessandra.
No Banho Público Linguagem Masculina, de Gabriel Marinho e Lucas Gouvêa, a tecnologia está a favor da sustentabilidade. O sistema do mictório tem sensor de movimento que ajuda na economia de água, e a pia é acionada no pé. Detalhe em estampas de jornal do porcelanato que reveste as paredes, uma bancada moderna que facilita a circulação, e o piso em porcelanato imitando chapas de metal, como explica Gabriel. "Pensamos em um espaço com a cara do homem, com higiene e sem desperdício", conta. A utilização de materiais nada nobres para criar um local requintado foi a tônica do Bar da Palavra, dos arquitetos Junior Piacesi e Denise Macedo. Usado tradicionalmente em tapumes e andaimes de obra, o madeirite rosa se trasformou em mesa e bancos, revestidos em verniz marítimo para dar mais durabilidade, como se trata de uma área externa. A iluminação alternativa foi conseguida com caixas de passagem em cimento em forma de luminárias.
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