Lixo?! Não, decoração!

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O globo espelhado era parte da decoração de uma festa. O globo espelhado era parte da decoração de uma festa. "Depois do evento, eles jogaram fora porque ele estava quebrado. Peguei para mim e colei os espelhinhos de volta". Os tecidos da cortina foram sobras de outra festa
Na quitinete do estudante de arquitetura Luis Eduardo Sarmento, 21 anos, clássicos não têm vez. Tampouco aqueles móveis branquinhos, tinindo, saídos das mais descoladas lojas de decoração da cidade. "Quando me mudei para cá, há três anos, minha mãe queria que eu comprasse móveis. Eu não queria nada, aí comprei tudo branco, só o necessário. Pô, sou arquiteto, achei que tinha que usar isso a meu favor. Aí comecei a mudar o cenário", conta. Aos poucos, os básicos que ele tinha em casa foram dando lugar às próprias criações. Tudo por lá tem um significado, uma história e uma função - mesmo que seja só decorativa, afinal, trata-se da casa de um arquiteto. Detalhe: quase tudo o que integra o ambiente foi, um dia, lixo ou estava pronto para ser descartado.

Da escrivaninha, feita com restos de uma mesa, passando por uma cama e uma porta velhas, ao porta-canetas feito de latas que guarda as réguas e canetas coloridas do estudante, tudo estaria acumulado em depósitos não fosse a criatividade de Luis Eduardo. Nem a geladeira escapou ilesa - ganhou formas geométricas coloridas imantadas. "Eu mudo de lugar quando quero e as outras pessoas que vêm aqui também podem mexer. É interativo", explica. A cortina bege já estava lá quando ele se mudou. Mesmo assim, o estudante arrumou um jeito de deixá-la com seu jeito. Restos de chita que sobraram da decoração de uma festa da faculdade foram adicionados. "Eu gosto do colorido. É uma brincadeira com o limite entre o que é cafona e o que é bonito", justifica. Lembra a ideia dos murais? Pois ele tem dois em casa que não custaram nem um centavo. O primeiro, de fotos, é uma placa de metal de uma antiga mesa. O segundo é a própria parede, na qual os amigos escrevem poemas e recados.
A mãe insistia para que ele comprasse um guarda-roupa. Ele se recusava a ter um tradicional. O de metal foi garimpado numa galeria de móveis usados. “Me lembra armários de escola americana. Acho mais estiloso.” - A mãe insistia para que ele comprasse um guarda-roupa. Ele se recusava a ter um tradicional. O de metal foi garimpado numa galeria de móveis usados. “Me lembra armários de escola americana. Acho mais estiloso.”

Muitas pessoas e gostos

Se a moradia for coletiva e de supremacia masculina, organizar a bagunça pode ser tarefa um pouco mais penosa. "Homem geralmente é mais bagunceiro. Por isso, é preferível deixar de lado as prateleiras e trabalhar com armários fechados em locais estratégicos. No quarto, na sala, embaixo da escada, se tiver uma. Aí eles podem jogar tudo lá dentro sem problemas!", ilustra a arquiteta Alessandra Leite. No caso de um cantinho alugado, a dica é descartar mudanças definitivas, como armários planejados e embutidos. Uma solução mais econômica e eficiente é usar cestos e caixas organizadoras. Existem opções de papelão, em vime ou em plástico, com preços bastante flexíveis. Tudo bem se não conseguir combiná-las: misturar cores, materiais e tamanhos e empilhar tudo faz parte do improviso e, no final, acaba dando certo.

Outro problema para quem mora em república é agradar a todos. Uma peça acima de qualquer conflito é um painel para fotos e recados, sugere a designer de interiores e arquiteta Raquel Ribeiro. "Foto é universal. Seja deles mesmos, de momentos bacanas ou da família, para matar a saudade". E, nesses casos, a criatividade é diretamente proporcional à economia. Vale metal, papelão, EVA ou qualquer outro material alternativo e amigo do bolso. Além das fotos, esses paineis podem servir de mural de recados dos colegas.

Na sala, é melhor descomplicar. Móveis modulares, que podem ser arrastados com facilidade, um sofá mais leve e poucos complementos para facilitar o fluxo dos moradores. "O melhor é deixar o espaço mais flexível porque, numa república, o número de habitantes é variável, então, chegando mais um, dá para mudar tudo de lugar sem problemas", lembra a arquiteta Alessandra Leite. Fica a dica: no lugar de poltronas pesadas, melhor pufes e sofás soltos. Nesse caso, menos é mais: mais prático, mais barato e em sintonia com a tendência minimalista.
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