Postura pop: arquiteto aponta tendências da Feira de Milão

Arquiteto Eraldo Pinheiro, que há 26 anos frequenta a Feira de Milão, aponta tendências apresentadas na edição de 2010 e revela o nascer de uma nova forma de pensar o design

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postado em 30/08/2010 10:44 Lilian Monteiro /Estado de Minas
Inovações de tecidos criaram estofados espetaculares. Mistura de material e alto relevo - Moroso/Divulgação Inovações de tecidos criaram estofados espetaculares. Mistura de material e alto relevo
30 de agosto de 2010 - Pela antecedência da organização do evento para depuração dos produtos, a crise financeira internacional que estourou em setembro de 2008 só se refletiu na Feira de Milão deste ano. No entanto, pela seriedade da promoção, trabalharam duro para o desenvolvimento de objetos, ainda que tenham sido mais comedidos em todos os sentidos. Na análise do arquiteto Eraldo Pinheiro, que há 26 anos acompanha o maior acontecimento cênico mundial do design, houve novidades e genialidades: “A mente criativa do designer independe da situação e se supera quando é posta à prova”.

Antes de qualquer lançamento, objeto inovador ou ideia fantástica, foram especiais nesta edição as discussões que ocorreram no salão teórico, dentro da Universidade de Milão. Como estudioso que é, filósofo, Eraldo acha fundamental exaltar o surgimento de um novo pensamento. “Think Tank – O futuro do presente” foi o tema proposto pelos debatedores da feira, que discutiram em laboratórios a evolução do design ao lado da economia e de uma postura ecológica e social: “A imagem do tanque de guerra é a arma do bem a partir do pensar. E o subtítulo é um jogo do tempo verbal e a realidade. É o momento de achar soluções. A proposta é que o design não se distancie dos problemas mundiais, vença as dificuldades ao lado das questões da sociedade para um novo mundo de paz e sustentabilidade”.

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Um exemplo? “Foi-se o tempo de criar um saco para sentar cheio de garrafa pet, com design discutível, panfletário e grosseiro. Foi atingido o requinte e a sutileza na solução da sustentabilidade com o avanço da tecnologia. Agora, é preciso estar seguro e pensar a ergonomia, a poesia e a beleza. Há oito, 10 anos, quando o Brasil começa a repulsa diante do móvel de madeira, na Europa as primeiras florestas ecossustentáveis completavam 30, 40 anos e já se podia projetar com a madeira novamente. Atitude certa para não se tornar xiita. Aqui, madeira é com selo, apresentado e obrigatório. Lá é impensável não tê-lo. A cromagem europeia é ecológica, no Brasil está em extinção, caso não adote a mesma solução externa.”

Eraldo Pinheiro ressalta que a nova maneira de fazer design é ligá-lo à postura pop e ao cotidiano - Cristina Horta/EM/DA Press Eraldo Pinheiro ressalta que a nova maneira de fazer design é ligá-lo à postura pop e ao cotidiano


Eraldo enfatiza que o design italiano é purista, hermético, preocupado com a forma, de boas matérias e linhas retas: “No movimento de olhar para o mundo, a nova maneira de fazer design está ligada à postura pop. A vida no dia a dia. Os irmãos Campana foram importantes nesta mudança ao usar pedaços, cacos, resíduos e atitude verde. O novo design precisa ter ligação imediata com o cotidiano, seja na forma engraçada ou poética”. Ele cita a criação de uma poltrona com concha tradicional, limpa, perfeita, com uma manta de bolinhas de madeira costurada com fios de aço inspiradas nas usadas pelos motoristas de táxis. Ou mesmo o sofá na forma de uma tulipa cortada ou ainda na cadeira em forma de máscara do carnaval de Veneza: “A ideia é aproximar o design de temas cotidianos”.

Um reflexo da crise foi notado no estandes. Conforme Eraldo, em tons de cinza, bege e branco. Cores discretas, sem grandes riscos e ousadias: “Por outro lado, investiu-se em tecidos. A renovação ocorreu, principalmente, nas texturas. Foco no alto-relevo. Destaque para a mistura de couro com tecido”. Já nos móveis, pequenas evoluções. Destacaram-se os sofás modulares: “Outro efeito da turbulência financeira: vender para todo mundo. Peças que se encaixam em vários ambientes. Aliás, os sofás saíram dos blocos italianos e investiram na pesquisa de volumes mais delgados”. Como peças que sobressaíram, o arquiteto cita a iluminação Wall Pierce: “Exemplo da ligação com a cultura pop representado por duas arandelas com iluminação de LED fixadas na parede”.
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