Luxo que encantou a classe média

Parcela da população que até alguns anos atrás não tinha acesso ao serviço de decoração devido ao preço, agora aproveita a popularização do planejamento para enfeitar a casa

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postado em 01/04/2011 13:09 Júnia Leticia /Estado de Minas
Ambientes com estilo e projetados conforme o desejo do morador atraem a atenção de consumidores que dão preferância ao pagamento parcelado, mas são extremamente exigentes quanto à qualidade final - Fotos: Eduardo de Almeida/RA Studio Ambientes com estilo e projetados conforme o desejo do morador atraem a atenção de consumidores que dão preferância ao pagamento parcelado, mas são extremamente exigentes quanto à qualidade final
Já faz algum tempo que se preocupar com a decoração da casa era um luxo a que poucos tinham acesso. E mais do que colocar um enfeite aqui outro ali para alegrar o ambiente, o trabalho tem o poder de aumentar o bem-estar dos moradores, conferindo aconchego. Isso já foi descoberto pela classe média, que cada vez mais investe no design de interiores. Profissionais das mais diversas áreas notam o crescimento do interesse pela decoração dessa parcela de consumidores.

A arquiteta e designer de interiores Letícia Dias diz que a demanda aumentou há pouco mais de um ano. "Notamos esse crescimento em nosso escritório durante todo o ano de 2010", observa. Esse movimento tem reflexos em vários setores da economia, como o moveleiro. Diretor comercial do Grupo Mendes Guerra, das marcas Sava, W Moveis e Atelier, Rafael Mendes diz que vem percebendo o interesse da classe média na decoração faz cinco anos. "Os clientes buscam uma maior identidade com o seu lar, ou seja, uma casa mais com sua cara. Isso pode ser notado na grande procura por decoradores e no crescimento das empresas e lojas que fabricam móveis."

Superintendente do Shopping Minascasa, Alexandre Botelho também verifica este aumento. De acordo com ele, um dos motivos é o crescimento do poder aquisitivo da classe C. "Além disso, uma grande migração de novos moradores para o Vetor Norte da cidade tem motivado a compra de móveis e decoração", completa.Essa mudança na condição socioeconômica gerou, ainda, uma alteração na mentalidade deste segmento da população, como verifica a arquiteta e designer de interiores Flávia do Prado. "Como a renda do brasileiro aumentou, as pessoas estão buscando conforto em suas casas, se preocupando com a qualidade de vida e uma casa bonita e bem decorada."

Leia a continuação desta matéria:
Mudanças para o novo cliente
Estratégia de economizar

A restrição de crédito para compra de veículos e a saturação das necessidades de eletroeletrônicos são outras razões para o direcionamento dos recursos financeiros para o designer de interiores. "Nestes dois últimos casos, o consumidor transferiu a compra para móveis e decoração, pois existia uma demanda reprimida em função dos incentivos a esses produtos (eletro e veículos) nos dois anos anteriores", explica Alexandre.
Rafael Mendes, diretor comercial do Grupo Mendes Guerra - " title="" /> "Os clientes buscam uma maior identidade com o seu lar, ou seja, uma casa mais com sua cara" - Rafael Mendes, diretor comercial do Grupo Mendes Guerra

Com isso, o sonho de ter uma casa em que o design de interiores é uma preocupação passou a ser uma realidade para milhões de consumidores, como avalia Rafael Mendes. "A valorização do mercado de móveis acompanha a tendência de expansão da construção civil, que vem ocorrendo, principalmente, nos últimos anos no Brasil."

O diretor comercial do Grupo Sava destaca o efeito cascata produzido pelo maior interesse pelo design de interiores em decorrência do aumento do poder aquisitivo da classe média. "A aquisição de um novo imóvel, seja ele residencial ou comercial, é acompanhada, na maioria das vezes, pela demanda de um novo mobiliário e pela assistência de um profissional de decoração", diz Rafael Mendes.

EXIGÊNCIA

Mas o fato de contar com menor poder aquisitivo que o público B, por exemplo, não significa que a classe média descuida-se da qualidade. "Não existem grandes diferenciais em termos de exigência. Os dois públicos querem design e qualidade. Mas classe a média tem um pouco mais de preocupação com o preço e opta mais pelas compras a prazo", observa Alexandre.

Letícia Dias diz que, no caso de arquitetos e decoradores, os projetos são desenvolvidos independente da classe social. Tendo como ponto de partida o equilíbrio entre a estética e a funcionalidade, o que diferencia os públicos é a importância que cada segmento atribui a itens do projeto. "A classe C não trocaria a funcionalidade pela estética. Já os públicos das classes A e B, apesar de prezarem pela praticidade, algumas vezes optam por um produto apenas por sua aparência", verifica a arquiteta.
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