O couro nada mais é que a pele curtida de animais. Esse material nobre já era apreciado há muito tempo no antigo Egito. Registros históricos dão conta de pedaços de couro curtido nessa região por volta de três mil anos A.C. Mas, esse material não era apenas exclusividade dos egípcios. Na China, já eram fabricados objetos de couro bem antes da Era Cristã. No Brasil, o uso desse revestimento se intensificou com a colonização.
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Na decoração, o couro tem o seu lugar, devido à sua nobreza, beleza e requinte. Comum em sofás, cadeiras e poltronas, esse material comprova sua versatilidade e firma seu posto de glória mostrando que cai muito bem também em mesas, tapetes, bandejas, paredes, cabeceiras de cama, painéis, maçanetas, puxadores, luminárias, cortinas, cobre leitos, caixas, porta-retratos, criados, armários e até mesmo no chão. Qualquer peça ou espaço pode receber esse material para um toque mais contemporâneo e, ao mesmo tempo, clássico.
Todavia, deve-se tomar alguns cuidados ao usar o couro nos ambientes. O exagero pode deixar os espaços muito rústicos
A arquiteta Myrna Porcaro explica que animais criados em cativeiro podem ter suas peles legalizadas, como o crocodilo e o avestruz, porém as mais usadas são as de origem bovina. “O couro natural é tratado nos cortumes para amaciar e perder o cheiro. O couro sintético também é bastante utilizado, tem melhor preço, várias cores e texturas”. Myrna diz que o couro pode ser inserido em qualquer ambiente, inclusive em paredes de lavabos e banheiros comerciais, mas deve ser evitado onde há vapor. “Bandejas de couro, petisqueiras, podem ser lavadas com água e sabão, desde que secas prontamente”.
O couro pode receber vários acabamentos, pinturas e texturas, pontua a arquiteta Flávia Soares, que aponta a característica de não ser possível ter um superfície grande sem que haja costura, por se tratar da pele de animais. Em quartos, salas, escritórios, o material de destaca pela alta durabilidade, e ganha mais atrativos no espaço quando usado de forma elegante, sem exageros, dá a dica Flávia. “Fica interessante usar um móvel revestido em couro, para que ele se destaque no ambiente
Além da durabilidade, o uso do couro na decoração também acontece em função da sustentabilidade, na opinião de Flávia Soares. “Todo mundo come carne de boi, o que torna o uso do seu couro uma necessidade. Sem aquela falsa hipocrisia: eu não incentivo a matança de animais. Eu apenas uso o material de animais que já são mortos pela necessidade do homens de se alimentar, e não aprovo o uso do couro de outros animais como crocodilos e piton”. Quanto aos acabamentos, Flávia afirma que o couro pode ser acolchoado (espumas), felpudo, sem pelos, pelos curtos como o couro de vaca, lavado e tingido em inúmeras cores.
MALEÁVEL
Para as sócias da Formato Arquitetura e Projetos, Janaína Pedrosa Krollmann e Nágila Amaral Pedrosa, o couro é um material muito versátil, que tem por característica a maleabilidade e a facilidade no tingimento, o que permite uma vasta gama de cores. “Hoje existem também várias opções de couros sintéticos e ecológicos que possuem grandes variedades em texturas e tons. Na decoração, o material, quando aplicado aos objetos e/ou móveis, imprime personalidade ao ambiente”, afirmam.
O couro, extraído dos animais abatidos, é tratado e tingido até obter a textura adequada para o uso ao qual se destinará, e o tratamento definirá o acabamento final a ser obtido, que pode ser macio, como as camurças, lisos, brilhantes, com aspecto envernizado, entre outros, continuam Janaína e Nágila. “Antes de sua utilização, é necessário que sejam observados alguns critérios, que levem em conta as características do material e as demandas do ambiente. Devem ser analisados, por exemplo, a facilidade na manutenção e limpeza, que tipo de linguagem ele quer passar. Assim, o couro pode ser aplicado a vários tipos de móveis e peças, desde aquelas com aspecto mais rústico até as peças com acabamento mais fino e moderno”. A tecnologia no tratamento, as opções de tingimento e texturas ofereceram ainda mais possibilidades de apropriação do material, até que ele se consolidasse na decoração como sinônimo de durabilidade, requinte e conforto, enfatizam as arquitetas.
Versatilidade na aplicação
Por se tratar de um material nobre que proporciona luxo e descontração ao mesmo tempo, conforme a proposta concebida para o local onde será inserido, pode ser especificado de maneiras diversas, de acordo com as designers de interiores Márcia e Melina Mundim, da Mmmundim Interiores. “O couro definitivamente é um material sempre bem vindo em um projeto de decoração”. Elas explicam que, desde que não fique exposto às intempéries, que podem ocasionar o aparecimento de rachaduras, o couro fica bem em qualquer local. “Desde o mobiliário a um revestimento de parede ou um pequeno detalhe como um adorno, o couro é capaz de dar elegância ao espaço”, ressaltam.
Com um pano úmido e logo após um seco se consegue tirar a poeira e qualquer tipo de sujeira em um estofado em couro, segundo as designers, e não é recomendável o uso de produtos químicos, tais como álcool, alvejantes, vinagre, óleo, dentre outros. “Uma vez por mês pode-se limpar o móvel a seco com água e sabão hidratante ou neutro. Esfregue delicadamente o sabão sempre no sentido das fibras do couro com o pano e retire-o por completo com outro pano limpo e umedecido em água. Deixe secar e, se quiser, dê lustro. É importante que o couro seja hidratado uma a duas vezes por ano. Passe vaselina líquida principalmente onde apresentar rachas devido ao ressecamento. Finalize com flanela seca. Os líquidos derramados sobre o mobiliário em couro devem ser removidos o mais rápido possível, evitando a sua absorção. Caso contrário ocorrerá o aparecimento de manchas”, concluem Márcia e Melina Mundim.