Couro na decoração

Couro leva nobreza para os ambientes da casa

Uso da pele curtida de animais na decoração continua na moda devido ao requinte e à beleza no acabamento em diversos tipos de objetos, que vão do sofá às paredes

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postado em 12/02/2012 07:00 / atualizado em 10/02/2012 07:51 Joana Gontijo /Lugar Certo
Para Janaína Pedrosa Krollmann e Nágila Amaral Pedrosa, da Formato Arquitetura e Projetos, a flexibilidade do produto permite sua aplicação em vários locais, como neste painel para televisão - Eduardo Almeida/RA Studio Para Janaína Pedrosa Krollmann e Nágila Amaral Pedrosa, da Formato Arquitetura e Projetos, a flexibilidade do produto permite sua aplicação em vários locais, como neste painel para televisão

O couro nada mais é que a pele curtida de animais. Esse material nobre já era apreciado há muito tempo no antigo Egito. Registros históricos dão conta de pedaços de couro curtido nessa região por volta de três mil anos A.C. Mas, esse material não era apenas exclusividade dos egípcios. Na China, já eram fabricados objetos de couro bem antes da Era Cristã. No Brasil, o uso desse revestimento se intensificou com a colonização.

Veja mais fotos do uso do couro na decoração

Na decoração, o couro tem o seu lugar, devido à sua nobreza, beleza e requinte. Comum em sofás, cadeiras e poltronas, esse material comprova sua versatilidade e firma seu posto de glória mostrando que cai muito bem também em mesas, tapetes, bandejas, paredes, cabeceiras de cama, painéis, maçanetas, puxadores, luminárias, cortinas, cobre leitos, caixas, porta-retratos, criados, armários e até mesmo no chão. Qualquer peça ou espaço pode receber esse material para um toque mais contemporâneo e, ao mesmo tempo, clássico.

A designer de interiores Márcia Mundim considera o tecido um clássico que nunca sai de moda - Eduardo Almeida/RA Studio A designer de interiores Márcia Mundim considera o tecido um clássico que nunca sai de moda
“A tendência, agora, é vestir os móveis com couro para um ar moderno. Nesse caso, o couro réptil, liso e o croco ganham espaço ao estabelecerem conexão com o mundo da moda. Além disso, é um material que oferece diversas opções de cores, tingimentos e texturas, sem falar nas possibilidades de aplicação”, ressalta a arquiteta Estela Netto.

Todavia, deve-se tomar alguns cuidados ao usar o couro nos ambientes. O exagero pode deixar os espaços muito rústicos. Para evitar esse efeito, Estela aposta nos revestimentos com couro sintético em algumas peças: “A dica é revestir a mesa ou o aparador, por exemplo, para conferir um tom contemporâneo e ainda antenado às questões ambientais. Dessa forma, consegue-se destaque sem errar na decoração”.

A arquiteta Myrna Porcaro explica que animais criados em cativeiro podem ter suas peles legalizadas, como o crocodilo e o avestruz, porém as mais usadas são as de origem bovina. “O couro natural é tratado nos cortumes para amaciar e perder o cheiro. O couro sintético também é bastante utilizado, tem melhor preço, várias cores e texturas”. Myrna diz que o couro pode ser inserido em qualquer ambiente, inclusive em paredes de lavabos e banheiros comerciais, mas deve ser evitado onde há vapor. “Bandejas de couro, petisqueiras, podem ser lavadas com água e sabão, desde que secas prontamente”.

A arquiteta Myrna Porcaro diz que o material sintético oferece maior diversidade de cores e texturas, além de ser mais barato - Eduardo Almeida/RA Studio A arquiteta Myrna Porcaro diz que o material sintético oferece maior diversidade de cores e texturas, além de ser mais barato
O couro é um material já nobre por si só, com textura, propriedades e temperatura que retêm a sensação de aconchego e aquecem os ambientes, pontua a arquiteta. “Sendo assim, pessoalmente, gosto de valorizar as peças em couro mesclando com produtos de materiais mais frios como aço, vidro, espelhos, pedras naturais, etc. Desde a época das cavernas até os dias de hoje, passando por todos os tempos, épocas e estilos, o couro sempre esteve presente na decoração em todas as versões”.

O couro pode receber vários acabamentos, pinturas e texturas, pontua a arquiteta Flávia Soares, que aponta a característica de não ser possível ter um superfície grande sem que haja costura, por se tratar da pele de animais. Em quartos, salas, escritórios, o material de destaca pela alta durabilidade, e ganha mais atrativos no espaço quando usado de forma elegante, sem exageros, dá a dica Flávia. “Fica interessante usar um móvel revestido em couro, para que ele se destaque no ambiente. Pode também usar um tapete com outro tipo de textura, para realçar. A atmosfera é de conforto e acolhimento. Tecnologias de tratamento do couro de boi tornaram o material mais bonito e macio”.

Além da durabilidade, o uso do couro na decoração também acontece em função da sustentabilidade, na opinião de Flávia Soares. “Todo mundo come carne de boi, o que torna o uso do seu couro uma necessidade. Sem aquela falsa hipocrisia: eu não incentivo a matança de animais. Eu apenas uso o material de animais que já são mortos pela necessidade do homens de se alimentar, e não aprovo o uso do couro de outros animais como crocodilos e piton”. Quanto aos acabamentos, Flávia afirma que o couro pode ser acolchoado (espumas), felpudo, sem pelos, pelos curtos como o couro de vaca, lavado e tingido em inúmeras cores.

MALEÁVEL

Para as sócias da Formato Arquitetura e Projetos, Janaína Pedrosa Krollmann e Nágila Amaral Pedrosa, o couro é um material muito versátil, que tem por característica a maleabilidade e a facilidade no tingimento, o que permite uma vasta gama de cores. “Hoje existem também várias opções de couros sintéticos e ecológicos que possuem grandes variedades em texturas e tons. Na decoração, o material, quando aplicado aos objetos e/ou móveis, imprime personalidade ao ambiente”, afirmam.

O couro, extraído dos animais abatidos, é tratado e tingido até obter a textura adequada para o uso ao qual se destinará, e o tratamento definirá o acabamento final a ser obtido, que pode ser macio, como as camurças, lisos, brilhantes, com aspecto envernizado, entre outros, continuam Janaína e Nágila. “Antes de sua utilização, é necessário que sejam observados alguns critérios, que levem em conta as características do material e as demandas do ambiente. Devem ser analisados, por exemplo, a facilidade na manutenção e limpeza, que tipo de linguagem ele quer passar. Assim, o couro pode ser aplicado a vários tipos de móveis e peças, desde aquelas com aspecto mais rústico até as peças com acabamento mais fino e moderno”. A tecnologia no tratamento, as opções de tingimento e texturas ofereceram ainda mais possibilidades de apropriação do material, até que ele se consolidasse na decoração como sinônimo de durabilidade, requinte e conforto, enfatizam as arquitetas.

Versatilidade na aplicação

Por se tratar de um material nobre que proporciona luxo e descontração ao mesmo tempo, conforme a proposta concebida para o local onde será inserido, pode ser especificado de maneiras diversas, de acordo com as designers de interiores Márcia e Melina Mundim, da Mmmundim Interiores. “O couro definitivamente é um material sempre bem vindo em um projeto de decoração”. Elas explicam que, desde que não fique exposto às intempéries, que podem ocasionar o aparecimento de rachaduras, o couro fica bem em qualquer local. “Desde o mobiliário a um revestimento de parede ou um pequeno detalhe como um adorno, o couro é capaz de dar elegância ao espaço”, ressaltam.

"O couro definitivamente é um material sempre bem-vindo em um projeto de decoração" - Melina Mundim, designer de interiores
Márcia e Melina mostram que, antigamente, o couro era tingido com uma cor sólida, única, mas com o tempo foi evoluindo e adquirindo uma estética diferenciada. “A sua composição com outros materiais é que vai definir a originalidade do ambiente. O couro com a madeira traz aconchego, ao passo que a especificação do mesmo com metal ou aço inox proporciona um clima contemporâneo”. Além de possuir alta qualidade, para elas o couro é sempre tendência, clássico, nunca sai de moda. “Sua versatilidade é grande aliada dos projetos de interiores oferecendo requinte e qualidade ao mesmo tempo. Sua textura traz aconchego através de seu aspecto natural. Ele deixa de aparecer apenas nos estofados para ganhar espaço em qualquer proposta”.

Com um pano úmido e logo após um seco se consegue tirar a poeira e qualquer tipo de sujeira em um estofado em couro, segundo as designers, e não é recomendável o uso de produtos químicos, tais como álcool, alvejantes, vinagre, óleo, dentre outros. “Uma vez por mês pode-se limpar o móvel a seco com água e sabão hidratante ou neutro. Esfregue delicadamente o sabão sempre no sentido das fibras do couro com o pano e retire-o por completo com outro pano limpo e umedecido em água. Deixe secar e, se quiser, dê lustro. É importante que o couro seja hidratado uma a duas vezes por ano. Passe vaselina líquida principalmente onde apresentar rachas devido ao ressecamento. Finalize com flanela seca. Os líquidos derramados sobre o mobiliário em couro devem ser removidos o mais rápido possível, evitando a sua absorção. Caso contrário ocorrerá o aparecimento de manchas”, concluem Márcia e Melina Mundim.

Tags: ambientes

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Ferdinando - 12 de Fevereiro às 11:09
Todo mundo come carne de boi uma ova! a senhora se esqueceu que existem vegetarianos?

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