Decoração

Chita leva colorido para os ambientes

Tecido se popularizou no Brasil e ganhou aspectos requintados em bolsas e roupas. Nas casas, criatividade leva o material de origem indiana a locais que vão da mesa à parede

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postado em 11/03/2012 07:00 / atualizado em 12/03/2012 11:13 Joana Gontijo /Lugar Certo
A empresária Aparecida Figueiredo diz que o pano acompanha tendências e está aberto a releituras para ser usado de várias formas dentro dos projetos para residências e lojas - Eduardo Almeida/RA Studio A empresária Aparecida Figueiredo diz que o pano acompanha tendências e está aberto a releituras para ser usado de várias formas dentro dos projetos para residências e lojas

Originada na Índia, ela chegou ao Brasil na época da colonização portuguesa e logo ganhou adeptos. Aliando baixo custo e um clima de alegria, a chita ressurge como tendência e concorre de igual para igual com tecidos mais nobres. À base de algodão em uma matéria-prima chamada morim, trabalhada em estampas de cores fortes, essencialmente florais, ela se popularizou e, ao ser produzida por aqui, trouxe impresso o jeito simples e brejeiro de viver dos brasileiros. A moda hora está em mais evidência, hora fica um pouco esquecida, mas, sempre que utilizada na decoração, leva aos ambientes um toque jovem e despojado, com muita personalidade.

Veja mais fotos do uso da chita na decoração

O tecido é caracterizado pela predominância das matrizes primárias e secundárias (vermelho, azul, verde, laranja e amarelo) em massas chapadas que cobrem totalmente a trama e grafite delineando os desenhos, pontua o arquiteto e designer Cioli Cássius Stancioli. Ele explica que o nome vem do sânscrito “chintz” e surgiu na Índia medieval, tendo conquistado a Europa antes de chegar em terras tupiniquins. Produzida pelos indianos entre os anos de 1600 e 1800, a chita era bastante popular como roupa de cama e também usada em patchworks. “Por volta de 1600, mercadores portugueses e holandeses a levaram para a Europa. A chita veio para o Brasil com os europeus a partir de 1800. O tecido passou por várias melhorias até chegar ao que temos hoje. Após ser remodelada em um longo processo burocrático, cultural e financeiro, passou a ser fabricada em nosso país. O custo foi barateado, tornando populares as peças confeccionadas com o material, transformando-o em um dos ícones da identidade nacional”, diz Cioli.

Atualmente, diversos artigos para o lar podem ser feitos em chita, desde pontuados em acessórios ou usados em maior escala no ambiente: cúpulas de abajur, cobertura de cadernos, livros e outros itens de escritório, almofadas, cortinas, paineis, revestimento de forro ou parede, toalhas de mesa, poltronas, cadeiras, bancos, quadros, pufes, adornos, bandejas,
Azul, vermelho, verde, laranja e amarelo são as cores que marcam esse tecido, segundo o arquiteto e designer Cioli Cássius Stancioli - Eduardo Almeida/RA Studio Azul, vermelho, verde, laranja e amarelo são as cores que marcam esse tecido, segundo o arquiteto e designer Cioli Cássius Stancioli
acabamento de vasos, porta-retratos, molduras de espelhos, mantas, passadeiras, entre outros. Segundo Cioli, a identidade do Brasil com a chita é grande, tanto que o tecido é muito utilizado em festas populares. “Esta identidade está se voltando agora para a decoração, que tem se tornado mais livre de conceitos preconcebidos e valorizado muito a cultura nacional. De tempos em tempos, ela ganha ainda espaço em passarelas, galerias de arte, vitrines e palcos, quando estilistas, artistas plásticos, designers e outros criadores redescobrem estas estampas e as incorporam em suas produções”, afirma.

Variedade

Para a microempresária Aparecida Figueiredo, da Aparechitas, a história deste tecido mostra a trajetória da alma brasileira, com um efeito que reflete passado, presente, trabalho, festa, criação, arte e infância. “A chita pode ser inserida na decoração de diversas formas, inclusive de maneira mais arrojada. As estampas acompanham tendências. Como em tudo na moda, pode ser feita uma releitura, chegando a novos conceitos, possibilitando para a decoração um leque extenso e muito criativo. Ela se recicla, se reinventa e conquista espaço. Antigamente, a chita era usada como um tecido de custo mais baixo e de pouca qualidade, mas isso mudou com as inovações de produção”.

Aparecida produz peças para uso doméstico com chita, e seu trabalho, como frisa, se baseia na linha de cama e mesa, incluindo ainda porta-guardanapos, bolsas, redes, porta- refratários, porta-tesouras, almofadas, sousplats, jogos americanos, Divinos Espírito Santos, além de telas. “Meu público é diferenciado, mas principalmente pessoas que têm casas de campo ou fazendas e, de modo geral, que adoram uma casa alegre e antenada com o mundo atual. Os valores dos produtos são acessíveis e eu faço questão de viabilizar a compra para todos aqueles que se encantam e valorizam meu trabalho”, conta. Para Aparecida, como o custo da chita é bem em conta (entre R$ 5 e R$ 25 o metro, aproximadamente), isso possibilita o uso e abuso em diversas situações, o que vai do gosto de cada um. “É possível brincar com a chita para tudo parecer o mais feliz possível. A vibração de suas cores e a variedade de suas estampas tornam os ambientes mais alegres e aconchegantes, levando para a casa descontração, luz, vida”.

IDENTIDADE BRASILEIRA

De acordo com a arquiteta e designer de interiores Juliana Goulart, quando chegou ao Brasil a chita se transformou em um ícone da decoração. “A qualidade do material foi aprimorada ao longo dos anos e a área têxtil conseguiu incorporar de maneira evidente os padrões desenvolvidos com perfeição pelos indianos. Especificada em projetos de interiores, a originalidade estará presente no ambiente. Uma simples aplicação pode romper a monotonia do local e trazer personalidade”, acentua.

Para a arquiteta Marina Dubal, além de poder ser usada em móveis e revestimentos, a chita pode inserir na decoração um detalhe que dê vida e personalidade ao espaço - Eduardo Almeida/RA Studio Para a arquiteta Marina Dubal, além de poder ser usada em móveis e revestimentos, a chita pode inserir na decoração um detalhe que dê vida e personalidade ao espaço
A designer e artista plástica Stella Lopes também gosta de lançar mão de retalhos de chita na composição de seus projetos, preferencialmente mesclados a artigos contemporâneos ou mobiliário sessentista, seu predileto. A designer não recomenda se restringir a colocar a chita apenas em ambientes externos. “Essa é uma tendência que vai e volta. Ressurge quando nos distanciamos muito das nossas origens e temos necessidade de retomá-las. Sabendo usar, a atmosfera pode ser extremamente sofisticada”.

A aplicação da chita requer bom senso na mistura das cores que serão usadas no ambiente, como das paredes , forro e piso, orienta a arquiteta Bernadette Corrêa. Dependendo do resultado pretendido, ela acrescenta que pode-se até misturar várias estampas de chita num mesmo espaço, mas os tons devem ser compatíveis . “O ideal também é usar a chita em locais claros, com muita luz, para valorizá-la. Ela confere aos espaços um tom alegre, jovem, pop”, finaliza.

Para a arquiteta Marina Dubal, além de poder ser usada em objetos, móveis e revestimentos, a chita pode inserir na decoração um detalhe que dê vida e personalidade ao espaço, mas ela considera ser importante ter uma orientação profissional, já que o tecido tem uma estampa muito colorida e marcante que, se utilizada em excesso, pode ficar cansativa. “O material pode ser colocado em qualquer tipo de ambiente, desde o quarto até a sala principal, varandas, áreas externas e internas. A principal vantagem é o alto poder decorativo que uma pequena peça de chita pode ter”.

Combinar a decoração usando a chita em vários itens de casa requer cuidado para não extrapolar o bom gosto. Destacar pouco objetos é a recomendação de especialistas - Eduardo Almeida/RA Studio Combinar a decoração usando a chita em vários itens de casa requer cuidado para não extrapolar o bom gosto. Destacar pouco objetos é a recomendação de especialistas
A arquiteta lembra que, para usá-la na composição dos ambientes, o ideal é que a base seja neutra, como em tons de cinza, branco, bege e marrom, pois isso dá mais destaque à peça. “Caso queira colocar alguma cor além da chita, use alguma tonalidade que faça parte da estamparia, em tons menos fortes ou pasteis. Não há necessidade, e nem é indicado, que os objetos e móveis combinem 100% com a cor da estampa. Pelos seus tons e estamparia, a chita pode criar um ar jovem e irreverente, se usada em peças maiores, ou criar um contraponto em locais mais sérios e austeros, quebrando a rigidez e dando um toque de vivacidade. Afinal, cores vivas são sempre bem-vindas na decoração, desde que usadas com cuidado”.

Tags: cor

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Sonia - 04de Março às 09:22
Gostei da reportagem, muito bom saber que a chita está em evidência. Pena que vai encarecer. Porém, não posso deixar de avisar à Joana Gontijo que "A moda hora está em mais evidência, hora fica um pouco esquecida," está errado. Hora, substantivo, é fração do dia. Deveria usar ORA, advérbio.

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