Projetos de arquitetura e decoração podem encontrar equilíbrio na desigualdade e deixar de lado a rigidez

Simetria é um dos princípios da arquitetura, mas é possível brincar com a harmonia das formas e as disposições de objetos em casa para criar ambientes contemporâneos

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postado em 08/04/2012 12:29 / atualizado em 10/04/2012 12:26 Júnia Leticia /Estado de Minas
A designer de ambientes Talita Ferraz diz que o excesso de simetria em projetos de decoração pode resultar em rigidez e até mesmo monotonia dentro de casa - Eduardo Almeida/RA Studio A designer de ambientes Talita Ferraz diz que o excesso de simetria em projetos de decoração pode resultar em rigidez e até mesmo monotonia dentro de casa
A busca pelo equilíbrio é uma constante em diversas áreas do conhecimento. Esse aspecto pode ser expresso pela correspondência, como se cada lado fosse uma imagem espelhada do outro. Um dos princípios básicos em projetos de arquitetura, a simetria busca criar ordem no espaço e facilitar a compreensão do ambiente. Mas, por outro lado, esse conceito pode mostrar rigidez.

Na arquitetura, a simetria é considerada um princípio infalível para os projetos e desenhos, como explica a designer de ambientes Talita Ferraz. "Dá-se com a igualdade de ambos os lados, tanto em formas como revestimentos, seguindo uma linha precisa e organizada", diz. De acordo com Talita, em um espaço simétrico, é possível alcançar um equilíbrio estático, que é clássico para um visual organizado e alinhado. "Porém, quando utilizada em excesso, corre-se o risco de sugerir um resultado rígido e levemente pincelado pela monotonia", comenta.

Veja mais fotos de móveis assimétricos

Como exemplo de ambiente simétrico, a designer conta que o conceito é muito aplicado em quartos de casais, onde, geralmente, há uma cama no meio e criados aos lados. "Mas o interessante é alcançar, por meio do design nessa mesma disposição simétrica, a utilização de móveis diferenciados, revestimentos sobrepostos nas paredes, proporcionando, de forma subjetiva, uma pequena assimetria no ambiente", sugere Talita.

Para a designer de interiores Raquel Brum, o conceito na arquitetura está relacionado ao equilíbrio visual da casa ou do espaço projetado. "É mais comum a possibilidade do projeto simétrico em espaços mais amplos ou na fachada de uma edificação. Esse aspecto remete mais à unidade e padronização de elementos visuais, repetição de soluções", considera.

A simetria na arquitetura se dá quando é possível determinar um eixo central, conforme a arquiteta Marina Dubal, "em que ambas as partes, direita e esquerda, são iguais. Qualquer ambiente pode ser simétrico, desde que tenha esse equilíbrio focado em um eixo central", explica. A profissional confirma que esse equilíbrio visual passa a sensação de que os espaços estão mais organizados e harmônicos. "No entanto, um ambiente organizado não precisa, necessariamente, ser simétrico. Basta um bom projeto e acompanhamento profissional para que isso aconteça", completa Marina.

Para a arquiteta Renata Basques, a simetria se torna interessante em qualquer área, porque tudo que segue esse conceito é mais harmônico e belo aos olhos. "A simetria na arquitetura é utilizada baseada nesse princípio. Uma sala de estar, por exemplo, com sofás do mesmo tamanho, cria um ambiente e, ao entrar, temos a sensação de aconchego."

UNIDADE


Saber escolher entre linhas retas e medidas iguais e a ousadia das curvas depende, sobretudo, do gosto dos moradores - Marina Dubal/Divulgação Saber escolher entre linhas retas e medidas iguais e a ousadia das curvas depende, sobretudo, do gosto dos moradores


Nos outros ambientes, cabe o mesmo princípio, conforme Renata. Por isso, a arquiteta acredita que os ambientes que seguem esse conceito se adapta em qualquer estilo de decoração. "São muito utilizados em ambientes mais clássicos, mas se encaixam perfeitamente em espaços minimalistas. Isso vai depender mais do estilo dos materiais empregados do que da simetria. Conseguimos estabelecer uma unidade visual com a simetria, mas isso não quer dizer que ela deverá ter um estilo definido", explica.

Entretanto, isso não significa que o uso da simetria é uma regra que deve ser sempre buscada. "Não é preciso seguir a rigidez quando estamos falando da decoração de um espaço. Claro que a simetria é interessante esteticamente, pois tudo que é simétrico é proporcional e, portanto, belo", ressalta Renata Basques.

A arquiteta acredita que, em alguns casos, a assimetria pode gerar bons resultados. "Às vezes, a falta de simetria pode ser positiva, além de uma opção para sair do lugar comum, já que é tão utilizada na decoração e na arquitetura", admite Renata. Além disso, a assimetria é contemporânea e permite maior flexibilidade na hora de alterar peças e até o leiaute.

Estética fora dos padrões
Fugir do que está predeterminado em decoração pode surtir ótimos resultados e, ao contrário do que possa parecer, resulta em ambientes mais harmônicos e confortáveis

A arquiteta Renata Basques diz que, dependendo do tamanho do apartamento, é preciso observar a altura dos móveis, como cadeiras e poltronas - Eduardo Almeida/RA Studio A arquiteta Renata Basques diz que, dependendo do tamanho do apartamento, é preciso observar a altura dos móveis, como cadeiras e poltronas
A assimetria também se encaixa em qualquer estilo de decoração. “Na atualidade, utilizamos assimetria quando queremos quebrar um pouco os padrões. Não há a necessidade de sermos o tempo todo simétricos ou assimétricos. Não existem mais regras quanto à obrigatoriedade de um estilo, seja ele clássico ou contemporâneo”, diz a arquiteta Renata Basques.

Para a designer de ambientes Talita Ferraz, a ousadia é a característica dos ambientes que não têm o que podemos denominar como outra espécie de equilíbrio na arquitetura e no design de interiores. “O uso desse equilíbrio dinâmico foi um grande passo para aflorar a criatividade nos projetos modernos”, considera. No entanto, para se obter um resultado satisfatório, é necessário que sejam analisados todos os princípios de proporção e equilíbrio entre as formas e cores no espaço, conforme Talita.

Definir pontos que chamam atenção fora do eixo do ambiente é recomendação da arquiteta Marina Dubal para criar proposta estética -  Eduardo Almeida/RA Studio Definir pontos que chamam atenção fora do eixo do ambiente é recomendação da arquiteta Marina Dubal para criar proposta estética
A arquiteta Marina Dubal diz que uma sugestão é o projeto partir de uma proposta estética que definirá pontos focais fora do eixo do ambiente. “Pode ser uma cadeira de design ou uma obra de arte. No caso da simetria, atualmente, remete a ambientes mais clássicos, com composições mais estáticas e austeras.” Mas os ambientes não precisam abrigar somente um dos dois conceitos. É possível encontrar em um mesmo espaço características pertencentes aos dois princípios. “Podemos projetar um ambiente de disposição simétrica em volumes, porém, utilizando móveis com cores e desenhos distintos”, explica Talita Ferraz.

No caso da assimetria, a designer de ambientes explica que um ambiente que tem essa característica revela uma percepção visual que não é espelhada. “Seja em um móvel com formas desiguais, ou uma sala onde as poltronas não têm o mesmo tecido. Apesar de proporcionar um resultado dinâmico, o importante é sempre equilibrar ambos os lados por meio da proporção dos volumes”.

Marina Dubal diz que os critérios de escolha das peças dependem de um todo, que é o projeto. “Por isso, o ideal é que haja acompanhamento profissional sempre. Caso contrário, o investimento feito pode ser em vão e não criar o efeito necessário”, comenta a arquiteta. Para Renata Basques, antes de tudo, é preciso priorizar o conforto, privilegiando os desenhos mais limpos e retos. “Atualmente, como os espaços são menores, também temos que observar as alturas dos móveis. Por exemplo: uma cadeira ou poltrona devem ter espaldar mais baixo para a unidade visual ficar melhor – o olho passa pelos móveis mais baixos e, assim, os ambientes parecem maiores”, explica.

ADORNOS

Com relação a objetos, Talita Ferraz aponta a utilização de quadros com tamanhos e fotografias desiguais. “Esculturas com diversas alturas, peças de arte distribuídas sutilmente, adornos com cores e formas diferenciadas, mas que se complementam entre si, são outras opções.” De acordo com a designer de interiores Raquel Brum, há uma infinidade de adornos e pequenos móveis complementares que conferem características diferenciadas aos ambientes. “Eles podem ser encontrados em lojas de produção própria”. E para que seu uso não surta efeito contrário, ou seja, de poluir os espaços, o conselho é deixar os ambientes mais livres, com menos informação visual.

Na hora de definir os critérios para deixar o ambiente visualmente agradável, Renata Basques ressalta a necessidade de uma boa distribuição de leiaute, feita por um bom profissional. “Outro cuidado se refere à altura do mobiliário escolhido, a proporção desses para que o espaço não fique poluído”, reitera. Em todos esses aspectos, a sustentabilidade não pode ser esquecida, como ressalta Talita Ferraz. “Deve ser considerado o uso de acabamentos com materiais ecologicamente corretos, reaproveitamento de alguns móveis, dando uma repaginada no visual e a indicação de lojas que têm essa preocupação na fabricação de seus produtos.”

Espaço ajuda a definir estilos

Para escolher entre a simetria ou assimetria no ambiente, um dos critérios a ser levado em consideração – além do gosto, claro – é o espaço disponível. “De como o mobiliário e as peças poderão ser distribuídas nesse espaço. Um ambiente mais quadrado favorece a utilização de simetria, ao passo que um ambiente mais retangular gera uma tendência à assimetria”, exemplifica Renata Basques.

Segundo Talita Ferraz, o principal é o perfil do cliente, que tem os mais diversos tipos de personalidades, gostos, hábitos e costumes. “Além disso, podemos considerar também o tamanho e a dimensão do espaço, a função e o uso do ambiente, se isso proporciona fazer algo diferenciado no projeto ou se o padrão comum é a melhor solução.”

Mas a estética e a beleza não podem ficar separadas da praticidade, como enfatiza Raquel Brum. “Por isso, a funcionalidade deve ser sempre observada”, diz. E para que esse trabalho atinja todos esses resultados e esteja de acordo com as expectativas de cada cliente, a designer de interiores recomenda a contratação de um profissional, principalmente no caso de ambientes assimétricos, para assegurar a harmonia do ambiente.

Como profissionais de arquitetura e decoração têm os princípios de equilíbrio e proporção muito bem definidos ao desenvolverem seu trabalho, Renata Basques acredita que o ideal é contratá-los. “Só eles conseguem fazer com que os ambientes, assimétricos ou não, fiquem confortáveis, aconchegantes e, principalmente, belos.”

Talita Ferraz observa ainda, que, muitas vezes, sem uma assessoria especializada, a pessoa não consegue imaginar como ficará o espaço pronto com peças compradas em diferentes lojas. “Então, ela corre o grande risco de sugerir um diferencial que não se complementará com outros elementos distintos no ambiente. É preciso levar em consideração a correta aplicação de formas, volumes, cores e materiais de maneira que todas se equilibrem e tenham harmonia no visual como um todo.”

CUSTO

Deixar áreas mais livres é o conselho da designer de interiores Raquel Brum -  Eduardo Almeida/RA Studio Deixar áreas mais livres é o conselho da designer de interiores Raquel Brum
Em relação a valores, não é possível precisar o custo do projeto, já que o trabalho varia de acordo com o ambiente a ser contratado, conforme Talita. Desta forma, o preço sofre alteração em se tratando de uma casa inteira ou apenas um escritório integrado à varanda, por exemplo. “Nessa perspectiva, temos uma variação de R$ 1,5 mil a R$ 7 mil, incluindo desenhos e especificações de materiais, o acompanhamento da obra e consultoria para compra de mobiliário e adornos em lojas de minha indicação e confiança”, detalha.

Raquel Brum confirma que cada situação deve ser analisada individualmente. “Considerando que alguns projetos podem ser orçados pelo ambiente ou por metro quadrado, de acordo com o envolvimento profissional e as dificuldades a serem estudadas. Os custos variam, em média, de R$ 800 por o ambiente e R$ 50 o metro quadrado”, indica.


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Saiba as características dos ambientes simétricos e dos assimétricos

Simetria

  • Se dá quando é possível determinar um ponto ou eixo central e ambas as partes, direita e esquerda, são iguais.
  • Remete à unidade e padronização de elementos visuais e à repetição de soluções.
  • Possibilita melhor organização visual, já que tudo é equilibrado proporcionalmente.
  • O exagero na proporção, no entanto, pode gerar monotonia e ambientes estáticos.
  • Muito utilizada em ambientes mais clássicos.

Assimetria

  • É possível ousar mais na disposição dos móveis e na distribuição de volumes diferenciados, o que pode resultar, até mesmo, em ambientes mais despojados.
  • Maior possibilidade de alcançar um projeto com estilo e personalidade, sem repetições e com mistura de elementos.
  • Esses ambientes podem ser mais interativos e flexíveis.
  • O excesso de informação e a falta de noção ao dispor formas e cores podem tornar o ambiente pesado e desagradável.
  • Também há maior risco de errar na composição, uma vez que a variação de cores e texturas, quando não usadas adequadamente e excesso, pode gerar um ambiente confuso.

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Silas - 09 de Abril às 21:12
Achei a matéria espetacular, "espaço disponível" gostei deste enfoque! Gerson F.Martins Creci 16827

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