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Móveis repaginados são boas opções para renovar a decoração do lar

Investir na reforma pode ser a melhor solução para quem quer mudar a decoração da casa sem gastar muito

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postado em 06/05/2012 09:49 / atualizado em 06/05/2012 14:47 Júnia Leticia /Estado de Minas

Ívia Maia e Mirlene Saels mostram mesa de madeira de tampo refeito com azulejos antigos - Eduardo de Almeida/RA studio Ívia Maia e Mirlene Saels mostram mesa de madeira de tampo refeito com azulejos antigos


Na hora de reformar a casa, a vontade sempre é trocar toda a mobília, alternativa que pode acabar pesando no bolso do consumidor. Por isso, a repaginação surge como uma boa solução para economizar e ter ambientes personalizados. Mudar o revestimento ou a padronagem de estofados, por exemplo, surte grandes resultados.


Para fazer a transformação, o principal é ter criatividade e imaginação, como afirma a designer de interiores Andreza de Lucca Ozores. Com esses dois predicados, quase tudo pode ser repaginado e ganhar cara nova, segundo ela. “Em muitos casos, a peça pode, inclusive, ganhar funções diferentes. Um portão ou grade de janela antigos podem, por exemplo, ser transformados em biombos, tampos de mesa ou suporte para um jardim vertical. Tudo muito bonito e sofisticado”, ensina.

A mesa de canto laqueada conferiu personalidade ao ambiente - Eduardo de Almeida/RA studio A mesa de canto laqueada conferiu personalidade ao ambiente


A arquiteta e designer de interiores Valéria Alves confirma que quase todos os móveis podem ganhar novo visual. E para fazer com que isso ocorra, não há regras. “Na pior das hipóteses, é possível aproveitar o móvel por partes. Por exemplo: uma cristaleira em coluna com um bufê poderia ser separada para fazer dois móveis. Outra possibilidade é desmanchar o móvel e aproveitar puxadores, tampos, frentes de gavetas, pés decorados e talhados”, sugere.


A razão para tanta versatilidade na hora de mudar a cara dos móveis é a tecnologia empregada para a fabricação dos materiais de acabamento e revestimento, como observa a arquiteta Ívia Maia. “Todo tipo de mobiliário pode ser repaginado. O que vai realmente determinar a mudança é o gosto do cliente, a intenção do uso da peça e o quanto estará disposto a investir.”


Cômodas, criados, cristaleiras, mesas, aparadores... Enfim, são inúmeros os móveis que podem receber desde as técnicas mais simples até as mais sofisticadas, segundo a designer de ambientes Cláudia Valesca. “Podemos modificar peças antigas com um toque moderno e pessoal”, diz.


Para a designer de ambientes Mirlene sales, o mais importante é levar em consideração o gosto do cliente e 
o quanto ele pretende investir - Eduardo de Almeida/RA studio Para a designer de ambientes Mirlene sales, o mais importante é levar em consideração o gosto do cliente e o quanto ele pretende investir


É o caso da poltrona de amamentação, que perde a funcionalidade quando o filho cresce. Para quem não sabe o que fazer com essa peça, confortável, mas que remete a quarto de bebê, Cláudia sugere reaproveitá-la, “revestindo-a com um tecido moderno de patchwork e coloca-lá na sala de estar, colorindo um pouco, ou até mesmo no quarto da filha, dando um ar romântico”.


A designer de ambientes sugere, ainda, fazer uma produção inusitada, surpreendente, mas que surte um grande efeito. “Se você gosta de fotografias e leva jeito com o programa fotos, pode fazer uma montagem bem bacana com suas melhores imagens e plotar em adesivos, podendo aplicar em uma cômoda sem tirar a originalidade da peça. Fica lindo e com a sua cara”, diz Cláudia Valesca.


As opções são tão grandes que até mesmo objetos que não estão sendo mais usados podem se transformar em belas peças de decoração, de acordo com Andreza Ozores. “Um aparelho de jantar que está incompleto pode receber técnica de envelhecimento e se transformar em adorno de parede, criando linda composição na sala de jantar”, ensina.

POSSIBILIDADES Antes de começar a renovar o visual da casa, é preciso, no entanto, definir qual estilo o objeto terá. A partir daí, é escolhida a melhor técnica a ser utilizada, diz Andreza. “No caso de repaginar uma poltrona antiga para ser usada em um ambiente de decoração moderna e arrojada, fica muito interessante aplicar pintura de cor forte e brilhante.”


Nesse exemplo, vale, ainda, substituir o estofamento por revestimento sintético com estampa geométrica ou de animais, como indica a designer. “Se fosse aplicada uma técnica de pátina com estofamento em tecido floral, mesmo ficando bonita a poltrona ficaria totalmente descontextualizada, perdendo todo o charme da repaginação”, explica Andreza Ozores.

"Podemos modificar peças antigas com um toque moderno e pessoal" - Cláudia Valesca, designer de interiores

CRIATIVIDADE REVELADA
Das artesanais às mais sofisticadas técnicas de personalização, há uma infinidade de opções que podem ser adotadas para imprimir requinte à nova decoração


Técnicas para desenvolver a criatividade não faltam. E, nessa brincadeira de repaginar, podem até mesmo ser revelados dons artísticos ou descoberto um hobby. Decoupage, pátina, decapê e stucco são algumas delas. Mas, para empregá-las, é preciso saber qual utilizar em cada tipo de peça decorativa.


A designer de ambientes Mirlene Sales conta que pode-se começar com as técnicas em madeira, como decoupage, pátina, decapê, stucco, goufrato e laca, fosca ou brilhante. “Já a laminação e reamalgamação, entre outras, renovam qualquer peça que contenha vidro, inox, alumínio, bambu, acrílico e espelhos.”


A essas técnicas podem ser somados materiais para personalização, que darão um ar único às peças, “como tecidos de vários tipos e estampas (com resistência adequada), cerâmicas diversas pintadas à mão ou pré-fabricadas em HD, um puxador especial, uma foto, uma imagem de algum lugar”, aponta Mirlene.


Também há as soluções alternativas, como lembra a designer. “Não se esquecendo de materiais inusitados e ecologicamente corretos, como toquinhos de madeira, pregadores de roupa, latões... As opções hoje são infinitas. O que vai determinar é a criatividade do profissional, aliada ao resultado que o cliente deseja com a peça.”
Para se ter uma noção das mudanças possíveis, a arquiteta Ívia Maia diz que, para repaginar uma mesa, vale trabalhar os pés de madeira com laca brilhante no tom vermelho. “Para o tampo, escolher um vidro impresso com alguma imagem que tenha a ver com o conceito do espaço a ser aplicada.”


Andreza Ozores diz que há várias formas de personalizar sem desembolsar muito - Eduardo de Almeida/RA studio Andreza Ozores diz que há várias formas de personalizar sem desembolsar muito


Uma cômoda antiga revestida com tecido, na qual é aplicado um espelho no tampo, também se transforma em uma nova peça, diz Ívia. “Uma cadeira que pode ser toda acolchoada com um novo tecido e faz-se uma pátina nos pés fica nova. Já uma cristaleira escura em um ambiente mais claro pode receber um goufrato branco e novos puxadores. E, pronto! Uma nova peça”, acrescenta a arquiteta.


Antes de investir nessas ideias, Valéria Alves ressalta que é melhor pensar na utilização do móvel para depois pensar em materiais. “Para cada utilização há um tipo de material. A diversidade é muito grande: podem-se usar vidros, espelhos, tecidos, couro, MDF, tintas, grades, adesivos, papel de parede, entre outros. Não se pode utilizar, por exemplo, um adesivo ou papel em um móvel que ficará na bancada ao lado da pia da cozinha, pois esses materiais não são resistentes à água”, adverte.


Obedecidos esses critérios, uma banqueta de madeira com almofada fixa no assento, antes usada no quarto, pode se transformar em banco que fará parte da decoração da cozinha. “Para isso, retire a almofada fixa e depois faça um revestimento em toda a banqueta, inclusive nas pernas, em couro”, sugere Valéria.


O mesmo vale para uma cômoda que pode estar esquecida e desvalorizada em um quarto e receber nova função na sala. Valéria Alves diz que o móvel pode receber uma pintura, novos puxadores cromados e retos. “Na parte da frente das gavetas, aplique adesivos próprios para madeira e parede, que podem ser encontrados em lojas especializadas. As cores da pintura e dos adesivos dependerão do estilo da sala e das cores existentes no ambiente.”


E o que dizer de uma grade de ferro decorada, abandonada, que serviu de portão por muito tempo? A peça pode se transformar em tampo de mesa. “Retire o excesso de tinta existente, deixando parte da tinta velha. Adapte pés de madeira pintados da mesma cor que estava o portão e sobreponha ao tampo um vidro incolor”, ensina Valéria Alves.

AVALIAÇÃO Para que esse trabalho valha a pena, é preciso considerar o estado de conservação da peça, como alerta Andreza Ozores. “Se for móvel de madeira, por exemplo, é preciso checar a existência de cupim, se os encaixes estão em bom estado e qual técnica o móvel pode receber. Em caso de estofamentos, vale considerar o estado da estrutura, assim como molas e espumas, e, por fim, se o revestimento a ser usado precisa ter elasticidade, ser mais espesso ou sintético.”
Além das condições do objeto, Mirlene Sales diz que é necessário analisar suas limitações, como a resistência. “Depois, é preciso considerar o gosto do cliente e quanto pode ou tem intenção de investir, pois os materiais mudam consideravelmente de valor dependendo do espaço em que a peça vai ficar.”


Valéria Alves também ressalta a importância de se saber como e onde a peça será utilizada antes de escolher o material com o qual será repaginada. “Se a mudança for feita em um móvel que vai ficar no banheiro, o ideal é que o material a ser utilizado seja resistente à água e à umidade. Na cozinha, faça opções por materiais resistentes à gordura, como o couro natural, o sintético e o vinil. Caso faça opção em usar um ladrilho hidráulico decorado, aplique sobre ele uma resina, para que não manche.”

Eduardo de Almeida/RA studio


BONITO E BARATO

A qualidade do móvel ou da peça, aliada ao custo para transformá-la, faz com que o investimento para dar vida nova a ele seja vantajoso. “Sempre vale a pena repaginar um móvel de qualidade ou aquele a que se tem muito apego. Ainda assim, antes de decidir, compensa fazer uma pesquisa de mercado para comparar o custo da reforma e da nova aquisição”, revela Andreza Ozores.


Se o móvel não estiver em condições muito ruins e você quiser um aspecto melhor a baixo custo, a sugestão de Andreza é substituir os puxadores antigos por outros mais modernos, seja em armários, bufês ou estantes. Caso o trabalho seja mais complexo, é necessário investir em mão de obra especializada. “Fica ruim e feio quando a repaginação apresenta aspecto de serviço realizado por amador e com muitos vestígios de reforma, seja por pintura malfeita ou por revestimento mal-aplicado”, diz a designer.


Valéria Alves também chama a atenção para móveis que estejam com danos irreparáveis, como na estrutura. “A tentativa vai apenas trazer frustração e despesa. A restauração vale para toda peça que for feita de madeira maciça. Com criatividade, encontram-se maneiras para a personalização de todos os outros tipos de móveis.”
Mas, para que o resultado alcance o efeito desejado, é preciso alguns cuidados, que vão desde a escolha do material até sua aplicação. “Mistura de muitos tipos de materiais em uma única peça, fazer qualquer trabalho nela sem antes limpar e reparar os estragos feitos pelo tempo, colar peças na madeira utilizando cola que não seja específica para esse fim não fica bom”, alerta Valéria.


Para não correr o risco de ter um móvel que não agrada ou até mesmo perdê-lo, caso você não tenha aptidão para repaginá-los, o melhor é investir no trabalho feito por profissionais especializados. Cláudia Valesca indica artistas plásticos, decoradores com cursos especializados e ateliês que fazem a recuperação de móveis antigos para executar a tarefa. “Os preços podem variar de acordo com a peça escolhida e a técnica utilizada. Geralmente, ficam em torno de uns 30% a 70% mais barato que um novo. Se o artista for você mesmo, aí a economia chega até a uns 90%.”

ECONOMIA Mirlene Sales diz que os designers de ambientes podem auxiliar no espaço como um todo, ajudando o morador a usar as peças que já tem da melhor forma. “Depois, a depender do que será feito na peça, encaminha-se a um marceneiro, vidraceiro, serralheiro, estofador, tudo de acordo com a necessidade da peça. O custo da mão de obra vai depender da complexidade do trabalho. Se o morador tiver jeito para trabalhar com a peça, pode fazer ele mesmo, comprando apenas o material necessário.”


Para quem vai contratar alguém para fazer o serviço, Andreza alerta que é preciso escolher profissionais experientes, que utilizam materiais apropriados e de boa qualidade. “Além disso, em muitos casos, a negociação financeira acaba comprometendo a qualidade do serviço, visto que a maioria das pessoas encara a repaginação apenas como um recurso barato, esquecendo que algumas técnicas podem ser bastante dispendiosas.”


Já aqueles que vão colocar a mão na massa e querem dar um apelo mais artesanal, o mais indicado é usar as habilidades manuais em móveis de madeira. “O material combina com tecidos feitos de crochê para fechamento de um vão no móvel, que antes era fechado utilizando-se um vidro”, sinaliza Valéria Alves.
O crochê pode ser aplicado, ainda, em bancos, como sugere Valéria. “Armários abertos para xícaras e pratos podem ter o fundo forrado com o mesmo recurso, com patchwork (de retalhos) ou coberto com papel personalizado, que recebeu novas cores de lápis de cor”, ensina a arquiteta.


Em sofás e cadeiras também é possível utilizar, além do crochê, tricô e bordados. “Os sofás podem receber almofadas com os materiais ou ter os braços revestidos com crochê, por exemplo. As cadeiras podem receber almofadas que se sobrepõem ao assento, presas no encosto com laços que saem dos cantos das almofadas.”


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