Equilíbrio entre sensações opostas cria ambiente exclusivo no lar

Frio e quente é uma combinação possível na decoração. O equilíbrio de materiais que transmitem essas sensações é uma ousadia que resulta em projetos de estilo

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postado em 19/08/2012 11:13 / atualizado em 19/08/2012 11:44 Júnia Leticia /Estado de Minas

Misturar o porcelanato com móveis e complementos em tons de madeira ajuda a criar um ambiente equilibrado - Eduardo Almeida/RA Studio Misturar o porcelanato com móveis e complementos em tons de madeira ajuda a criar um ambiente equilibrado

Café com gelo? Casaco no verão? Biquíni no inverno? Lareira e ar-condicionado? Elementos quentes e frios, geralmente, não formam um bom par, certo? Na decoração, não é bem assim. A mistura, nada convencional, desses dois itens pode formar excelentes combinações nos ambientes. Os elementos frios são aqueles que transmitem uma sensação térmica mais amena ao ambiente, como pedras, cerâmicas e porcelanatos. Ou mesmo aqueles ambientados com materiais que remetem a uma mesma sensação, como o alumínio, inox, vidro, entre outros.

De acordo com a engenheira civil e designer Thais Donato, as cores também podem ser usadas com o objetivo de transmitir, por meio dos tons empregados, calma, suavidade e leveza. Ela cita, por exemplo, o azul e o verde-claro. “Da mesma forma, madeira, cortinas, tapetes e cores mais fortes têm a capacidade de trazer ao ambiente uma sensação de acolhimento e bem-estar ou mesmo agitação”, explica Thais.

Há, ainda, uma grande variedade de tipos de revestimentos para deixar um ambiente mais agradável, fazendo esse contraponto de frio e quente. Para conhecer quais são os recursos que podem ser utilizados, a arquiteta Roziane Faleiro aponta como elementos quentes a madeira e derivações, tecidos e uma cor mais forte. “Elementos frios podem ser um granito, mármore e o branco em muita intensidade.”

Para auxiliar na escolha da composição, a arquiteta diz que o uso de madeira passa essa sensação de aconchego por meio das cores nos tons dos marrons e suas variações. “Nos dias frios, essa sensação quente é bem-vinda e aquece os ambientes. Os revestimentos mais neutros, utilizados em cozinha e banheiros (como o aço inox), promovem uma sensação mais fria”, explica Roziane.

Para as áreas molhadas, como cozinhas e banheiros, a sugestão da arquiteta Patrícia Guerra (E) são revestimentos neutros. Já a arquiteta Roziane Faleiro (D) que em decorações mais aconchegantes é preciso valorizar as diferenças com peças no estilo escolhido - Eduardo Almeida/RA Studio Para as áreas molhadas, como cozinhas e banheiros, a sugestão da arquiteta Patrícia Guerra (E) são revestimentos neutros. Já a arquiteta Roziane Faleiro (D) que em decorações mais aconchegantes é preciso valorizar as diferenças com peças no estilo escolhido


Na hora de trabalhar essas misturas, deve prevalecer a harmonia e a sensibilidade, de forma que o espaço se adeque ao perfil do morador, como orienta a arquiteta Roziane Faleiro. Uma forma de conseguir esse equilíbrio é manter a base com cores neutras, como branco, bege, cinza e preto, e inserir outros quentes e frios para uma combinação interessante.

A arquiteta Patrícia Guerra cita um exemplo de como fazer essa composição de forma harmônica. “Pode-se colorir a parede com o tom frio berinjela acinzentado e pontuar com a nuança quente azul-turquesa. Para complementar e deixar o espaço mais charmoso, almofadas vermelhas e adornos”, sugere.

Nas áreas molhadas, como banheiros, cozinhas e espaço gourmet, para promover uma sensação de aconchego a arquiteta indica combinar revestimentos neutros. “Como uma cerâmica branca com um porcelanato madeirado, que é de fácil limpeza”, informa Patrícia. Graças à madeira, essa combinação de texturas resulta em um espaço mais intimista, de acordo com ela.

BOA SURPRESA

Patrícia indica até mesmo soluções que, à primeira vista, podem causar estranhamento para quem não conhece os recursos disponíveis no mercado, mas surtem grandes efeitos. “Nos lavabos ou até em banheiros, papel de parede vinílico, em suas variadas formas e cores, pode trazer um outro impacto nessas áreas. Elementos coloridos, como banquetas, pufes ou uma peça bem colorida, podem quebrar a sensação de frieza e aquecer.”

Defensora do uso de opostos, a arquiteta sugere a composição com cores quentes e frias para dar personalidade aos espaços e torná-los mais atraentes. “Harmonizar cores antagônicas é tarefa fácil para quem aprecia ambientes coloridos. Já para quem prefere tons neutros, a mistura pode entrar como pontos de cores. O importante é escolher os tons chaves e ir pontuando com nuanças opostas, de forma que combinem entre si”, explica Patrícia.

Para a arquiteta Bruna Figueiredo, podem-se considerar como elementos frios o vidro, o aço e as pedras em geral. “As cores, em tons de concreto, cinza e branco, também contribuem para um ambiente frio. Logo, para aquecer o espaço, a utilização da madeira, tons terrosos, tapetes e cortinas nos traz a sensação de aconchego.”

UM EQUILÍBRIO DE SENSAÇÕES

Diversos tipos de material e cores facilitam a vida de quem aposta nos contrastes dentro de casa. Profissionais ensinam truques para manter a harmonia sem fugir dessa proposta

"O excesso de informação pode trazer ao ambiente um efeito final de peso e exaustão aos usuários", diz Thais Donato


Para quem quer fazer o contraste de frio e quente na decoração de casa, a arquiteta Virgínia Reis aponta como soluções e alternativas possíveis a mistura de peças e materiais que se contrastam. “O uso de madeira com vidro ou pedra permite criar ambientes extremamente acolhedores e, ao mesmo tempo, visualmente claros. Outra solução interessante é a utilização de móveis clássicos e peças de época em ambientes contemporâneos.”

Segundo a engenheira civil e designer Thais Donato, uma boa opção de ambientação é fazer uso de materiais que trazem equilíbrio entre formas e sensações, sempre com foco no efeito a que se tem o objetivo de apresentar. “Utilizar a madeira com vidro em ambientações ou mesmo mobiliário com linhas contemporâneas conjugado com peça rústica de destaque é uma boa maneira de se empregarem materiais contrastantes com efeito final equilibrado”, exemplifica.

Quando for fazer um projeto de um espaço que considere esse contraponto, o importante é saber identificar o perfil do usuário no ambiente a ser trabalhado, conforme Thais. “De forma a idealizar um projeto capaz de atender as expectativas das pessoas que vão usufruir do espaço”, completa.

Eduardo Almeida/RA Studio
Para que dê tudo certo, deve-se levar em conta o bom senso e o equilíbrio, como aponta a arquiteta Bruna Figueiredo. “Para isso, as escolhas devem transgredir o ambiente em si, sendo importante entender o contexto onde ele está inserido”, conta. De acordo com a arquiteta, o objetivo é surpreender, apresentando praticidade, conforto e beleza.

Esse contraponto traz identidade ao espaço e torna a ambientação mais instigante e interessante, conforme Thais. “É muito importante ambientar com foco em buscar um efeito final que surpreenda, que encante. O emprego apropriado dos tons colabora na identidade dos ambientes, com o poder de transformá-los em locais de interesse para jovens, adultos, idosos, enfermos, locais onde se busca uma identidade extrovertida ou tradicional.”

A arquiteta Roziane Faleiro também ressalta a importância de se investigar o tipo de sensação que os moradores querem imprimir a seu espaço, quando o assunto é projeto que envolve elementos frios e quentes. “Pessoas que gostam de ambientes mais modernos costumam pedir, na especificação, materiais considerados mais frios, como os porcelanatos, pedras naturais, aço inox e vidro.”

Para outros projetos, em que é solicitada uma arquitetura e decoração mais intimista, mais aconchegante, uma das indicações da arquiteta é o uso do porcelanato. “Porém, em uma versão com cara de madeira, por exemplo, imprimindo uma sensação com mais aconchego. Nesse caso, é importante valorizar o contraste com materiais e peças que trazerem a sensação desejada”, indica Roziane.

SEGREDOS


Para escolher as cores que comporão os espaços, o critério é o gosto de quem ocupa o imóvel. “Junto com fatores como o tamanho do ambiente, iluminação e seu uso. Por exemplo: em ambientes pequenos, devemos usar tonalidades claras para dar uma sensação de amplitude”, diz Bruna Figueiredo. Na escolha das peças que fazem parte desse tipo de decoração, o segredo é partir de uma base neutra de decoração. “Sofás, poltronas, mesa e marcenaria (peças com maior custo) e ousar nas cores das paredes, almofadas, adornos e peças que possam ser substituídas com maior facilidade”, indica Virgínia Reis.

Essa busca deve ser precisa, de forma a trazer ao ambiente componentes que tragam, associado ao efeito estético, equilíbrio, segurança e o alcance acertado da identidade visual do espaço, como analisa Thais Donato. Caso contrário, o resultado pode ser desagradável visualmente. “O excesso de informação pode trazer ao ambiente um efeito final de peso e exaustão aos seus usuários. Equilíbrio na idealização de um projeto é fundamental.”

Virgínia Reis confirma que qualquer utilização em exagero polui o espaço. Por isso, a arquiteta dá dicas do que deve ser evitado. “Nunca pintar todas as paredes com um tom forte, por exemplo. Se colocar algum elemento mais colorido, deve-se deixar o restante mais neutro”, aconselha.

Eduardo Almeida/RA Studio

 

DICAS: Confira como usar esses elementos opostos no lar

» Na hora de trabalhar essas misturas, deve prevalecer a harmonia e a sensibilidade, de forma que o espaço fique de acordo com o gosto do morador.

» Harmonizar cores antagônicas é tarefa fácil para quem aprecia ambientes coloridos. Já para aqueles que preferem tons neutros, o melhor é escolher tonalidades chaves e pontuar os opostos, de forma que combinem entre si.

» Para quem quer fazer esse contraste, a utilização de madeira junto ao vidro ou à pedra possibilita a criação de ambientes acolhedores e, ao mesmo, tempo clean.

» Usar a madeira com vidro em ambientações ou mesmo mobiliário com linhas contemporâneas, conjugado com peça rústica de destaque, é uma boa maneira de se empregarem materiais contrastantes com efeito final equilibrado.

» Na escolha das peças que fazem parte desse tipo de decoração, o segredo é partir de uma base neutra (sofás, poltronas, mesa e marcenaria) e ousar nas cores das paredes, almofadas, adornos e peças que possam ser substituídos com maior facilidade.

» É preciso analisar o contexto dos ambientes a serem projetados, tendo em vista sua finalidade, o perfil dos moradores e as características da região do imóvel.

OUSADIA E CORES QUE TRAZEM VIDA


Para saber o que utilizar em cada ambiente seguindo a linha dos opostos, Thais Donato diz que o mais indicado em uma ambientação é utilizar revestimentos e mobiliário de mais presença e valor econômico, sempre em linhas mais duradouras e neutras. “O segredo é investir nos detalhes, adornos com ousadia e nas cores que podem trazer mais vida e energia ao ambiente, de forma que o usuário possa com mais facilidade transformá-lo de acordo com suas novas necessidades.”

De acordo com Bruna Figueiredo, a experiência leva a orientar o que funciona e o que não funciona para cada tipo de ambiente. “Entender como o espaço será usado no dia a dia é muito importante, pois pode determinar se um tipo de material é ou não adequado. Isso também ocorre na escolha das cores e dos móveis.”

A arquiteta Virgínia Reis também ressalta a necessidade de se analisar o contexto dos ambientes a serem projetados. “Como será utilizado esse espaço? Qual o perfil das pessoas que farão uso dele? Quais as características da região? Mais úmido, mais seco, mais frio, mais quente?”

Esse aspecto vai do macro ao micro, como é o caso da escolha das peças, que devem ser usadas sem exageros. “Em uma arquitetura mais limpa, com poucos revestimentos ou revestimentos mais neutros, a decoração pode ser mais ousada ou mais intimista, de acordo com cada perfil”, informa a arquiteta Patrícia Guerra.

HARMÔNICO Assim como esses artigos, o mobiliário deve ser pensado de forma a propiciar harmonia no conjunto final, conforme Patrícia. “O uso de materiais como camurça, couro, madeira, cores na gama dos beges e marrons promove uma decoração mais intimista. O de mobiliário com vidro, aço, tons neutros, como os cinzas, podem passar uma sensação mais fria na decoração”, reforça.

Na hora de escolhê-los, é preciso, ainda, considerar as especificações referentes à manutenção, que varia bastante, já que há uma infinidade de opções disponíveis. “Um porcelanato, por exemplo, é sempre de fácil manutenção. Já as tábuas corridas, apesar de promover uma sensação térmica no inverno melhor, com mais aconchego, exigem um pouco mais de atenção e reparos no decorrer do tempo”, cita Roziane Faleiro.

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