Especialistas ensinam a usar tons escuros na decoração dos ambientes

Eles nem sempre agradam. Para vencer o receio de usá-los em casa, veja como tirar proveito destas tintas

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postado em 09/09/2012 15:03 / atualizado em 10/09/2012 10:40 Júnia Leticia /Estado de Minas
Para garantir equilíbrio e evitar ambientes sombrios, a dica é mesclar móveis mais escuros com cores em tapetes, tecidos e nas paredes - Eduardo de Almeida/RA STUDIO Para garantir equilíbrio e evitar ambientes sombrios, a dica é mesclar móveis mais escuros com cores em tapetes, tecidos e nas paredes

As cores, cada uma com sua vibração, têm o poder de influenciar quem está à sua volta, e a cromoterapia está aí para comprovar isso. Conhecendo ou não o estudo das cores, em casa usamos suas energias de acordo com as tonalidades que mais têm significado para nós. No entanto, na maioria das vezes optamos por tons claros nos ambientes, reservando as cores mais fortes para os detalhes. Mas será que usar tons escuros compromete os ambientes?

Para alguns especialistas a resposta é não. Há quem acredite que o uso de cores escuras combinadas a tonalidades claras pode render um ambiente diferente, bonito e até mesmo sofisticado. Segundo a arquiteta Sabrine Santos, lançar mão desse
Tonalidade da cor pode mudar conforme o perfil do morador dentro da casa, segundo a arquiteta Juliana Cavalcante - Tonalidade da cor pode mudar conforme o perfil do morador dentro da casa, segundo a arquiteta Juliana Cavalcante
recurso é uma tendência contemporânea e não interfere na qualidade do ambiente. Para ela, a união exata dos tons pode resultar em um projeto ousado e iluminado, mesmo com o predomínio de cores escuras.

O segredo para escolher as melhores opções, segundo Sabrine, é considerar todos os materiais que serão utilizados no ambiente e suas cores, "para que haja harmonia e para que o ambiente não fique sombrio. Por exemplo: se a cor do piso e dos móveis for muito escura, deve-se optar por cores mais claras nas paredes, nos estofados e nos tecidos (tapetes e cortinas)", diz.

A arquiteta Juliana Cavalcante observa que hoje é clara a ideia de muitos profissionais de não ousarem para não errar. "Por isso, vemos muitos projetos parecidos e em tons claros (pastéis). Isso está longe de um processo criativo. As cores trazem mais vida aos ambientes" temos que ter cuidado com os exageros. As vibrantes demonstram alegria e vida, enquanto as escuras demonstram elegância, sobriedade e austeridade", conta.

Na hora de escolher qual delas usar, os critérios são subjetivos, dependendo do perfil dos moradores. "Um quarto de uma adolescente costuma ser alegre, contando muitas vezes com cores vibrantes, pois demonstram juventude típica da idade. Outras, dependendo da personalidade, provavelmente vão preferir um quarto escuro, soturno", diz Juliana.

É necessário, ainda, fazer uma análise do local, como acrescenta a arquiteta Maria Gabriela Nogueira. "A cor que você vai escolher vai identificar o que o ambiente representará. Por isso, conhecer as cores e como elas interferem em nossas
A arquiteta Maria Gabriela Nogueira diz que a cor identifica o que o ambiente vai representar, portanto, é preciso fazer uma análise do local - Eduardo de Almeida/RA STUDIO A arquiteta Maria Gabriela Nogueira diz que a cor identifica o que o ambiente vai representar, portanto, é preciso fazer uma análise do local
impressões é um bom caminho para estabelecer critérios que ajudem na escolha das cores e tonalidades a serem utilizadas nos ambientes."

Maria Gabriela revela que as cores são responsáveis por evocar sensações, como de frio e calor, aumento ou redução dos espaços e até movimento e repouso. "As cores escuras - quentes, em questão - são psicologicamente dinâmicas e estimulantes. Ambientes com elas sugerem movimento, excitação, atividade e fazem com que os objetos pareçam maiores, mais densos e pesados do que realmente são. Acredito que para ambientes mais modernos e arrojados devemos optar por cores escuras" sugere.

PERFIL

Para a decoradora Jussara Alvim, uma das sócias do escritório A3 Arquitetura e Interiores, ao lado de Helena Antunes e Alessandra Almada, a escolha de cores deve considerar a atividade praticada no espaço. "Se for para um quarto, por exemplo, devemos escolher tons mais neutros, não cansativos, pois se trata de um ambiente de relaxamento. Canela, camurça e chocolate compõem bem, considerando, é claro, as devidas proporções. O que não impede de usarmos tons mais arrojados em alguns detalhes", diz.

Já para uma área social, como espaço gourmet, cores quentes são extremamente bem-vindas, conforme a decoradora. "Tornam o ambiente acolhedor. Hoje em dia, é muito comum as pessoas fazerem a cozinha preta e branca. Uma dica para ´quebrar´essa frieza é usar detalhes como o vermelho ou ferrugem, ou usar uma mesa de madeira", indica Jussara.

Liberdade para todas as cores

Com um pouco de cautela e orientação é possível levar os tons escuros a vários pontos da casa. Investir apenas em alguns espaços é a saída para os menos corajosos

Salas de estar e de jogos, quartos de brinquedos e home theater são alguns dos espaços nos quais as cores escuras, quentes, vibrantes e alegres são bem-vindas. "Esses tons são ideais para ambientes mais aconchegantes e dinâmicos, como os espaços ideais para reunir a família e receber visitas", justifica a arquiteta Maria Gabriela Nogueira. Com tantas opções, é preciso cuidado para não exagerar na dose. A recomendação é evitar cores fortes juntas. "O ideal é apostar na composição de tons, utilizando apenas uma e variar seus tons mais claros com os mais escuros, obtendo assim um ambiente mais sofisticado", ensina.

Ousadia em tonalidades mais vibrantes em alguns móveis ajuda a descontrair o ambiente sem quebrar o estilo sereno - Eduardo Almeida/RA STUDIO Ousadia em tonalidades mais vibrantes em alguns móveis ajuda a descontrair o ambiente sem quebrar o estilo sereno
Já a arquiteta Sabrine Santos tem outra opinião sobre como deve ser o emprego desses tons na casa. "Em ambientes de longa permanência, como salas, dormitórios e cozinhas, as cores escuras devem ser utilizadas com moderação, pois sobrecarregam a decoração. O ideal é utilizá-las em ambientes de curta permanência, como corredores, banheiros e lavabos." Para não errar na composição, Sabrine aconselha que sejam levadas em conta todas as cores do ambiente e também a harmonia que deve haver entre elas. "Por exemplo, evitar em um mesmo ambiente somente cores quentes (vermelho, amarelo e marrom) ou somente cores frias (azul, verde e cinza). Prefira compor as duas, para equilibrar as sensações."

O uso depende do efeito desejado e da funcionalidade exigida para o espaço, conforme a decoradora Jussara Alvim, uma das sócias do escritório A3 Arquitetura e Interiores, ao lado de Helena Antunes e Alessandra Almada. "Existe um 'tabu´ que diz que em espaços pequenos não se pode usar cor escura. Não é assim que funciona. Nesses espaços, a cor escura vem muitas vezes para complementar ou destacar elementos, valorizando ambientes demasiadamente pequenos."

Contar com os catálogos de cores oferecidos por várias lojas de tintas é uma facilidade que ajuda muito na hora da escolha, segundo Maria Gabriela. "Neles, temos, para cada tonalidade mais escura, a variação de seus tons mais claros. O programa que utilizo para apresentar meus projetos, o sketch up, também ajuda muito, pois me permite colocar nos desenhos os tons escolhidos."A arquiteta explica que com esse recurso o cliente consegue visualizar, na íntegra, como ficará seu ambiente de todos os ângulos, com todas as cores. "É muito útil, pois você pode ver na tela o resultado de combinações de cores de fachadas de casas ou áreas internas."

Sabrine Santos diz que o ideal é eleger as cores preferidas em harmonia com os demais objetos dispostos no ambiente. "Os tons de marrom e fendi caem bem com quase todas as outras cores. Por isso, pode-se considerar mesclá-las também na decoração. Deve-se, ainda, considerar todos os materiais que serão utilizados no ambiente e suas cores."Para fazer essa composição, ela sugere que, se a cor do piso e dos móveis for muito escura, opte-se por tons mais claros nas paredes, nos estofados e nos tecidos (tapetes e cortinas).

DETALHES

O ideal para se ter um ambiente harmônico é não utilizar muitas cores ou materiais diferentes juntos, como confirma Maria Gabriela, "pois podem causar confusão visual e fazer sua casa parecer um catálogo de produtos. Os móveis representam o gosto dos donos da casa, retratam o clima que a casa deve ter: moderno, acolhedor, futurista, antigo, entre outros." Para os eletrodomésticos, a arquiteta diz que gosta muito da linha prata e cromada, por ser neutra e combinar tanto com tons claros quanto com os escuros. "e não quiser ousar muito, basta trabalhar com apenas uma cor, variando seus tons para quebrar a monotonia. Dessa forma, utilizam-se detalhes contrastantes, como nas almofadas, adornos, obras de artes e mobília, em cores diferentes. O design da mobília fica favorecido se houver contraste entre sua cor e os tons da parede%u201D. A fim de se ter um resultado satisfatório, a arquiteta Alessandra Almada conta que, primeiramente, é preciso identificar qual gama de cores será trabalhada e as cores complementares que serão usadas.

Equilíbrio em cada quarto

Independentemente das cores escolhidas, o objetivo que se que alcançar é um ambiente aconchegante, prático, funcional e, ao mesmo tempo, que caiba no orçamento. Para isso, a solução, mais uma vez, é o equilíbrio. “Evite utilizar somente cores escuras ou claras em um ambiente. Essas duas situações não contribuem para um ambiente aconchegante. Procure compor as claras com as escuras, as quentes com as frias. Essa mistura garante uma composição harmônica”, explica Sabrine Santos.

Para quem gosta de seguir tendências, a arquiteta diz que os tons cítricos estão em alta. “Como o laranja, o verde-limão, o azul Tiffany e o cereja. Mas nunca se esqueça de usar com moderação”, alerta Sabrine. Essas escolhas têm de ser aliadas a um mobiliário e uma decoração que deixem o ambiente funcional e esteticamente harmônico. “Carregar no volume e nas dimensões dos mobiliários deixa o ambiente pesado e prejudica a circulação”, completa.

Alessandra, Helena e Jussara, da A3 Arquitetura e Interiores, dizem que é possível acrescentar cores escuras até em espaços pequenos - Eduardo Almeida/RA STUDIO Alessandra, Helena e Jussara, da A3 Arquitetura e Interiores, dizem que é possível acrescentar cores escuras até em espaços pequenos


Para aliar conforto, praticidade, funcionalidade e economia, a arquiteta Helena Antunes diz que é preciso começar pela escolha do piso, “que deve ser de superfície lisa e de fácil limpeza para ser prático. Hoje em dia, encontramos bons porcelanatos com preços razoáveis.” Para ter aconchego, um tapete e almofadas são benm-vindos, além de uma cor mais intensa em pelo menos uma parede. “Outra dica é a utilização de MDF com melamínicos madeirados. É uma opção mais econômica que a laminação em marcenarias, é fácil de limpar e traz sofisticação ao ambiente”, indica Helena Antunes.

Quando o assunto são as tendências, Helena diz que os tons de cinza e marrom (café e chocolate) são clássicos para a decoração. De acordo com a arquiteta, essas cores permitem uma decoração mais durável por ser menos cansativa com o passar dos anos. “Mas como atualmente a decoração é mais democrática, quem quer um pouco mais de humor em ambientes com cores escuras arrisca-se no azul, no oliva ou até mesmo com detalhes em bordô.”

Juliana Cavalcante também crê que cores neutras, clássicas, como marrom e cinza, sempre estão em alta. “Mas acredito que a quebra da sobriedade dessas cores com uso do berinjela, azul-turquesa, coral e vermelho, entre outras, é uma tendência que veio para ficar”, considera. Para fazer essas composições de forma acertada, principalmente tendo em vista a variedade de revestimentos no mercado e os produtos importados disponíveis, o melhor caminho é buscar ajuda profissional. “Por esse trabalho pode ser cobrado o valor de um projeto completo, com detalhamentos gerais (marcenaria, luminotécnico, forros, escolha de mobiliário, etc.), que, geralmente, é baseado na área a ser trabalhada (metro quadrado)”, segundo Jussara Alvim.

Dicas úteis - Saiba como acertar na escolha para sua casa

Eduardo de Almeida/RA STUDIO
» Em ambientes pequenos, como quartos, é preciso estar atento aos tons de móveis e paredes para não sobrecarregar o local.

» Para corredores muito longos parecerem ser mais curtos, basta pintar a parede no fim desse com uma cor escura ou quente.

Eduardo de Almeida/RA STUDIO
» Para ter a sensação de que o teto é mais baixo e o ambiente ficar mais aconchegante, basta pintá-lo com uma cor escura ou quente.

» Em ambiente retangular muito comprido, uma dica é pintar as paredes menores com uma cor mais escura. A sensação é de que o caminho de uma ponta a outra é percorrido em menos tempo.

» Em cômodos quadrados, pintar com uma cor escura duas paredes, uma de frente para outra, dá a
sensação de um espaço maior.

» Para esconder qualquer utensílio pendurado, deve-se pintar a parede do mesmo tom do objeto. Já se a intenção for ressaltá-lo, a tinta precisa ter uma cor intensa e contrastante para deixar o objeto mais destacado.

Três perguntas para... Junior Piacesi - arquiteto

Eduardo Almeida/RA STUDIO


Como escolher as cores escuras a serem utilizadas nos ambientes? Quais são os critérios para isso?
As cores dependem do conceito que será seguido na decoração. Gosto de sugerir cores que não cansem o usuário e trabalhar dentro de uma cartela de cores dentro da tendência dos lançamentos internacionais.

Em quais ambientes elas podem ser utilizadas?
Cores podem ser utilizadas em tudo, em tudo mesmo: do banheiro à cozinha, e pode estar desde o mobiliário, parede ou itens.

O que fazer para não errar nessa composição?
Escolher a cor certa e também qual a composição estamos montando, qual conceito se quer passar. As cores também mexem com as emoções das pessoas, então, temos que saber qual a função de cada cor para não errar.

Tags: decoração

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