Mais contemporâneo do que nunca

Objetos vintage tomam conta dos projetos de decoração

Peças antigas ganham destaque na composição dos ambientes

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postado em 24/09/2012 13:17 / atualizado em 24/09/2012 14:01 CorreioWeb /Lugar Certo
Peças antigas ganham presença quando misturadas à decoração moderna e imprimem status ao dono por revisitar o passado sem transformar a casa num antiquário - Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press Peças antigas ganham presença quando misturadas à decoração moderna e imprimem status ao dono por revisitar o passado sem transformar a casa num antiquário

Atualmente sinônimo de objeto antigo ou restaurado, sofisticado e elegante, com valor de arte e ligação familiar, a palavra vintage tem origem no século 18, na região dos vinhos de Provence, interior da França. Na época, vintage significava 'ano em que foi feito o vinho', mas ganhou mesmo o mundo com a retomada do termo na moda a partir dos anos 1920, tendo como grande expoente a estilista Coco Chanel.

Veja fotos de peças vintage


Cadeira da Memoriabilia ADVintage, de João Caixeta e Fabiano Lopes, loja especializada na recuperação e venda de mobiliário de época, vintage e retrô, que funciona em BH - Ad Vintage/divulgacao Cadeira da Memoriabilia ADVintage, de João Caixeta e Fabiano Lopes, loja especializada na recuperação e venda de mobiliário de época, vintage e retrô, que funciona em BH
O conceito de vintage já era muito utilizado na Belle Époque e no Art Nouveau, porém, ele realmente se tornou presente quando fatores de ordem econômica, como a Grande Depressão iniciada em 1929, fizeram com que as pessoas tivessem de reaproveitar peças abandonadas em bom estado de uso. Assim, nasceu o vintage como é conhecido hoje, apesar de se poder afirmar que, de certa maneira, ele sempre existiu quando alguém dava nova função para um artigo esquecido.

Para um mobiliário ser vintage, não basta ser pouco velhinho ou com cara de antigo. A peça deve ter, pelo menos, 20 anos de idade, qualidade e evocar no dono lembranças e momentos de relações afetivas. Enfim, contar uma história. O coordenador do curso de Design de Interiores do Instituto Superior de Educação de Brasília (Iesb), Eliton Brandão, afirma que, no Brasil, o vintage não era muito bem apreciado, principalmente durante as décadas de 1960 e 1970, anos em que estava em alta na Europa e nos Estados Unidos. “O Brasil do pós-2ª Guerra Mundial queria ser moderno, então o vintage era visto como cafona, que, inclusive, é um termo da época”, comenta. “Ainda mais com a construção de Brasília, que era o símbolo máximo de modernidade e futuro não só na arquitetura, mas na concepção de novos rumos para o país”. Agora, ter objetos antigos em casa virou cool e confere símbolo de status ao proprietário.

Vintage não é retrô

Copo com lapidação bico de jaca; Preço: R$ 35  - Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press Copo com lapidação bico de jaca; Preço: R$ 35
Não se deve confundir vintage com retrô. Uma vitrola digital é considerada retrô – quando a peça é fabricada hoje em dia e contém modificações tecnológicas, mas conserva aparência antiga. Apenas vitrolas originais com mais de 20 anos são vintage. Muitas coisas que eram cafonas, justamente por serem vintage, estão reaparecendo. Um dos maiores exemplos é o copo com lapidação bico de jaca. Antes considerado brega e confinado dentro dos armários, sobretudo se tivesse acabamento em ouro, o copo pode ser facilmente encontrado à venda por altos preços em lojas de decoração.

Como deixar a casa com ar vintage?

Uma das maiores dúvidas de interessados em decorar usando o vintage é como fazê-lo sem transformar a residência num antiquário. A resposta: personalidade. Eliton afirma que é preciso marcar a personalidade do morador. A solução é combinar linhas retas contemporâneas, por exemplo, com o que o dono tem de especial, de família e de característico na residência. “Dessa forma, o vintage ganha presença. Não adianta ter em casa vários objetos que não parecem que pertencem a você. Ninguém quer morar em casa de revista de arquitetura”, ressalta.

O segredo é equilíbrio em identificar o que foi fabricado atualmente e há 200 anos. A arquiteta Fátima Alvim diz que o ideal é ter uma predominância de estilo com toques vintage. “Peças menores, como decorativas, são mais fáceis de combinar”, indica.
A arquiteta Fátima Alvim acredita que no Brasil o tradicional colonial mineiro é uma boa pedida - Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press A arquiteta Fátima Alvim acredita que no Brasil o tradicional colonial mineiro é uma boa pedida

Como o vintage pode englobar muitos anos e até séculos, são diversos os estilos que podem ser utilizados. O recomendado por Fátima, porém, é usar móveis a partir do estilo Luís XV, de 1730 a 1760, aproximadamente, pois peças mais antigas podem dar ao ambiente aspecto muito pesado. “Claro que o tipo de decoração vintage depende, ainda, da cultura do país. No Brasil, o tradicional colonial mineiro é uma boa pedida”, analisa.

Em geral, os ambientes em que o vintage mais aparece são salas, halls de entrada, quartos e até lavabos. “Se bem pensado e avaliado, é possível fazer instalações elétricas e hidráulicas nos móveis e usá-los normalmente com pias e luminárias”, acrescenta.

Peças da Memoriabilia ADVintage - Ad Vintage/divulgação Peças da Memoriabilia ADVintage
As cores e tons mais freqüentes em peças vintage são o verde inglês, tabaco, vinho, grená e pastéis-ácidos, que inclusive voltaram com tudo na moda na temporada 2012-2013. Já os revestimentos mais utilizados são a madeira, pátina, veludo, renda, laca, whitewash aguada e o bleu de Chine, posteriormente, inspiração para a porcelana inglesa.

O vintage visto no dia a dia

Podem ser exemplos vintage: relógios de parede, baús, cadeiras, mesas, objetos de decoração, roupas, colares de pérolas, taças de cristal e carros, como cadillac, galaxy e até o fusca. Para se ter ideia, o transatlântico Titanic foi todo decorado com o estilo por dentro. Hoje, ele em si é vintage. Ainda, no mundo dos desenhos animados, a personagem Betty Boop é um bom exemplo do conceito.

“Acho que o vintage, além de material, é emocional. Ele se transformou muito mais numa forma de ser do que num estilo necessariamente. Para falar a verdade, o vintage nunca saiu de moda. Quem sabe o computador de hoje vai se tornar vintage daqui a uns 30 anos?”, reflete Eliton.

Agradecimentos: Relicário (508 Sul) e Undergallery (CasaPark).

Tags: decoração,

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